MIS Blog/ Depoimentos

MELHORES MOMENTOS DO MPB-4 NO MIS

26 de outubro de 2018


Créditos: Fred Pontes

 

Com o auditório da Praça XV cheio, o MIS recebeu na tarde deste 24 de outubro o MPB-4, como convidado da série Depoimentos para a Posteridade. Nunca o museu havia recebido tantos convidados na mesma mesa para a sabatina.

Completando 53 anos de carreira, o MPB4 é referência em grupo vocal no país. A formação atual não conta com dois de seus integrantes e fundadores, Ruy Faria e Magro, que já nos deixaram. Ruy marcou uma ruptura no quarteto quando em 2004 se desligou. “Foi muito traumatizante para nós na época a saída dele. Tudo começou por conta de divergências artísticas, mas de forma progressiva. Ele achava que seu trabalho não era reconhecido pelo grupo. Sofremos muito”, disse Aquiles.

“Cogitamos a chamar o grupo de MPB3 com o intuito de seguir em frente. Mas chegamos ao Dalmo, depois de indicações de amigos músicos. A sugestão veio do maestro Mario Adnet. Dalmo tocava no Céu da Boca. Na época eu só perguntei uma coisa ao Adnet, ‘mas ele tem um bom agudo’?

Dalmo, que estava de volta ao Rio depois de uma temporada de 13 anos na Bahia, também contou sua versão: “Vi no jornal o anúncio da saída do Ruy e comentei com minha esposa, – bem que podia ser eu para este trabalho. Dois ou três dias depois recebi uma ligação do Miltinho com o convite. Ele marcou um encontro em um bar na Gávea e me deu uma pilha de CDs e partituras do MPB4 e avisou que em duas semanas sairíamos em turnê. Aprendi todo o repertório ouvindo no fone durante minhas caminhadas pela Lagoa. Meu primeiro show com o grupo foi em João Pessoa, terra do meu pai. Quando chegamos no aeroporto tinham umas 400 pessoas só da minha família, parentes do meu pai, com cartazes com meu nome. Ainda bem que deu tudo certo. Depois dessa recepção”, concluiu com humor.

Outro fato engraçado do bate papo foi a lembrança do ano de 2006, com a gravação do CD dos 40 anos do grupo. Músicos como Milton Nascimento, Zeca Pagodinho e Cauby Peixoto (que é tio de Dalmo) foram convidados para uma participação. “Tinha acabado de entrar no grupo e os meninos pediram para eu fazer o convite ao meu tio, o Cauby. E logo que liguei, ele me disse (imitando Cauby com perfeição): Dalmo, com aqueles rapazes lindos eu canto até ‘O Pato’ (de Toquinho e Vinícius e consagrado quando gravado pelo MPB4).

Outra época marcante do grupo foi em 2012, quando Magro Waghabi morreu, após anos doente. Paulo Malaguti, que também foi do Céu da Boca, foi convidado para integrar o grupo. “Eu e Aquiles sentimos vontade de não seguir. Magro era a alma do MPB4. O grupo existia por causa dele mas resolvemos perpetuar seus arranjos. Foi quando pensamos em alguém com este perfil de arranjador, tecladista e vocal. Já conhecia o Paulo do Arranco de Varsóvia e dos seus trabalhos com diversos corais. Achei que ele poderia cumprir este papel”, disse Miltinho visivelmente emocionado.

Paulo, por sua vez, contou sua versão cheia de gratidão: “o MPB4 foi o maior presente da minha carreira de músico, aprendi com eles o que é zelar pela qualidade de um espetáculo. Eu e Dalmo somos a ala jovem do MPB4″, brincou.

Sobre os projetos em andamento está o show ” Você corta um verso, eu escrevo outro” com roteiro de Aquiles e canções inspiradas nos duros anos da ditadura (Aquiles sempre foi o grande militante político do grupo). Aliás, sobre o atual momento político ele foi enfático: “o retrocesso vem se confirmando a cada dia no Brasil. Hoje minha grande preocupação é sobreviver”, finalizou.

PARCEIROS


 

Sede Administrativa
Rua Visconde de Maranguape, 15
Largo da Lapa, CEP 20021-390
Rio de Janeiro/ RJ

Sede Praça XV
Praça Luiz Souza Dantas, 01
Praça XV, Rio de Janeiro/ RJ
Rio de Janeiro/ RJ, Brasil

Tel +55 21 2332-9509/ 2332-9507 (Lapa)
Tel +55 21 2332-9068 (Praça XV)
Email: olamisrj@gmail.com

©

2018 MIS–RJ
Termos de uso/ FAQ
design ps.2