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ALCEU VALENÇA RELEMBRA QUASE 50 ANOS DE CARREIRA NO DEPOIMENTOS PARA POSTERIDADE

14 de maio de 2019


 

O grande encontro com Alceu Valença

Em 2016, quis o acaso que um grupo de músicos, ao cantar “Anunciação” em uma esquina do Leblon, encanta-se não só os transeuntes, mas também o próprio compositor Alceu Valença, que parou e deu uma ‘canja’ inesperada. O feito se repetiu novamente, com outro grupo e outra esquina, e dessa vez a canção escolhida foi “Morena Tropicana”. Esses casos inusitados e outros tantos serão relembrados durante o Depoimento para a Posteridade do MIS / Museu da Imagem do Som – equipamento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. O evento acontece na tarde do dia 22 de maio (quarta-feira), às 14h, na sede da Praça XV. Os escolhidos para a sabatina foram o parceiro de longa data Geraldo Azevedo (cantor e compositor), João Pimentel (jornalista), Chris Fuscaldo (cantora e escritora), entre outros. Vale lembrar que o auditório tem capacidade para 50 pessoas, por isso é bom chegar cedo para garantir o lugar. A entrada é franca.

Nascido com o nome de Alceu Paiva Valença em 1946, o músico foi apelidado logo no início de carreira de “Bob Dylan brasileiro” por associar ritmos do sertão com o folk da guitarra elétrica. O cantor de 72 anos começou a se tornar conhecido no início dos anos 1970, acompanhado de seu mais antigo parceiro, Geraldo Azevedo, com quem lançou ‘Alceu Valença & Geraldo Azevedo’, com arranjos do tropicalista Rogério Duprat e gravado com sistema de som quadrifônico, uma novidade em 1972. Desde então, já foi de ícone da contracultura brasileira à presença recorrente do ‘Cassino do Chacrinha’, vendendo milhões de discos e excursionando todo país.

Nessa trajetória foram sucessos como “Vou danado para Catende”, “Agalopado” e “Coração bobo”, que se tornou um verdadeiro marco na carreira do artista, tornando Alceu conhecido nacionalmente. Após “Anunciação”, fez apresentações memoráveis em festivais como Montreux e Rock in Rio, em 1985. Na década de 1990, a clássica “Belle de Jour” aumentou o repertório de ‘hits’ em sua carreira, reforçado pela junção com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho em “O Grande Encontro”. O álbum renovou seu público e popularizou ainda mais suas canções.

Alceu voltou para sua terra natal, Fazenda Riachão, após o falecimento do pai Décio, no início dos anos 2000. Passou a escrever poemas em cordel que se tornariam a base do seu projeto futuro, o filme “A Luneta do tempo”, lançado somente em 2016. Durante esse período se seguiram obras como DVDs ao vivo (“Marco Zero”) e com versões acústicas, como “Ciranda Mourisca” (2009). Em 2015, recebeu o troféu de Melhor Álbum de MPB no Prêmio da Música Brasileira por “Valencianas”, gravado com a Orquestra Ouro Preto.

Durante esse período, se revelou um verdadeiro camaleão cultural, assumindo as facetas de escritor, roteirista e diretor. Lançou o filme “Luneta do Tempo”, ganhador de dois Kikitos no Festival de Gramado de 2016, e aproveitando as comemorações de seus 70 anos, lançou o livro “O Poeta da Madrugada” com escritos compilados desde 1969. Também como parte das comemorações, Alceu relembrou o tempo mais underground da sua carreira, relançando ao vivo clássicos da trilogia ‘Vivo!’ (1976), ‘Molhado de Suor ‘(1974) e ‘Espelho Cristalino ‘(1977).

SOBRE OS DEPOIMENTOS PARA A POSTERIDADE

Em 1966, o MIS-RJ, inaugurou o projeto Depoimentos para a Posteridade, inédito programa de história oral criado para preservar a memória de diversos setores da cultura nacional, tais como a música, a literatura, o cinema e as artes plásticas. Atualmente conta com um acervo de mais de mil depoimentos, com quatro mil horas de material, gravado em áudio e vídeo, de figuras notáveis, como Nelson Rodrigues, Tarsila do Amaral, Fernanda Montenegro, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Nelson Motta, Ary Fontoura, Antonio Fagundes, Nicete Bruno, Zezé Motta, Neguinho da Beija-Flor, Zeca Pagodinho, Paulo César Pinheiro, Daniel Filho, Geraldo Azevedo, Dori Caymmi, Zé da Velha, Riachão, Antonio Cicero, Ronaldo Bastos, Paulo Barros, Roberto Menescal, Cesar Villela, Joyce Moreno, entre outros. Vale lembrar que todas as gravações ficam à disposição do público, nas salas de consulta do MIS, 48 horas depois do término da entrevista.

SERVIÇO

Local: Museu da Imagem e do Som do RJ – Praça Luiz Souza Dantas, 01, Praça XV.
Tel: (21) 2332-9499
Data: 22 de maio de 2019 (quarta-feira)
Horário: 14h
Entrada franca
Censura: Livre

www.mis.rj.gov.br

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