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NEGO ALVARO – CRIA DO SAMBA (2016)

30 de dezembro de 2016


 

Como diz o famoso ditado: “tudo termina em samba”. E assim fechamos a última edição do “Especial 2016” da nossa Discoteca Básica do Século XXI MIS. Com uma promessa do samba.

Para celebrar a mais tradicional música carioca, vamos apresentar o artista revolução do ano: Nego Alvaro com seu disco “Cria do samba”. Aliás, a faixa-título é propriamente uma biografia sobre o artista, escrita em parceria com seu padrinho musical Moacyr Luz e Mingo Silva.

Nascido e criado em Bangu, hoje morando em Honório Gurgel, foi em Irajá que Nego Alvaro começou a atuar profissionalmente na música, aos quinze anos de idade, no Pagode da Tia Ciça, de 2004 a 2006. Dede então, ele vem desfilando seu samba pelas rodas mais famosas da cidade, como o Cacique de Ramos – que fez parte durante cinco anos –, o Beco do Rato, o Clube do Cozido – comandado por Zeca Pagodinho –, o Samba do Trabalhador, no Andaraí, além de liderar há dois anos o Mafuá no Quintal, na Abolição.

Foi no Samba do Trabalhador, a partir de 2010, que o então Álvaro Santos começou a chamar a atenção de todos, com apenas 22 anos. No segundo CD/DVD “Moacyr Luz e Samba do Trabalhador ao vivo no Renascença”, lançado em 2012, Nego Alvaro gravou “Estranhou o quê”, de Moa.

Como percussionista, Nego Alvaro já acompanhou Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Zélia Duncan, Dona Ivone Lara, Arlindo Cruz, Caetano Veloso, Mariene de Castro, entre outros. E faz parte atualmente da banda de Beth Carvalho.

Com texto do encarte feito pelo próprio Moa, “Cria do samba” tem produção de Pretinho da Serrinha e conta com as participações de Mart’nália e Sereno em arranjos dos fabulosos Rildo Hora, Carlinhos 7 Cordas, Pretinho da Serrinha, Rafael dos Anjos e Thiago da Serrinha.

Um disco que já começa da pesada com a faixa-título: “Eu sou cria do samba/ E sou subúrbio às “pampa”, sim/ Da domingueira, andar descalço, chinfrim/ Zé Pereira, sou baticum, butiquim/ Abrideira, meu santo cuida de mim/ Me banhei no quintal/ Cerol, marraio, bacurau/ No escuro da dor/ Sangue estancado no sal”. Uma canção biográfica, com arranjo de Carlinhos 7 Cordas, que mostra que o menino rei das pipas, e rei das rodas de bola de gude, tornou-se também rei das rodas de samba.

“De frente pro mar”, parceria com Victor Souza e Jonas Felipe, é uma canção daquelas boas para cantar, com a melodia em diálogo, com os sopros de Dirceu Leite nos levando para os tempos de salão: “Foi de frente pro mar/ Que eu prometi ao luar/ Prometi que pra sempre/ Vou te levar pro céu”. Tem aqueles refrões que não saem da nossa cabeça, certamente você vai ouvir e sair fazendo o coro “Pro céu…”.

Quando você ouve “Chuva no sertão”, parceria com Gabrielzinho de Irajá, Pablo Macabu e Paulo Henrique, entende que “Cria do samba” veio para trazer novos tempos para nosso samba. Arranjo primoroso de Rafael dos Anjos que recebe a introdução preciosa do acordeão de Bebe Kramer. A letra é uma crítica-canção-oração: “Senhor/ Tão querendo calar a nossa voz/ Mas eu sei que o senhor luta por nós”. E pede para Santa Luzia, para Ewá. É nossa tradição em nossas orações.

“Estranhou o quê”, composição apenas de Moacyr Luz, foi a canção que abriu as portas de Nego Alvaro. Aqui, ela está vestida em ritmo samba-rock. “Estranhou o que? Preto pode ter o mesmo que você”, faz coro com canções como “Eu compro” dos Racionais MC’s, músicas que reforçam o poder do negro, com ironia e calam pensamentos racistas.

E já que citamos o rap, a próxima faixa do disco, “Hino vira-lata”, de Emicida, Beatnick e K-Salaam, lançada por Emicida no “Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, de 2013 , junta o samba e o rap com uma linha de baixo fenomenal de Sidão Santos. A introdução da faixa começa com repique de mão, gravado pelo próprio Nego Alvaro, em homenagem aos batuqueiros do país. Versão esperta que faz “Hino vira-lata” funcionar perfeitamente na “Cria do Samba”: “Meu coração tá na mão do ritmista/ Do DJ, no pandeiro do repentista/ E onde for, meu amor, vão saber/ Que ali vai um maloqueiro/ Apaixonado por você”. Tudo junto em forma de samba.

