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VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM DISCO DA FASE MECÂNICA?

03 de dezembro de 2014


 

Pesquisador da música brasileira, o biólogo Sandor Buys tem passado parte de seu tempo na sala de pesquisa do MIS-RJ, na Lapa. É que ele se prepara para lançar, no próximo ano, um livro sobre a música gravada em disco no Brasil, entre os anos de 1902 e 1927. Mas não é qualquer disco. Trata-se do disco da fase mecânica. Mais duro, resistente e menos flexível, ele surgiu no início do século XX, bem antes do conhecido vinil ou Long Play (LP) . Podemos explicar a fase mecânica como aquela em que não se contou com o auxílio da eletricidade em todo o processo de gravação de um disco, de 78 rpm (rotações por minuto), também conhecido como discos de cera (de carnaúba).

Luiz Antônio Almeida, chefe da sala de pesquisa na Lapa, ressalta a técnica utilizada: “Boa parte do processo necessitava da força humana para movimentar o maquinário. Inclusive, tanto a voz quanto o som instrumental tinham que ser projetados em cornetas, para que, desse modo, o som captado chegasse até um diafragma acoplado a uma agulha incandescente que ia abrindo, mediante vibrações sonoras, os sulcos nas matrizes, gerando, portanto os discos.” Curioso, não?

Aqui no Brasil, essa fase durou de 1904 a 1929. Isso explica o motivo pelo qual  os primeiros cantores tinham que possuir uma voz forte, para que o diafragma captasse as vibrações. A partir da fase elétrica e, principalmente, com a mudança gradual das cornetas pelos microfones, cantores com vozes, digamos, menos poderosas passaram a despontar no cenário discográfico brasileiro.

Atualmente, Sandor Buys conta com uma coleção em sua casa, que reúne 1.500 discos mecânicos, marcados pelo surgimento de gravações de ritmos como choro, samba, maxixe, ao longo de quase trinta décadas.

Apesar de atuar profissionalmente no campo científico, o interesse por colecionar essas raridades começou ainda na infância de Buys, quando comprou seu primeiro LP de folclore. Mas só na fase adulta, no final da década de 90, foi que adquiriu seu primeiro lote de discos, em um sebo no bairro de Copacabana.

Eram discos da Favorite Record, que gravava na Europa para a Casa Faulhaber, do Rio, e do selo Phoenix, que gravou para a Casa Edison, de São Paulo. Um dos meus primeiros da coleção foi “São João debaixo d´água”, primeira gravação de Pixinguinha no choro carioca, datada de 1911”, contou o pesquisador, ao manusear cuidadosamente os discos do acervo do MIS-RJ, que hoje conta com 260 discos mecânicos.

Em tempo: atualmente, o museu conta com duas salas de pesquisa, uma na sede da Lapa e outra na Praça XV. Aqueles que quiserem pesquisar sobre o acervo sonoro (discos e fitas de áudio) e sobre os Depoimentos para a Posteridade até o ano de 1991 devem ir até o MIS-RJ Lapa; já os que desejam saber mais sobre o acervo iconográfico (imagens), audiovisual, Depoimentos para a Posteridade (a partir do ano de 1992), documentos textuais (como publicações de jornais, etc.) e partituras devem  ir até a sede do MIS-RJ na Praça XV.

 

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