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O VERDADEIRO CARIOCA DA GEMA

19 de fevereiro de 2016


 

A melhor forma de comemorar Paulo César Pinheiro, homenageado de fevereiro nos Depoimentos para Posteridade do MIS / Museu da Imagem e do Som, é fazer um passeio nas obras dentro da obra de um dos nossos maiores compositores,responsável por um repertório de mais de 1300 canções gravadas, compostas com cerca de 120 parceiros. De Pixinguinha a Tom Jobim, Dori Caymmi, Francis Hime, Edu Lobo e jovens como Miguel Rabello Bastos.

Eu fui expulso do colégio. E aí outro dia me convidaram pra me homenagear“.

Imagine que você tem 18 anos e Elis Regina está no palco da 1ª Bienal do Samba da TV Record, em 1968, com Os Originais do Samba, cantando sua composição em parceria com Baden Powell, “Lapinha”, que acaba de ganhar o primeiro lugar e um prêmio de 20 mil cruzeiros novos. Parece um conto de fadas para qualquer letrista, mas foi exatamente assim a primeiríssima aparição de Paulo César Pinheiro no cenário musical brasileiro. Até então, ele não tinha dado as caras nem em sarau de escola.

A intuitiva “Lapinha” foi inspirada no capoeirista baiano Besouro Mangangá, que venceu a violência da polícia, mas morreu pelo amor de uma mulher. O personagem retornaria em outra parceria com Baden Powell (“Besouro Mangangá”), em uma composição com João Nogueira (“Besouro da Bahia”) e no musical “Besouro Cordão de Ouro”. Disponível no CD “Capoeira de Besouro” (Biscoito Fino), é um dos trabalhos mais ambiciosos dos últimos tempos da música brasileira onde 15 toques de capoeira são transformados em canções.

Eu não gosto de fazer uma música. Eu gosto de fazer uma obra. Eu quero destrinchar aquela alma até secar tudo

Paulo César Pinheiro não apenas gravou sambas como o clássico “Carioca da Gema” (parceria com Mauro Duarte) mas também tem diversas músicas dedicadas aos gêneros musicais cariocas: samba, choro e bossa nova. São músicas sobre música como o clássico “O samba bate outra vez”, em parceria com Maurício Tapajós, um exercício de fôlego que lista 105 intérpretes e compositores do samba. De Aracy de Almeida ao Zé-com-Fome. Tecnicamente impecável e uma levada incrível. E essa é apenas uma das 52 canções que levam o “samba” no título.

O choro, por exemplo, é homenageado no 3º Movimento da impressionante Sinfonia do Rio de Janeiro de São Sebastião, onde a letra de Paulo Cesar Pinheiro encontra a música de Francis Hime e a voz de Leila Pinheiro para dar uma aula sobre a história, lugares, personagens e a estética do choro. O compositor ainda tem outras sete músicas que falam do choro (gênero), choro (pranto) e até do chorinho do garçom na hora de servir uma bebida.

Em “Benção bossa nova”, que ele fez com dois mestres do gênero, Carlos Lyra e Roberto Menescal, põe a bossa em seu devido lugar: é um samba que mostra influências de clássicos, impressionistas, jazz, bolero mas, principalmente, “o samba de Noel, Caymmi, Ary, Garoto e Pixinguinha”.

Eu fiz esses sambas das escolas de samba como Lamartine fez as músicas para os clubes de futebol

Em capítulo especial da sua obra é dedicada a Estação Primeira de Mangueira. Tudo bem que ele escreveu, em parceria com Mauro Duarte, sambas de exaltação a dez escolas, como o clássico “Portela na avenida”, sucesso imortal de Clara Nunes, hoje meio hino informal da agremiação de Oswaldo Cruz. Mas para a sua Mangueira ele dedicou pelo menos oito sambas: da dolente “Declaração de amor à Mangueira”, com Cristóvão Bastos, ao sincopado “Cabrocha da Mangueira”, parceria com Marcio Proença.

Não é por acaso, esse amor vem da infância, do tempo em que ele morava em São Cristóvão, dos 10 aos 25 anos, e se embrenhava pelas ruas, quebradas, rodas de samba do Pedregulho, Tuiuti e, claro, Mangueira. E ele descreve esse amor em sambas com parceiros variados como Moacyr Luz (“Divina Mangueira”), Mauro Duarte (“Mangueira Estação Primeira”), Sérgio Santos (“Samba pra Mangueira”) e Miltinho (“Velha Guarda da Mangueira”). Só este ano de 2016, no recém lançado CD “Pulsação”, primeiro de seu filho Julião Pinheiro, há dois novos sambas para a escola de coração de pai e filho: “Mangueira árvore samba” e “Verde e rosa”. É muito amor.

 

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