Sereno, do antológico Fundo de Quintal, chega em “Marca registrada”, parceria dele com Nego Alvaro e Pablo Macabu, samba suave bem ao estilo do compositor. O tributo ao Cacique, local importante na formação de Nego Alvaro, continua no pout pourri com três músicas fugindo do óbvio: “Eu prefiro acreditar”, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Marquinhos PQD, lançada em 1990, “A voz do Brasil”, Sombra, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, de 1994 e “Nascente da paz”, Sombrinha e Adilson Vitor, de 1989.

“Pra te encontrar”, apenas de Nego Alvaro, e “Tá querendo”, parceria com Marcelinho Moreira e Leandro Fab, são sambas de amor, sobre a paixão nos tempos de hoje. Na primeira, é a busca pela paixão: “Pra te encontrar/ Eu joguei flores no mar/ Lhe dediquei/ O castelo que sou rei”. E na segunda, é o “amor” que procura o coração do sambista: “Tá querendo o quê de mim/ Tá querendo/ Tá querendo um dengo eu dou/ Tá querendo/ Tá querendo um cheiro, oh flor/ Tá querendo”.

O segundo samba-rock do disco é “Extra II (O rock do segurança)”, vindo diretamente do LP “Raça Humana”, de Gilberto Gil, lançado em 1984. Belíssima sacada e outra canção que trata diretamente o preconceito: “O segurança me pediu o crachá/ Eu disse: nada de crachá, meu chapa/ Sou um escrachado, um extra achado/ Num galpão abandonado, nada de crachá/ Ié, uô, uô, ié/ Sei que o senhor é pago pra suspeitar/ Mas eu estou acima de qualquer suspeita/ Em meu planeta todo o povo me respeita/ Sou tratado assim como um paxá/ é, uô, uô, ié”.

O disco fecha com “Circular”, canção inédita de Moacyr Luz, outro arranjo de Rafael dos Anjos, que traz uma introdução sofisticada com desenhos complexos de sopros e uma bateria de escola de samba ao fundo. Viajamos para outros lugares, como o universo de Arrigo Barnabé. Sobram também baixarias vindas do violão 7 cordas de Rogério Caetano. Aqui, Nego Alvaro recebe a parceira “Mart’nália” para encerrar “Cria do samba” em alta dimensão. Juntos, eles cantam a geografia de nosso Rio que canta e samba:

“Carioca da Gema
A pé da Boca do Mato
Na Vila da Penha, Bicão e Sumidouro
Travessa do Sereno Sal
No senta aí atrás da Central
Tem Linha Amarela
Na mão que desce a Maré
No Largo da Cancela
No Mangue, no Tanque
No charme em Madureira
Estação Primeira
Engenho da rainha
É do Império Serrano
Abolição sobe a Rocinha
Coroa do Turano
São ruas, palmeiras, paisagens
Trincheiras
Pilares sobre a Lapa
Um samba segunda
Macumba me chama até Boa Viagem
É Vila, Estácio
Arranco do Engenho de Dentro
Falei deixa falar
É Glória morena Carioca da gema
Me diz se é pra parar
Colegio Pavuna beirando Inhaúma
Vaz lobo no Sapê
Óh vida maluca
Tijuca me escuta não esqueci você”.

Ouça:

 

Ficha técnica:
Nego Alvaro: voz e repique de mão
Pretinho da Serrinha: Direção musical e percussão
Rildo Hora: Arranjos
Carlinhos 7 Cordas: arranjos e violão de 7 cordas
Rogerio Caetano: violão de 7 cordas
Leandro Pereira: Violão de 7 cordas
Bebe Kramer: acordeão
Marlon Sette: Arranjo de metais e trombone em: “Estranhou o quê?
Rodrigo Revelles: sax tenor
Diogo Gomes: trompete
Camilo Mariano: bateria
Jamil Joanes: baixo
Sidão Santos: baixo
Fred Camach: banjo
Rafael dos Anjos: cavaco e violão
André Siqueira: cuíca
Thiaguinho da Serrinha: arranjos, cavaco
Fabio Miudinho: surdo, pandeiro
Flavinho Miudo: surdo
Jorge Quininho: tamborim e cuíca
Marechal: tantã
Misael da Hora: teclado
Marcio Vanderlei: bandola
Dirceu Leite: sopros
Simone Costa, Joana Rychter, Jorge Alexandre, Mingo Silva e Julio Oliveira: coro e palmas.
PARCEIROS


 

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