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Morre o sambista Delcio Carvalho

12 de novembro de 2013


 

“Traz a pureza de um samba

Sentido, marcado de mágoas de amor

Um samba que mexe o corpo da gente

E o vento vadio embalando a flor”

(“Sonho meu”, de Delcio Carvalho e Dona Ivone Lara)

Morreu um dos compositores e cantores mais significativos do samba carioca. Delcio Carvalho saiu de Campos ainda jovem para morar com um tio no Morro do Querosene, no Catumbi. Certo dia pegou um bonde errado e foi parar no Lins, onde conheceu tudo que é tipo de malandro. Tempos depois, fez suas primeiras parcerias no Cais do Porto… Talvez por não se prender a nenhuma comunidade no seu início de carreira, construiu, moldado por sua obsessão criativa, uma trajetória muito singular como compositor e intérprete. Nos anos 1950 e 1960, passou por programas de calouros como “Pescando Estrelas” e “Trem da Alegria”, enquanto se apresentava em bailes de diversos clubes do Rio de Janeiro, como Tijuca Tênis Clube e Ramos Tênis Clube.

Seu nome começou a se tornar popular no mundo do samba quando firmou parceria com Dona Ivone Lara nos anos 1970. “Sonho meu” foi gravado por Maria Bethânia, com participação de Gal Costa, em 1978, no disco “Álibi”, que vendeu mais de um milhão de cópias. No embalo do samba que ganhou as rádios, surgiram outras pérolas da dupla, como “Minha verdade” e “Acreditar”. Em 1979 gravou seu primeiro LP, “Canto de um povo”, com músicas como “Ausência”, parceria com Noca da Portela e Barbosa da Silva, e “Alvorecer”, seu primeiro grande sucesso como cantor, em parceria com Dona Ivone.

Apesar de ótimo cantor, Delcio não teve uma carreira fonográfica à altura de seu talento, o que não é incomum no meio do samba.  Em 1996 gravou o CD “Afinal”, com produção musical do bandolinista Afonso Machado, do grupo Galo Preto, responsável também por seu disco de 2000, “A lua e o conhaque”, um dos melhores álbuns de sua carreira. Seis anos depois ele lançou “Profissão compositor”.

No ano seguinte, em 2007, uma amiga emplacou um projeto “subfaturado” da gravação de três discos. O dinheiro mal dava para cobrir os custos de dois. Mas juntou os amigos e, dirigido por Paulão Sete Cordas, com produção do parceiro Mario Lago Filho, gravou o que hoje podemos chamar de uma espécie de “testamento”. “Delcio – Inédito e eterno”, trouxe à luz parcerias com o poeta Cacaso, com Capiba, Nei Lopes e Wilson das Neves. Além de sambas, Delcio mostrou sua versatilidade em valsas, boleros, partidos e sambas-canções.

Gravado por Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Gal Costa, Maria Bethânia, Cauby Peixoto, Nara Leão, Jair Rodrigues, Delcio Carvalho tinha a grande generosidade de interagir com a juventude, de emprestar seu talento para projetos de novos cantores como Moyseis Marques, Roberta Sá e o grupo Casuarina. Era também figura frequente das festas “Imperianos de fé”, realizada anualmente na quadra da Império Serrano, para arrecadar fundos para a escola que o acolheu.

Delcio nasceu em 9 de março de 1939 e faleceu hoje, dia 12 de novembro de 2013, em decorrência de um câncer no aparelho digestivo.

 

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