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ZEQUINHA DE ABREU, SEMPRE LEMBRADO

24 de junho de 2015


 

Considero Zequinha de Abreu um artista genial, mas não pelo tratamento pianístico que ele teria dado à sua obra. Nada disso. O piano de Zequinha é simples, como simples é o piano de todos os compositores populares. A genialidade desse artista consiste, principalmente, na originalidade de seus choros, gênero tão representativo da cultura carioca e que magistralmente conseguiu captar em sua essência mais pura, e no conjunto de suas valsas, tão representativas da verdadeira alma musical paulista e paulistana.

Em 2005, após eu ter identificado a canção “Noite de Luar”, manuscrito-autógrafo de Villa-Lobos, de 1908, durante minha participação em um projeto de digitalização de manuscritos junto ao acervo do Museu da Imagem e do Som, a direção do MIS pediu-me para procurar outras possíveis preciosidades no acervo da instituição. “Redescobri”, então, dois manuscritos-autógrafos: “Salutaris” (1880), para piano e violino, do compositor cubano, negro, José Silvestre White, que chegou a dirigir o Imperial Conservatório de Música do Rio de Janeiro, e “Unidos Venceremos” (1932), marcha de Zequinha de Abreu.

Em fevereiro de 2015, completaram-se oito décadas do falecimento de José Gomes de Abreu, ou melhor, do conhecido compositor Zequinha de Abreu, e escrever a respeito dele sempre me deu alguma satisfação, ainda mais pela minha suspeitíssima condição de primo e biógrafo no ilustre cidadão de Santa Rita do Passa Quatro (SP). São mais de trinta anos pesquisando a respeito dele, tendo contado, inclusive, com importantes depoimentos de ninguém menos que a própria filha de Zequinha, Dirce de Abreu.

Entre as imagens selecionadas para ilustrar nosso post, uma apresenta Dirce de Abreu, em minha casa, de Jacarepaguá, sentada ao piano de Ernesto Nazareth, posteriormente doado ao MIS-RJ.

Mais recentemente, o pianista brasiliense Alexandre Dias me enviou uma lista praticamente definitiva da obra de Zequinha; assim como já o fizera com as composições de Henrique Alves de Mesquita e Marcello Tupynambá. Os números do santarritense impressionam. Segundo nos informa Alexandre, são: “52 valsas, 21 marchas e marchinhas, 13 tangos, 11 fox-trots, 6 choros, 5 rancheiras, 4 maxixes, 3 sambinhas, 1 polca, 1 ragtime, 1 schottisch, 1 toada sertaneja e 1 canção. Totalizando 120 obras, sendo 9 delas desaparecidas: ‘Amar é sofrer’, ‘Bugrinha’, ‘Camponesa’, ‘Meu último amor’, ‘Nós dois juntinhos’, ‘Por ti minha alma sofre’, ‘Queridinha’, ‘Quisera não te querer’ e ‘Suprema ventura’.”

Há poucos dias, pedi ao ilustre amigo, pianista e regente Marco Aurélio Xavier, a gentileza de gravar, para o “Antiqualhas”, a marcha “Unidos Venceremos”, que Zequinha nunca viu publicada. São Paulo perdera a luta contra a ditadura, não havendo mais “clima”, obviamente, para se editar qualquer composição alusiva à Revolução Constitucionalista.

A presente gravação do maestro Xavier trata-se de uma singela homenagem do MIS à memória do grande Zequinha de Abreu.

** Luiz Antonio de Almeida é chefe da Sala de Pesquisas da Lapa e Pesquisador da Música Brasileira.

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