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Um salve para o Divino Mestre! Domingos da Guia, zagueiro de fino trato com a bola

15 de maio de 2014


 

Pouca gente hoje pode dizer que viu Domingos da Guia jogar. Mas o zagueiro, que marcou época nos anos 1930 e 1940 e até hoje é considerado um dos melhores da história do futebol, teve sua trajetória lembrada, de geração em geração, por representar algo que hoje está difícil de se ver: um jogador de defesa com extrema categoria e de fino trato com a bola, mas também um atleta viril, sério, que impunha respeito aos adversários. Tanto que foi justamente no Uruguai, o país campeão mundial em 1930, para onde se transferiu após o início no Bangu, em 1929, e uma breve passagem de um ano pelo Vasco da Gama, clube onde ganhou o apelido que o imortalizaria: Divino Mestre.

Domingos Antônio da Guia, nasceu em 18 de novembro de 1912 e morreu, aos 87 anos, em 18 de maio de 2000. Desde muito novo mostrava seu talento nos campos de pelada do bairro proletário carioca de Bangu. Trabalhou como carpinteiro e mata-mosquitos até ser descoberto pelo time do bairro. Logo de saída, meio a contragosto, foi deslocado do meio, onde jogava, para a zaga, pelo técnico Sá Pinto. E foi ali, na proteção ao goleiro, onde a bravura e o chutão pra frente contavam mais que a categoria, que ele mostrou que um zagueiro poderia ser o responsável pelo começo das jogadas, protegendo a bola, ocupando com sabedoria os espaços, dando o toque certo para um contra-ataque mortal.

Após três temporadas no Bangu, tendo estreado com apenas 18 anos na seleção brasileira, ele migrou para o Vasco. Mas, em 1933, ele já estava no Nacional, onde tornou-se campeão uruguaio. Em 1934, foi impedido de jogar sua primeira Copa do Mundo porque o Nacional pediu 45 contos de réis, uma fortuna na época, para sua liberação. Chateado, voltou para o Vasco, vencendo o estadual de 1934 e, no ano seguinte, foi para o Boca Juniors, da Argentina. Lá foi campeão outra vez, pelo terceiro ano seguinte, desta vez ganhou o campeonato argentino.

No entanto, um desentendimento com um árbitro e uma suspensão de dois meses anteciparam a sua volta ao Brasil, em 1936, mais precisamente para o Flamengo. Na Gávea manteve um futebol impecável e formou um grande time ao lado do atacante Leônidas da Silva. Os dois passaram a ser intocáveis na seleção que disputaria a Copa de 1938, na França.

O Brasil fez uma boa campanha. Venceu na estreia a Polônia, por 6 a 5, com três gols de Leônidas. Na partida seguinte, um empate em 1 a 1 com a Tchecoslováquia. Foi preciso um jogo desempate contra os tchecos e o Brasil venceu por 2 a 1, de virada. Na semifinal o Brasil perdeu por 2 a 1 para a Itália, que se tornaria bicampeã (já havia ganho em 1934).

Neste jogo, quando o placar ainda estava 1 a 0 para os italianos, o zagueiro brasileiro não segurou os nervos diante do atacante Piola e acertou-lhe um pontapé dentro da área quando o jogo estava parado, crente que nada poderia acontecer. Porém, o árbitro viu o lance e deu pênalti. A Itália foi para a final e o Brasil teve de se contentar com o terceiro lugar após vencer por 4 a 2 a Suécia.

Domingos da Guia não teria outra chance de disputar uma Copa, pois a Segunda Guerra Mundial impediria a realização do torneio em 1942 e 1946. Mas ele deu a volta por cima conquistando títulos históricos com o Flamengo em 1939, 1942 e 1943, com o reforço de Zizinho, o Flamengo emendou um bicampeonato carioca inesquecível. Em 1944, brigou com a diretoria do clube e foi para o Corinthians. Depois de quatro anos no clube paulista, Domingos da Guia acertou sua volta ao Bangu, clube que o revelou e onde encerrou a carreira em 1949.

Domingos, que veio ao MIS-RJ em 1º de setembro de 1967 participar do Depoimentos para a posteridade, foi tão importante para o futebol brasileiro e para o Bangu que a lenda se perpetuou no hino composto por Lamartine Babo: “Bangu tem também a sua história e glória/ Enchendo seus fãs de alegria/ De lá pra cá, surgia Domingos da Guia”.

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