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RADAMÉS E A RÁDIO NACIONAL

04 de julho de 2016


Radamés Gnattali, Chiquinho do Acordeom e Pedro Vidal Ramos em estúdio de gravação

 

Estamos de volta com o Curiosidades Musicais! E desta vez o destaque é um dos maiores maestros da música brasileira e seu papel na Rádio Nacional – Radamés Gnattali.

O maior veículo de comunicação, da primeira para a segunda metade do século XX no Brasil, a Rádio Nacional, contava com quatro maestros fixos de primeira grandeza. São eles, Lyrio Panicali, Radamés Gnattali, Leo Peracchi e Romeu Ghipsman.

Radamés já era um músico experiente quando participou da inauguração da rádio em 1936 e atuou como pianista, maestro, compositor e arranjador em diversos programas. Seu foco principal foi dar um tratamento orquestral diferenciado à música brasileira. Foi um verdadeiro inovador com um tipo de instrumentação e arranjo para o samba, samba-canção e outros gêneros. Num tempo em que só se fazia música popular brasileira com um regional (pequena formação de cordas dedilhadas, sopro e percussão), Radamés introduz violinos, violas, violoncelos e contrabaixos no repertório romântico de Orlando Silva, por exemplo. Para os sambas de Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, ele adiciona metais e palhetas.

Ao lado de José Mauro e Haroldo Barbosa, Radamés produziu o programa Um milhão de melodias. Ganhou destaque junto a outros grandes como Alceo Bocchino e Alberto Lazzoli no programa Quando os maestros se encontram. Além de compor e arranjar para pequenas formações, realizou pesquisa musical no Instantâneos Sonoros do Brasil, produzido por Almirante e José Mauro. Para este programa Radamés escreveu para vários gêneros: choro, valsa, jongo, coco, bolero, mazurca, polca, lundu e marcha.

Existem vários documentos desses e muitos outros programas da Rádio Nacional no acervo do MIS. Fotos, partituras, discos, fitas e textos. No caso das partituras, são inúmeras as produzidas por Radamés. Um dos consultores do MIS, o músico Mario Adnet, realizou uma pesquisa inicial sobre as partituras da Rádio Nacional e constatou a grande importância da produção de Radamés para a RN. Para ele, “é um mundo à parte que deve ser profundamente investigado”. E é realmente provável a existência de muitos arranjos praticamente inéditos, tocados apenas uma vez na rádio e sem registro fonográfico. Entre eles foram identificadas mais de 60 composições do próprio Radamés.

Mario ainda complementa questionando o número real de partituras do músico para a RN no acervo do MIS – “Acredito que Radamés tenha feito muito mais do que está registrado e o que ainda falta ser identificado nesse material, pois ele tinha o costume de fazer três arranjos por dia. Imaginando que ele tenha feito pelo menos dois ao dia, isso significa um volume de mais de 12.000”. De fato, como também andei pesquisando as mais de 30.000 partituras dessa coleção, muitas grades orquestrais não tem identificação de autoria e outras possivelmente foram passadas a limpo pelo seu irmão, Alexandre Gnattali. Enfim, é um trabalho de pesquisa minucioso e de longa duração.

Radamés voltará a ser mencionado aqui pela sua grandiosidade e arrojo. Sua atuação foi muito além dos estúdios da Rádio Nacional no edifício A Noite.

por Pedro Paulo Junior – músico e pesquisador do MIS

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