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Um treinador repleto de manias e vontades

28 de maio de 2014


 

Sargento do Exército por pouco tempo e um meio-campo mais conhecido pelos carrinhos que dava que pelo seu parco talento, Flávio Costa foi apelidado, nos seus tempos de jogador, de Alicate. Mas foi como treinador que ele fez fama não apenas por conta dos seus títulos em clubes como Flamengo e Vasco da Gama, como pelo seu jeito autoritário e teimoso. Comandante de Seleção Brasileira que perdeu a Copa do Mundo em 1950, no Brasil, ele foi, de certo modo, uma espécie de dono do futebol brasileiro na época. Desde que assumiu o comando do time brasileiro, num amistoso com o Uruguai, em 1944, mandou tanto quanto o mais importante dirigente da CBD, a entidade que antecedeu a atual CBF.

Nascido em Carangola, Minas Gerais, em 14 de setembro de 1906, Flavio Costa jamais dividiu tarefas. Convocava, escalava, treinava, cuidava da parte física e até decidia o que os jogadores deveriam comer e beber. Se hoje reclamamos do poder e da teimosia dos treinadores, é porque não acompanhamos as primeiras décadas do profissionalismo do esporte.

No Sul-Americano de 1949, por exemplo, barrou o grande Ademir Menezes para pôr em campo o insosso Otávio. O Brasil perdeu para o Paraguai um jogo em que o empate bastava. Na partida extra para decidir, Ademir entrou, marcou três gols e o Brasil goleou. Na Copa de 1950 chegou a escalar uma seleção repleta de jogadores paulistas no jogo contra a Suíça apenas para agradar ao público que foi ao Pacaembu. Resultado, um empate.

Flávio Costa usava de sua autoridade de forma atabalhoada. Foi capaz, certa vez, de mandar os jogadores do Flamengo de sentarem em campo, diante do Botafogo, em protesto contra uma decisão do árbitro. Por outro lado, agiu com correção quando desafiou uma decisão de cúpula da CBD de banir Zizinho, para sempre, da seleção. Flávio Costa ignorou a confederação e devolveu ao Brasil o excepcional jogador.

Flávio começou a carreira de treinador no Flamengo, em 1934, passando ainda pela Portuguesa da Ilha do Governador e pelo Santos, antes de voltar ao clube da Gávea, em 1939. A partir daí ganhou fama de disciplinador e vencedor, ganhando os títulos estaduais de 1942, 1943 e 1944. Anos depois voltaria à Gávea para vencer o campeonato de 1963. Pelo rival Vasco também ganhou os títulos de 1947, 1949 e 1950. Treinou por muitos anos a Seleção Carioca, sagrando-se campeão brasileiro em 1935, 1939, 1942, 1945, 1948 e 1950. Ele dirigiu outros grandes times como o São Paulo, o Colo Colo, do Chile e o português Futebol Clube do Porto.

O treinador deu dois depoimentos para o MIS-RJ, em 6 de setembro de 1976 e 6 de julho de 1984. Neles, falou de sua vida no futebol e deu detalhes do clima dos jogadores antes da final da Copa de 1950. Ele morreu em 22 de novembro de 1999.

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