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O herói do primeiro estado livre do Brasil

19 de novembro de 2013


"Palmares chegou a ter cerca de 30 mil habitantes, aproximadamente 13% da população brasileira na época, espalhados por 200 quilômetros quadrados de extensão".

 

Sábado passado, no café da manhã, entre um pão na chapa e um suco de laranja, ouço a moça que me servia reclamar com a colega de balcão:

“Não entendo esse feriado de Zumbi. Já não tem o da abolição da escravatura?”

Minha vontade foi interceder, mas paguei minha conta e fui embora. Fiquei com aquela imagem na cabeça. Primeiro, para esclarecer, o dia da abolição e também de São Benedito, 13 de maio, não é feriado. Mas é incrível como muita gente desconhece a história de Zumbi, o herói negro e brasileiro que, como diz o lindo samba “Epopeia de Zumbi”, de Nei Lopes, “ao invés de receber a liberdade, preferiu conquistá-la”.

Quando Zumbi nasceu, em 1655, em Alagoas, já existiam quilombos espalhados pelo interior do Brasil, formados por negros escravos que conseguiam fugir à sua rotina de crueldades impostas pelos senhores de engenho. Eram comunidades agrícolas livres, onde se produzia artesanato, tecidos e metalurgia, perseguidas pelos soldados dos governos das capitanias.

O Quilombo dos Palmares já existia há mais de sete décadas quando Zumbi fugiu para lá, aos 15 anos, em 1670. Aos sete anos, ele havia sido capturado por soldados e entregue a um padre, que ficou responsável pela sua formação. Enquanto ajudava nas missas, estudava português e latim. Adquiriu habilidades, que, aliadas ao espírito guerreiro, o transformaram em um estrategista militar e um líder de seu povo.

Palmares chegou a ter quase 30 mil habitantes, aproximadamente 13% da população brasileira na época, espalhados por 200 quilômetros quadrados de extensão. Durante aproximadamente um século, resistiu a ataques de holandeses e portugueses. Somente em 1694 o Quilombo dos Palmares, o primeiro estado livre do Brasil, foi ocupado e destruído. Mesmo assim, por um exército de mais de oito mil soldados, munidos até com canhões, depois de quase 30 dias de batalha.

Mesmo após a derrota, os quilombolas continuaram a resistência, com saques, ataques surpresas e libertação de escravos. Um ano depois, em 20 de novembro de 1695, Zumbi, delatado por um homem de confiança, é preso e degolado.

Grandes sambas foram feitos para celebrar a existência de Zumbi. Mas eu fico mesmo o samba-enredo de Nei Lopes, para mim um dos melhores de todos os tempos. “Epopeia de Zumbi” traduz, numa poesia fabulosa e numa melodia idem, a trajetória de um herói que durante muitos e muitos anos foi excluído da história oficial do país.

Viva o Dia da Consciência Negra! Data para lembrar e refletir.

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