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Milton Nascimento em depoimento para a posteridade

19 de julho de 2013


 

Conhecido por seu jeito tímido, o cantor e compositor Milton Nascimento surpreendeu a todos ao mostrar um bom humor contagiante nesta terça-feira, 19/03, ao participar da série Depoimentos para a posteridade do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura. Ao lado da ex-ministra Ana de Hollanda, dos compositores Marcio Borges e Ronaldo Bastos, assim como do jornalista e escritor Tárik de Souza e do maestro, músico e arranjador Wagner Tiso, Bituca, como é chamado pelos amigos, falou sobre sua vida e carreira com sensibilidade e carisma. O evento, que lotou o auditório da instituição, acontece sempre uma vez por mês e recebe sempre uma celebridade da cultura brasileira na sede do MIS-RJ da Praça XV. Abaixo seguem alguns trechos do depoimento de Milton Nascimento.

Infância em Três Pontas (MG)

“Frequentava sempre as procissões da Igreja e o maestro regia de costas. Era engraçado porque a procissão ia para um lado e ele seguia a diante. Teve uma vez que tiveram que tirar o maestro do bueiro.”

“No rádio da minha casa, ouvíamos sempre Amália Rodrigues, tangos… era muito fã de rock, ouvia muito Elvis (Presley)… lá em casa não existia preconceito algum, mas gostava muito de ouvir Angela Maria, achava que as mulheres passavam mais emoção e os homens queriam passar força. Até que ouvi Ray Charles, aí descobri que homem também tinha coração.”

“Minhas influências foram João Gilberto, Tom Jobim… ele, então, não fazia força para cantar. Adorava tudo nele, compositor das melhores músicas brasileiras, até hoje, na minha opinião.”

“Comecei a compor por acaso e tocava instrumentos de ouvido. Já escrevia alguma coisa, mas foi escutando as músicas no rádio que comecei a criar harmonias. Isso porque a maioria das canções que a gente ouvia não dava para tirar a harmonia, por conta do chiado. Não dava para ouvir direito.”

Belo Horizonte (MG)

“Na verdade fui para Belo Horizonte para estudar Astronomia; em Três Pontas meu pai tinha um telescópio e eu adorava. Como na faculdade não tinha essa opção, decidi fazer economia. Na entrada da universidade, com todos os documentos para fazer a matrícula, calmamente pedi ao Márcio (Borges) um fósforo. Ele me deu e queimei tudo aquilo. Da escola fomos para o bar mais próximo e a caminho eu gritava ‘Viva a música!’. Saímos de lá às 3 horas da manhã.”

“Eu e Marcinho (Borges), muito católicos, fomos assistir Madre Joana dos Anjos (1961), filme que a Igreja proibia, dizendo que quem fosse assistir seria excomungado. Realmente o filme era muito forte, mas assim que entramos no cinema vimos três frades. Fiquei me perguntando se eles também seriam excomungados… depois da sessão fomos ao bar e lá estavam os três frades. Eles eram dominicanos e a conversa deles naquele dia não saía da minha cabeça, então assim que cheguei em casa compus Sentinela em homenagem a eles.”

Sucessos

“O ‘aê, aê, aê’ que todo mundo canta era um pedaço pequenininho na letra de Maria Maria. Até hoje não sei como foi parar na boca de todo mundo.” (risos).

“Sempre que dá termino um show com Travessia e antes que me perguntem, não, não enjoo dessa música. Acho ela linda.”

Amigos

“Uns amigos chilenos me apresentaram à obra de Mercedes Sosa, que fui conhecer em um show que ela fez no Scala, com Vinícius (de Moraes). Fiquei com medo de me apresentar porque ela era muito grande e parecia ser muito séria, então Vinícius me pegou e atravessamos o Scala todo de mãos dadas (risos). Ela tinha um fã inveterado, um índio, que ia a todos os seus shows, em tudo quanto é país; ele a chamava de La Negra. Diziam que ela dirigia muito mal, então o índio ia na frente avisando a todos por onde passava Mercedes. Um belo dia, na porta do meu hotel no Espírito Santo, estava o tal índio, verde. Quando perguntei o que tinha acontecido, ele disse: “La Negra nunca más!”. Eles tinham feito um trajeto que demorava umas oito horas em apenas duas.”

“Queria muito gravar com Mercedes (Sosa), mas ela sempre inventava uma desculpa: gravadora que não era a mesma, que ela só cantava em espanhol etc. Insisti até ela dizer ‘sim’.”

“Certa vez fui à gravadora e lá estava Mercedes; o voo dela saía em poucas horas, por isso tínhamos que gravar o mais rápido possível. O problema é que tínhamos combinado de gravar uma música e na hora ela me mostrou outra, que eu não conhecia, em espanhol. ‘Você não precisa de ensaio’, disse. Fiquei nervoso, mas conseguimos gravar de primeira. Até hoje não sei como.”

Fito Paez me chamou para gravar uma música com ele, então enviei mais de 20 canções e nada dele aprovar ou sugerir qualquer outra. Quando chegou o dia da gravação, falei sobre a minha angústia para Fito, por não termos fechado o repertório e ele me disse ‘você não precisa disso’. Ah, de novo não! (risos). Foi então que soube de um boato que estava rolando na Argentina de que eu gravei uma música com a Mercedes Sosa sem conhecer a tal música. Ou seja, nunca mais gravo na Argentina (risos).”

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