MIS Blog/

TRIO CALAFRIO – BARBEIRINHO DO JACAREZINHO, MARCOS DINIZ E LUIZ GRANDE (2003)

14 de outubro de 2016


 

“Com respeito a todos os partideiros desse universo, o Rio de Janeiro é pedreira!”, Barbeirinho do Jacarezinho, Luiz Grande e Marquinhos Diniz abrem o disco do Trio Calafrio dando o recado: aqui quem manda são os partideiros do Rio de Janeiro.

Essa é a nossa 16º edição Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS. Os componentes do Trio Calafrio também são conhecidos como “os compositores de Zeca Pagodinho”, aliás, foi o próprio Zeca que deu o nome ao grupo. É de Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz músicas como “Conflito”, sucesso na voz de Zeca: “Ai, que conflito. Roubaram o cabrito do seu Benedito”.

Mas o trio transcende de maneira tão poética quanto irônica e tão sarcástica quanto lírica. Samba urbano, cheio de gingado e com seu próprio dialeto.

Luiz Grande é da ala de compositores da Imperatriz Leopoldinense, um estilista dentro do samba. Ex-taxista, Luiz é o mais experiente do trio e tem seus sambas gravados desde 1974. É dele a suingada “Maria Rita” eternizada na voz do saudoso João Nogueira.

Barbeirnho é cria dos Unidos do Jacarezinho e um dos importantes compositores de Bezerra da Silva e Zeca Pagodinho. Além de letrista, Barbeirinho também é um bom cavaquinista.

Já Maquinhos Diniz é irmão de Mauro Diniz e filho do grande Monarco, de quem herdou a bela e potente voz. Costura a ligação entre Jacarezinho, Inhaúma e Osvaldo Cruz.

Para combinar com o trio, a capa, com foto de Bruno Veiga, é uma inspiração a “Abbey Road” dos Beatles, mas nesse caso estreitamente carioca e suburbana.

Os arranjos são de Leandro Braga, Itamar Assiere, Wanderson Martins, Claudio Jorge, ou seja, foge do senso comum. É disco feito com refinamento da Carioca Discos, com Cláudio Jorge (violão), Carlinhos Sete Cordas, Itamar Assiere (piano e arranjo), Marcio Almeida (cavaquinho), Jorge Helder (baixo) e Jorge Gomes (bateria), Pirulito, Armando Marçal, Ovídio Brito e Marcelinho Moreira (percussão).

Todas as composições foram feitas pelo trio. “Partido em três” soa como referência ao grupo e a irreverente “CPI dos perucas de touro” já dá as cartas do sarcasmo lírico: “A Associação dos Maridos Traídos vai condecorar o Louro/ A ave falante foi muito importante na CPI dos perucas de Touro”. Um legítimo samba sacana e debochado que fala fundo no peito do desespero masculino.

“Aos caprichos da lira” é um pedido de licença para os pioneiros do samba: “E sem querer rebuscar o que já fez Cartola, Paulo da Portela e Noel/ Eu que sou um fiel seguidor e estou sempre ao dispor aos caprichos da lira/ Principalmente se o tema é de amor como um bom sonhador isso bem me inspira”.

“Deixa de marra” é um samba possuído, com o piano elétrico suingado de Itamar Assiere, um capricho único típico de suas gravações. “Deixa de marra e vem sambar” toma conta do baile, um misto de partido-alto com sonoridade cinco estrelas.

O baile continua em “Pouco importa a tranca” com naipe de metais que nos leva aos clubes dos anos 1970 e 1980, no melhor estilo suingue, samba-rock.

“Dona esponja” vem com referências à macumba, na sonoridade e letra, mas de maneira engraçada, criando uma personagem cheia de símbolos e vícios. A música foi gravada também pelo padrinho Zeca Pagodinho. “Cambono Aba” segue nessa linha hilariante e descreve aquele tipo tão comum hoje dia, o caboclo que usa a religião para explorar os outros.

O tema “bebida” volta em “Carquejo”, a luta de um bom marido para parar de beber Carquejo, uma espécie de cachaça com a erva Carqueja.

“Vai buscar meu banjo” é um pagode auto-referente que traz detalhes de uma roda de samba e mostra a rivalidade entre os compositores.

Os sucessos com Zeca Pagodinho “Conflito”, “Parabólica” e “Mary Lu” aparecem no disco em pout pourri quentíssimo com metais em brasa.

“Na hora que a barriga ronca” exalta o poder da “A minha nega é milagrosa na cozinha” que faz acontecer e “multiplica” a comida dentro de casa. “Maria Alice” continua com o tema caseiro e marca o romantismo no disco.

“Embrulho” e “Jeton” fecham o trabalho com o toque pra cima. Aliás, “Jeton” faz uma crítica sacana à carreira do político profissional: “Eu quero aposentar em dois mandatos/ E nas eleições que vem serei mais um candidato”.

Enfim, o Trio Calafrio faz crítica, esculhamba, é sarcástico e ao mesmo tempo poético, romântico e muito bem acabado. Acima de tudo, o disco é muito bem trabalhado por Paulinho Albuquerque e o trio Rodrigo Lopes, Fabio Henriques e André Coelho, que tiram os melhores timbres, sons e nuances rítmicas. Um trabalho precioso no conteúdo e na forma. Ouça:

Produção Artística: Paulinho Albuquerque
Técnicos de gravação: Rodrigo Lopes, Fabio Henriques, André Coelho
Gravado e mixado em Pro Tools 24 Mix nos Studios Discover – Rio de Janeiro
Técnico de mixagem: Guilherme Reis
Masterização: Pro-Master/Sergio Murilo
Projeto Gráfico: Pós Imagem Design
Direção de arte: Ricardo Leite e Rafael Ayres
Designer: Eduardo Varela
Fotos: Bruno Veiga
Texto de encarte: Nei Lopes
Arranjos: Leandro Braga, Itamar Assiere, Wanderson Martins, Claudio Jorge

 

PARCEIROS


 

Sede Administrativa
Rua Visconde de Maranguape, 15
Largo da Lapa, CEP 20021-390
Rio de Janeiro/ RJ

Sede Praça XV
Praça Luiz Souza Dantas, 01
Praça XV, Rio de Janeiro/ RJ
Rio de Janeiro/ RJ, Brasil

Tel +55 21 2332-9509/ 2332-9507 (Lapa)
Tel +55 21 2332-9068 (Praça XV)
Email: olamisrj@gmail.com

©

2018 MIS–RJ
Termos de uso/ FAQ
design ps.2