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O HUMOR REFINADO DE MAX LOPES

26 de novembro de 2015


Me considero uma pessoa divertida. Mas fui criado pelos meus avós, basicamente. E, vamos combinar, quem é criado por avós fica ranzinza antes do tempo.

Max Lopes

 

Foi com muito bom humor e simplicidade que o carnavalesco Max Lopes encantou a plateia presente no auditório do MIS / Museu da Imagem e do Som na Praça XV, durante a série Depoimentos Para a Posteridade, em novembro. Com coordenação da vice-presidente do MIS, Rachel Valença, Max foi sabatinado por Altay Veloso (músico e compositor), Gusttavo Clarão (músico, compositor e presidente da Escola de Samba Unidos da Viradouro), pelo parceiro profissional de toda a vida, o carnavalesco Mauro Quintaes, e o amigo, compositor, poeta e teatrólogo Paulo Cesar Feital.

Max Lopes, conhecido como “o mago das cores”, iniciou sua carreira, na década de 1970, como ajudante de Fernando Pamplona – um dos grandes carnavalescos do carnaval carioca da época – no Salgueiro. Seu primeiro desfile como carnavalesco principal foi em 1976, na escola de samba Unidos de Lucas, com o enredo Mar Baiano em Noite de Gala , alcançando a 12º colocação. Resultado: a escola escola foi rebaixada. Foi em 1982, agora na escola de samba União da Ilha do Governador, com o enredo É Hoje!, que Max começou a ser conhecido pelas formas como trabalhava as cores, ganhando o famoso título de mago, que o acompanha até hoje.

Em 2016, Max Lopes retornou à agremiação vermelha e branca de Niterói, após dois Carnavais fora. Em 2013,  foi responsável pelo desfile da Viradouro na Série A, quando a escola homenageou o Salgueiro e conquistou o vice-campeonato. Max também passou pela Viradouro, de 1990 até 1993. Em 1992, fez história na agremiação com o enredo “E a Magia da Sorte Chegou“.

Max deu início ao depoimento falando sobre sua infância e juventude e o início do seu interesse pelo samba e pela arte:

“Nasci na Tijuca, mas meu coração e minha alma são de Niterói. Quando garoto, com apenas 14 anos aprendi a sambar, e muito antes de virar carnavalesco fui passista. Fugia de casa para sambar no morro do Salgueiro. Até hoje, faço questão e, quando posso, desfilo para poder sambar na avenida.”

“Me considero uma pessoa divertida. Mas fui criado pelos meus avós, basicamente. E, vamos combinar, quem é criado por avós fica ranzinza antes do tempo.”

“Meu gosto pela arte começou de forma indireta. Tinha um colega que tinha um tio belga, que estava vindo para o Brasil com uma novidade, esculpir dentes de porcelana. Naquela época, isso ainda não existia aqui. Fui trabalhar com ele e me encantei. De alguma forma eu podia criar, moldar. Tem muito político e artista rindo à toa até hoje com dentes feitos por mim.”

Sobre sua passagem por diversas escolas de samba e o ofício da profissão, Max lembrou momentos memoráveis e outros que prefere esquecer:

“Minha entrada no carnaval carioca foi como ajudante de Fernando Pamplona, no Salgueiro, nos anos 70. Aprendi com o mestre, que costumava dizer que a gente tira da cabeça o que não pode se tirar do bolso. Até hoje levo essa filosofia comigo.”

“A minha estreia como carnavalesco principal foi em 1976, na Unidos de Lucas, com o enredo ‘Mar baiano em noite de gala’. Posso dizer que foi tragicômico. Ali, aprendi a lidar com todos os tipos de pessoas.”

“Não ligo muito para o apelido que me deram de ‘mago das cores’. Ele veio no carnaval da União da Ilha, em 1982. Não podia se misturar muito as cores naquela escola. Mas eu sempre gostei de tudo misturado, adoro um degradê. Sou barrocado demais, adoro laço para tudo quanto é lado.”

“Um carnavalesco tem que conhecer o teor das comunidades, sua rotina, seu povo. Tem gente que só porque desenha bonitinho se acha carnavalesco.”

“Minhas passagens pela Mangueira foram um desafio. Até me questiono como fui parar lá. E a última vez que saí foi por conta da mudança de diretoria. Nunca houve uma briga ou um episódio polêmico, ao contrário do que muito gente cogitou.”

“A Viradouro sempre foi uma escola muito receptiva. Ela não está fincada dentro de comunidade e sim no meio da cidade. E tem a questão emotiva. Eu tenho uma ligação de muito amor com Niterói, cidade que escolhi para viver e onde cultivo muitos amigos”.

“Hoje não vivo só do carnaval, mas também da produção de figurinos para teatro, cenografia. Mas creio que seja possível viver da indústria do carnaval.”

Max falou de seu retorno à Viradouro no carnaval de 2016:

“Para 2016, estamos trazendo um enredo lindo, chamado ‘O Alabê de Jerusalém: A saga de Ogundana’, baseado no espetáculo teatral e musical de Altay Veloso. Mas não é um espetáculo qualquer. Trata-se de uma ópera, que foi adaptada de forma muito cuidadosa: a paixão de Cristo, pela visão de um negro africano. Um tema, por sinal, bem pertinente, um ‘não!’ bem grande à intolerância. O público irá se surpreender na avenida.”

“Para se fazer carnaval não é preciso do luxo de uma Beija-Flor, mas, sim, de originalidade, uma boa bateria e muito talento e competência.”

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