MIS Blog/

ROQUE FERREIRA – TEM SAMBA NO MAR (2004)

07 de abril de 2017


 

“Que hoje a poliça não contrarêa/ Tem samba no mar, sereia”

A nossa 40ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS apresenta o primeiro trabalho solo de Roque Ferreira, reconhecido compositor, que aqui mostra também seu talento como intérprete.

“Tem samba no mar” é quase um milagre. As canções parecem se locomover por caminhos férteis, entre jangadas e procissões. Um disco com cheirinho de Nazaré das Farinhas, Bahia, terra onde Roque Ferreira começou a fazer seus sambas de roda, gênero característico do recôncavo baiano.

O compositor que foi apresentado a todo Brasil pelas primeiras gravações de Clara Nunes, em 1979, se transformou em um dos mais requisitados compositores desse século XXI. De tributos como o feito pela cantora Roberta Sá e Trio Madeira até se tornar o autor mais frequente nos projetos de Maria Bethânia nos anos 2000.

“Tem samba no mar” foi lançado pelo selo Quelé (parceria entre Acari e Biscoito Fino). Além de regravar o sucesso “Samba pras moças”, clássico com Zeca Pagodinho, Roque Ferreira interpreta 12 parcerias inéditas com o poeta Paulo César Pinheiro.

O trabalho abre com “O cavalo de São Jorge” e traz a citação que dá título ao disco, além de falar da incrível Clementina de Jesus, a nossa Quelé.

A segunda faixa apresenta um dos maiores sucessos do compositor Roque Ferreira, parceria com Grazielle, e um tremendo estrondo lançado por Zeca Pagodinho, em 1995, no disco homônimo. Todo mundo naquele ano cantou”Incandeia, incandeia/ Incandeia, incandeia/Meu candiá”, uma das músicas mais tocadas em todo o país. Na voz de Roque Ferreira, “Samba pras moças” ganha outro tempero, com mais cheiro de terra no violão de 7 cordas de Mauricio Carrilho, a violinha de Pedro Amorim, o cavaquinho de Luciana Rabello, além da percussão de Paulino Dias e Pretinho da Serrinha.

Da grande consagração partimos para “Quebradeira de coco”, composição apenas de Ferreira, que já havia sido gravada pela cantora Telma Tavares, em 2001, e que se tornou posteriormente parte presente do repertório de Mariene de Castro. O artista recebe um coro luxuoso formado por Alfredo Del-Penho, Amélia Rabello, Ana Rabello, Anna Paes, ajudando a levar a canção para o universo do recôncavo baiano.

“Sucupira” tem a participação do parceiro Paulo César Pinheiro com grande ênfase no dobrado entre a viola de 10 cordas de João Lyra, o cavaquinho de Luciana Rabello e o violão de 7 cordas de Mauricio Carrilho.

“Aguadeira/Saubara”, outras duas músicas inéditas da dupla, traz a tradição das aguadeiras da região além de citar uma importante cidade do recôncavo baiano, Saubara, que fica no lado oposto a Nazaré, nas proximidades de Santo Amaro da Purificação, São Francisco do Conde e Cachoeira.

“Garaximbola” é outra canção que entrou para o repertório da cantora baiana Mariene de Castro, uma das principais intérpretes atuais do compositor. “Garaximbola, peixe do Mar Embola, embola/ Quero ver desembolar”, coco que vai nos embolando de verdade até chegar a uma erudita e popular lista de peixes encontrados no Brasil: “Tem carapeba, pirará, tem curimatá/ Curvina, congo, xerelete, tem carapiá/ Tem piaba, atum, linguado, tem pintado, aruanã/ Tucunaré, cação, tainha, tambaqui, tamboatá/ Tem peixe com coco/ Nesse coco de embolar.”

A próxima faixa é “Luz de candeeiro”, composição apenas de Roque Ferreira, se apresenta com belos versos como,  “O amor se amarrou bem cedo/ Na beira do meu destino/ Embaixo desse arvoredo/ Eu sonho desde menino”.

“Casa de Edith” é uma homenagem a Dona Edith do Prato, de Santo Amaro da Purificação:  “O samba chamou, eu vou/ Não posso ficar, vou lá/ É do samba que eu sou senhor/ Na casa de Edith é que é bom de sambar”. Canção perfeita para receber o pot-pourri com “Menino de samburá/ A mão da dor”.

Outra homenagem é “Dona fia” que brinca com o nome de Dona Fia com o pedido de fiado e encerra com: “Se não tiver companhia, Dona Fia/ Eu queria, o amor de sua fia/ Pra eu fazer uma família.”

Em “Ralador”, Roque Ferreira divide os vocais com Amélia Rabello, que atua também no coro durante toda a gravação de “Tem samba no mar”.

O fantástico “Samba de dois-dois”, recentemente gravado no bom “Samba original” de Pedro Miranda, é uma música dedicada a Cosme e Damião e porta de entrada para o momento mais religioso do disco, que vem a seguir com o pot-pourri “Cortejo”, “Auto-de-fé”, “Baticum de samba”, “Ogum de ronda”, todas parcerias de Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro.

O trabalho se encerra com “Oxóssi”, canção que já foi regravada por Renata Jambeiro, Aline Calixto, Gonzaga Leal, Mariene de Castro, e se tornou uma de suas principais composições recentes. Em qualquer samba do país, é entoado o verso:”Na Bahia é São Jorge/ No Rio, São Sebastião/ Oxóssi é quem manda/ Nas bandas do meu coração”.

“Tem samba no mar” mostra toda a diversidade musical de Roque Ferreira, com seus tradicionais sambas de roda, cocos, chulas, tudo sob o aspecto lírico e fantástico de nosso compositor mais produtivo e inspirado, Paulo César Pinheiro, que leva esses ritmos para um mergulho nas profundezas do mar e da terra. Sentimos a Bahia e o recôncavo. Sentimos o gosto do mar e dos rios. “Tem samba no mar” é um convite para se conhecer o Brasil.

 

Ficha técnica:

Alfredo Del-Penho : Coro
Amélia Rabello : Coro
Ana Rabello : Coro
Anna Paes : Coro
Durval Pereira: Percussão
João Lyra : Viola 10 Cordas
Luciana Rabello : Cavaquinho
Maurício Carrilho : Violão 7 Cordas
Paulino Dias : Percussão
Pedro Amorim : Violinha
Pretinho da Serrinha: Percussão

 

PARCEIROS


 

Sede Administrativa
Rua Visconde de Maranguape, 15
Largo da Lapa, CEP 20021-390
Rio de Janeiro/ RJ

Sede Praça XV
Praça Luiz Souza Dantas, 01
Praça XV, Rio de Janeiro/ RJ
Rio de Janeiro/ RJ, Brasil

Tel +55 21 2332-9509/ 2332-9507 (Lapa)
Tel +55 21 2332-9068 (Praça XV)
Email: ola@mis.rj.gov.br

©

2017 MIS–RJ
Termos de uso/ FAQ
design ps.2