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SIMPATIA E BOM HUMOR EMPOLGAM O PÚBLICO DE DJAVAN

24 de setembro de 2015


“Quando peguei pela primeira vez um violão, senti sua anatomia favorável. Abracei aquele instrumento e percebi que o queria levar para minha vida inteira.”

 

A elegância, o bom humor e a simpatia marcaram o Depoimento Para a Posteridade de Djavan ao Museu da Imagem e do Som, no último 23 de setembro.

O músico falou de sua infância em Maceió, da influência musical da mãe, dos ídolos da adolescência – como Angela Maria e Luiz Gonzaga –, do início da carreira, e também de sua fama de estranho, título que,  segundo ele, ainda carrega, por seu jeito singular de compor.

A mesa, que teve a coordenação da presidente da Fundação MIS, Rosa Maria Araujo, contou com a participação do jornalista e curador da futura nova sede do museu, Hugo Sukman, do músico e amigo pessoal Lenine, do produtor musical Guto Graça Mello, e do crítico, pesquisador e jornalista Ricardo Cravo Albin.

Ao lembrar-se da infância e adolescência, Djavan contou que, o dom natural pela música veio desde cedo:

“Quando peguei pela primeira vez um violão senti sua anatomia favorável. Abracei aquele instrumento e percebi que o queria levar para minha vida inteira. ”

“Aos 16 anos ganhei meu próprio violão, de um amigo, o Chico Macuca. Foi o meu primeiro e, na época, ele me disse que me presenteou, pois achava que eu tinha uma voz bonitinha e poderia fazer sucesso.”

“Minha mãe fazia eu cantar para suas amigas na sala de casa. Sempre os sucessos de seus cantores favoritos, que me influenciam até hoje. Em geral, todos os cantores nordestinos.”

Da primeira música que compôs, Djavan preferiu não lembrar, e, fez a plateia que lotou o auditório da Praça XV  rir muito com sua revelação:

“Minha primeira composição foi aos 18 anos. Ela era muito feia, se chamava “Aquele Amor”. Eu não tinha ideia do que estava fazendo. Ainda não conhecia muito bem minha música. Depois fui dando um jeito nas coisas”.

Sobre a vinda para o Rio de Janeiro e o começo de carreira na gravadora Som Livre, Djavan fez questão de destacar seu carinho e admiração por quem ele considera seu mentor, João Araújo.

“O primeiro violão que peguei na Som Livre, logo que cheguei no Rio, é o que eu uso até hoje. O João Araújo, na época presidente da gravadora, foi quem me ofereceu. Aliás, ele é um cara muito importante na minha história. Ele foi o anjo da minha vida, me ajudou a trazer minha família de Maceió para o Rio. A Som Livre foi minha casa durante cinco anos e o João, meu mentor.”

“Meu primeiro disco acabou sendo de samba. Foi o repertório escolhido pela Som Livre. No início, me senti contrariado, mas percebi que veio a calhar. Acabou mostrando minha diversidade num único gênero.”

Sobre sua fama de estranho, o músico, hoje muito tranquilo com este título, até brincou:

“Sempre ouvi que fazia uma música muito estranha. Aliás, ‘estranha’ foi a palavra que mais ouvi ao longo da minha vida profissional. Sempre tive pela letra um zelo imenso, apesar de dizerem que minhas letras são abstratas. Faço letras que tendem a fazer um mergulho na complexidade do pensamento. Como pode um músico fazer sucesso por 40 anos com tantas estranhezas?”

Quando pediram que listasse suas músicas preferidas, Djavan primeiro disse que seria uma tarefa impossível – afinal, cada composição tem uma história –, mas, depois, concordou em eleger cinco:

“Já que é para escolher algumas canções, fico com cinco que representam épocas muitos boas para mim: ‘Flor de Lis’, ‘Fato Consumado’, ‘Meu Bem Querer’, ‘Oceano’ e ‘Lilás’”.

“Sobre a música ‘Oceano’ tenho uma revelação curiosa. Tenho em casa muitos pedaços de músicas que começo a escrever, me desinteresso e depois abandono. Foi o caso desta música. Minha filha a achou guardada e me ligou para questionar o motivo de eu tê-la abandonado. Isso foi exatamente cinco anos antes dela de fato renascer e estourar.”

Em sua mensagem final para as futuras gerações, Djavan falou de projetos atuais e ideias para os próximos meses:

“Em novembro, lanço um novo disco, que se chamará Vidas para Contar.  E, em fevereiro de 2016, sigo com uma turnê nacional.”

“Componho para me agradar, para ser feliz. Mas não sento para me ouvir, já que me conheço. Apesar do título de estranho, gostaria de ser lembrado como um cara gente boa.”

 

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