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DEPOIMENTO PARA POSTERIDADE DE SÉRGIO SANT’ANNA COMEMORA 65 ANOS DE LITERATURA

04 de abril de 2019


 

“Tinha o sonho de ser um beatnik”

Respeito e veneração marcaram o clima do auditório do Museu da Imagem e do Som na tarde do dia 27 de março. Durante o projeto Depoimento para Posteridade, Sérgio Sant’Anna foi sabatinado por personalidades que deram uma verdadeira aula sobre os 65 anos de carreira do escritor. Como afirmou uma das entrevistadoras, a produtora Cláudia Fares, com anuência de Sérgio, o escritor “mora na literatura”, seja na ficção ou na adaptação da realidade. Cláudia estava acompanhada de André Nigri (escritor e jornalista), Jorge Viveiros (editor) e Gustavo Pacheco (diplomata e escritor).

O início do depoimento foi marcado pelas memórias da infância, inicialmente no bairro de Botafogo e acompanhada pelas obras de Monteiro Lobato ou “Tarzan”. Sobre o período na escola Marista na Tijuca, disparou: “colégio era o fim da picada”. Mas foi no seu período em Londres que reforçou seu gosto por literatura, tendo acesso a obras em português, inglês e francês. Seu interesse pela literatura levou à escrita, poemas “de adolescente” em sua maioria, como classificou Sant’Anna. Do período, destaca a obra de Jorge Amado e “Encontro Marcado”, de Fernando Sabino. Ao morar em Belo Horizonte, ampliou seu círculo de escritores, passando a comentar e discutir literatura. Os entrevistadores destacaram o período do autor como piloto de avião na capital mineira, experiência que foi comparada aos passeios de lambreta de Sérgio pela Itália.

Sobre o período em que cursou a Faculdade de Ciência Política em Paris, foi taxativo: “Melhor fase da minha vida, convivi com escritores do mundo inteiro”. Além de acompanhar in loco os eventos de Maio de 1968, período de rebuliço político na França, Sérgio desenvolveu o que chamou de “curiosidade intelectual”, que seria essencial para sua carreira como escritor e para o lançamento se seu primeiro livro, “O Sobrevivente” (1969). Isso porque foi essa “curiosidade” que levou Sérgio a se relacionar com as mais diversas formas de artes, como teatro e pintura. Aproveitando o momento e provocado pelo escritor Gustavo Pacheco, o autor relembrou a trajetória de seus trabalhos pelos palcos, como a adaptação de “A tragédia brasileira” na peça “Ensaio Nº1”, de Bia Lessa, além de “Orlando”, também adaptado por Sant’Anna.

Ainda sobre sua relação com as diversas vertentes culturais, o autor afirmou: “É algo que me mobiliza, difícil de explicar totalmente”. Sérgio relembrou ainda seu período de convívio com os músicos do Clube da Esquina e sua admiração por Nelson Rodrigues: “Algumas obras são uma mistura de linguagens, associando Nelson Rodrigues e Machado de Assis”.

“Escrever, para mim, é uma grande emoção”, afirmou o autor ao ser questionado sobre o “Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro” (1982), que lhe rendeu seu primeiro Prêmio Jabuti. A cidade do Rio também teve seu papel de destaque no depoimento, principalmente por conta da transição da capital mineira. “Uma reciclagem”, afirmou. Segundo André Nigri, a obra “Simulacros”(1977) seria “um acerto de contas” do autor com seu período em Belo Horizonte. Questionado sobre sua relação com os estilos conto e romance, afirmou preferia o primeiro: “Eu só quero escrever contos, de tamanhos diversos”. Ao final do depoimento, Sérgio Sant’Anna se disse ‘persona non grata’ do também escritor Jô Soares, por conta de seu trabalho como crítico literário: “É o único brasileiro que nunca sentou no sofá do Jô”, afirmou Nigri, provocando a risada do público presente.

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