MIS Blog/

Tieta perde pra Betty Faria

27 de fevereiro de 2014


Atriz esbanja simpatia numa tarde intimista no MIS-RJ

Fotos Caru Ribeiro

 

Entregue, de bem com a vida e linda. Betty Faria ‘causou’ no ‘Depoimentos para a posteridade’ do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, que aconteceu nessa quarta-feira, dia 26. Divando, a atriz revelou segredos, se emocionou e fez o público, que lotou o auditório do MIS-RJ, morrer de rir falando de algumas situações pra lá de inusitadas.

Liberdade

“Cresci muito sozinha, filha única, e meu pai, como era militar, viajávamos muito. Então sempre me senti ‘barrada no baile’… se eu não saísse, me jogasse na vida, ficaria sempre no mesmo núcleo familiar.”

“Um dia, quando tinha 4 anos, minha mãe foi tomar banho e eu fugi porque queria ir pro circo. Já não queria viver naquele círculo que eu vivia.”

“Aos 6, depois de muita insistência, meu pai me colocou no ballet clássico. Mas minha mãe só me deixou ir se eu aprendesse piano. Odiava!”

“Desde que via aqueles musicais, como ‘Cantando na chuva’, sonhava em estar ali: na Broadway, mas meu pai nunca gostou (ele era militar) que eu dançasse. Eu acabei educando ele e ganhei um grande fã.”

Dança

“Mas só me senti como se estivesse na Broadway quando fiz o musical Skindô (1960). Fui escolhida para o teste, mas eu era muito nariz em pé e a coreógrafa Sonia Shaw me colocou na última fila na estreia no Copacabana Palace. Estreei chorando de ódio, mas fiquei lá. Linda!”

“Com Skindô tivemos que ir para fora do País em cartaz com o musical e meu pai teve que me emancipar, senão eu não poderia ir. Quando voltamos ao Brasil, eu já era solista. Ela (a coreógrafa americana Sonia Shaw) entendeu o meu valor e eu a minha arrogância e nos entendemos.”

“A primeira vez que vi Lennie Dale (bailarino e coreógrafo americano, falecido em 1994) dançar fiquei hipnotizada. Foi no teatro Carlos Machado… ele deslizava de joelhos na diagonal e aquilo era muito novo… Na época tinha fazia shows na boate Fred’s ao lado de Grande Otelo. Depois fui promovida à vedete e fui fazer par com Lennie, na bossa nova. Fui uma outra bailarina, melhorada, depois que comecei a dançar com ele. Nos tornamos grandes amigos.”

E a estrela sobe

“Quando fui fazer o teste para o ‘Noite de Gala’ (TV Rio), que na época era o mais glamouroso e chiquérrimo programa de TV, fui de ‘chuchu’ e sapatilha de ponta. Tanto o Casé (Geraldo) e o coreógrafo Juan Carlos Berardi ficaram me olhando e cochichando. Aí o Berardi gritou e mandou mudar tudo… resultado: apareci de maiô cavado e um salto altíssimo. Minha estreia foi em cima de uma escada cantando. (risos)”

“No final da década de 1960 criamos o Teatro Jovem, eu, Cláudio Marzo, José Wilker e outros, para estudarmos o método Stanislavski. Eu, que sempre me senti uma ‘barrada no baile’, ali me senti pertencendo a uma turma.”

“Em ‘Véu de Noiva’ fazia uma vilã maravilhosa e que fazia muita maldade com a personagem da Regina Duarte. E o público tinha uma raiva de mim porque eu fazia maldade com a namoradinha do Brasil. Vê se pode? (risos)”

Novelas

“Odiava a Viúva Porcina (Roque Santeiro, 1975), doía meu útero fazer essa novela. Achava ela uma puta chata. Bom, como diz o Budismo, transformamos o veneno em remédio. É tão verdade que depois dessa personagem que eu odiava fazer e foi censurada veio a Lucinha, de Pecado Capital (1975), que fez um sucesso estrondoso.”

“Fui convidada por Gilberto Braga para fazer Dancin’ Days, mas como o Daniel (Filho) era quem ia dirigir e a gente tinha acabado de se separar, não teria cabeça. Conversei com o Gilberto e ele me entendeu, foi melhor para a novela dele. Eu sempre misturei pessoal com profissional. As pessoas falam que não misturam, mas não dá pra separar. Você pode até trabalhar com seu ex-marido, 20 anos depois. E ainda assim tem ranço. (risos)”

“Em Baila Comigo (1981) fazia uma professora de balé, mas meu papel se resumia a isso. Reclamei tanto, chateei tanto o Manoel Carlos (autor) que ele nunca mais me chamou para fazer novela nenhuma (risos). Nessa época eu ainda era muito nariz em pé… toda atriz, principalmente aquela que já fez sucesso algum dia, tem que trabalhar o ego, senão vira uma velha chata.”

“Mas descontei toda a frustração de Baila Comigo com Lili Carabina (‘Lili, a estrela do crime’, de 1989). Estava mordida porque terminar ‘Baila Comigo’ pedindo um suco de caju então fiz uma Lili Carabina maravilhosa, até aprendi a atirar. Arrasei! (risos)”

“’O salvador da pátria’ foi uma novela cansativa. Fazia uma dondoca que morava numa fazenda, então toda vez que eu abria a porta da casa era sinal que gravaríamos uma externa em Vassouras. E lá íamos nós para a estrada novamente. Eu não queria mais abrir a porta em cena! (risos) Fiquei oito meses abrindo a porta da sala e desesperada. (risos)”

Tieta (que este ano completa 25 anos)

“Fazer sucesso é muito bom, né? Eu ainda casada com Daniel Filho fui à Londres e lá conversei com Zélia Gatai. Ela me disse que o Jorge Amado estava escrevendo um romance que era a minha cara e que dali a alguns anos ia ser perfeito para mim. E não foi? (risos)”

PARCEIROS


 

Sede Administrativa
Rua Visconde de Maranguape, 15
Largo da Lapa, CEP 20021-390
Rio de Janeiro/ RJ

Sede Praça XV
Praça Luiz Souza Dantas, 01
Praça XV, Rio de Janeiro/ RJ
Rio de Janeiro/ RJ, Brasil

Tel +55 21 2332-9509/ 2332-9507 (Lapa)
Tel +55 21 2332-9068 (Praça XV)
Email: olamisrj@gmail.com

©

2018 MIS–RJ
Termos de uso/ FAQ
design ps.2