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O SER HUMANO ZECA PAGODINHO

25 de junho de 2015


 

A irreverência, o bom humor, a carioquice e a preocupação social marcaram o Depoimento Para a Posteridade de Zeca Pagodinho ao Museu da Imagem e do Som, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura, no último 10 de junho. O sambista falou de sua infância entre Del Castilho e Irajá, lembrou suas primeiras composições e das parcerias com Arlindo Cruz, Beto Sem Braço, Almir Guineto e a turma do Fundo de Quintal. Zeca também contou em detalhes como foi que Beth Carvalho o levou para a vida artística ao incluir a música Camarão que dorme a onda leva no disco Suor no rosto, de 1983.

A mesa, que teve a coordenação da presidente da Fundação MIS, Rosa Maria Araujo, contou com a participação do jornalista Ancelmo Góis, do músico Paulão Sete Cordas, do maestro de Zeca, Rildo Hora, e do produtor artístico Max Pierre. O sambista, ao lembrar-se da infância e adolescência, contou que, entre outros ofícios, foi apontador de Jogo do Bicho:

“Eu tinha que trabalhar porque não tinha nada.  Vendi limão na feira, fui office boy e me criei na roda de jogo. Fui apontador de jogo do bicho, mas na minha época chamavam mesmo é de bicheiro. Precisava ganhar um qualquer para ajudar em casa e para as sessões de domingo no cinema. Assistia a todos os filmes do Jerry Lewis”.

Referência musical de Zeca e de seu grande amigo Arlindo Cruz, Beto Sem Braço foi reverenciado pelo artista também como grande incentivador e parceiro musical.

“O Beto foi quem incentivou a gente a mostrar a cara. No início, quando estávamos tímidos diante daquela turma toda que cantava no Cacique de Ramos, ele chamava a gente para versar partido alto, para cantar nossos sambas. Ele era referência  minha e do Arlindo, além de um grande compositor. Tinha temas que só ele fazia. Sempre dizia que gostava de compor comigo porque só no olhar a gente já sabia o que o outro queria”.

Do primeiro show, a lembrança curiosa de sair do palco da casa noturna Asa Branca, no lançamento do disco de Beth Carvalho, direto para a 5ª DP:

“Cheguei no lançamento do “Suor no rosto” com uma namorada muito ciumenta. De cara, uma produtora me apareceu com uma camisa e perguntou se cabia em mim. Não dei muita atenção para aquilo. Quando eu vi já estava no palco com a Beth cantando nem um tom totalmente diferente do meu. Mas deu certo. Depois a namorada começou a dar um ataque, a criar um barraco e a polícia levou todo mundo para a delegacia”.

Religioso, Zeca diz que acredita em Deus e respeita todos os credos, mas reclamou que a festa  de Cosme e Damião está  perdendo espaço no subúrbio por conta da intolerância de algumas religiões.

“Faço uma festa no Dia das Crianças, em Xerém, no dia mesmo de Cosme e Damião é complicado porque tem pai e mãe que não deixa a criança pegar doces, que diz que é coisa do diabo.”

Zeca perpassou sua carreira, disco a disco e elegeu “Lama nas ruas”, dele e de Almir Guineto, como a sua preferida, e “Faixa amarela”, como a mais carioca.

Em sua mensagem final para as futuras gerações, Zeca foi mais Zeca que nunca e abusou da simplicidade, fazendo uma referência também ao seu novo disco “Ser humano”:

“Quero que as pessoas lembrem que por aqui passou um ser humano”.

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