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MAHMUNDI – MAHMUNDI (2016)

22 de dezembro de 2016


 

Discoteca Básica do Século XXI MIS chega em sua 25ª edição com a segunda parte do “Especial 2016”.

Se na semana passada falamos de Breno Ruiz e seu universo de lundus, modinhas, choros, agora vamos para o pop eletrônico de Mahmundi, responsável por renovar a cena com sabor de mar, praia, amor, tudo com ecos de sintetizadores, em seu disco de estreia, após os dois bem sucedidos EPs, lançados em 2012 e 2013.

Com direção artística de Carlos Eduardo Miranda, em parceria com Alexandre Kassin, além dos músicos Felipe Vellozo (baixo e efeitos) e Lux Ferreira (teclados, piano acústico e elétrico, programações e samplers), o disco aponta para o futuro, mas sem perder de vista a sonoridade do início dos anos 1980, que na época era representada no Brasil por nomes como Robson Jorge, Lincoln Olivetti, Marina Lima e Guilherme Arantes.

A cantora e compositora Mahmundi, pseudônimo de Marcela Vale, começou a carreira cedo, aos 12 anos, cantando nas igrejas do bairro de Marechal Hermes, Zona Norte do nosso Rio. Aprendeu no gospel, fora das escolas formais, seu lado musical. Foi técnica de som do Circo Voador e da Fundição Progresso, aprendeu os macetes de estúdio e, desde 2012, seu nome passeia pelos blogs, sites, jornais como uma das promessas da cena carioca.

Agora, morando em São Paulo, a artista, que também toca guitarra, bateria e teclado, chega a seu melhor momento com “Mahmundi”, lançado este ano pelo selo StereoMono. O disco abre com “Hit”, uma típica faixa para tocar na noite, porém transvestida de canção de amor, com uma letra simples e objetiva: “No meu coração/ Fiz um disco pra me lembrar você.”

“Azul”, de Mamhundi, Lux Ferreira e Victor Abdelnur, fala sobre a transição entre mar e cidade, Rio e São Paulo, calma e pressa: “Quando tudo terminar enfim/ Meu desejo transformado em saudade/ E a cidade respirar tudo isso que passou/ Na verdade é pra entender/ Que meu coração tem pressa.”

“Eterno verão”, parceria com Lucas de Paiva, integrante do grupo Séculos Apaixonados, é um dos grandes hits do trabalho. A canção foi lançada no final de 2015 e mostra que Mahmundi consegue fazer um pop com sonoridades vindas dos anos 1980 sem parecer parado no tempo. “Eterno Verão” tem um abertura que lembra a beleza dos arranjos do americano Leon Ware, parceiro de Quincy Jones e Marvin Gaye.

É novo, é instigante, assim como a próxima música – “Desaguar” – originalmente lançada pela artista em “Efeito das cores”, seu primeiro EP de 2012. É o encontro das coisas feitas nesse século XXI com o universo bem trabalhado por artistas como Marina Lima em décadas anteriores.”Desconfigurar o meu coração/ Pra saber da boa nova que corre por aí”, é uma abertura com ares de renovação. A artista gravou guitarra e bateria, além de direcionar o uso massivo de sintetizadores. Ela está definitivamente pronta para invadir qualquer lugar do mundo.

“Meu amor”, uma parceria com Roberto Barrucho, traz as referências do universo gospel, em um belo rhythm and blues. Uma canção com vocação para balada após aquele amor de uma noite só: “Meu amor, por favor/ A certeza vai habitar/ E a cabeça agradecer/ Pela noite com você”.

“Calor do amor”, parceria com Roberto Barrucho e Bruno Dias, é outra música do EP “Efeito das cores” e, talvez, a mais conhecida de Mahmundi, já que ela venceu o Prêmio Multishow na categoria “Novo hit” e foi utilizada em campanhas publicitárias.

Com uma guitarra gravada em loop, “Leve” é a próxima faixa, parceria com Roberto Barrucho, composição que já havia sido lançada no EP “Setembro”, em 2013. Outra canção de amor, de desejo, dessa vez circular, sem grandes alternâncias, como uma reza, um mantra.

A música que mais sofreu mudanças, em relação aos seus lançamentos anteriores, foi “Quase sempre”, gravada no EP “Efeito das cores”, em 2012,  um reggae cheio de ecos e efeitos que agora ganhou mais emoção e deixou Mahmundi de peito aberto. O resultado é melhor, sedutor, romântico e doloroso, como mostra o trecho: “Sua ausência está presente/ Quase sempre, quase sempre/ E me cala/ Quase sempre”.

“Wild” respira ares da juventude, como diz a letra: “Longe daqui/ Eu não tenho pressa/ Quero um dia breve pra viver/ Sobre você e me distrair”. Sem pressa, com um trap, gênero eletrônico ligado ao hip hop, “Wild’ é a canção mais linear do trabalho, mas também expõe o diálogo entre as batidas eletrônicas e o piano acústico que encerra a música.

O primeiro álbum de Mahmundi fecha com “Sentimento”, parceria com Lux Ferreira, lançada anteriormente em 2014 e que da mesma forma recebeu o Prêmio Multishow. Com o trecho: “O amor é um mar difícil/ Mas é tão fácil de se ver e admirar/ Todo amor tem um artifício/ Que não acaba e ninguém pode mudar”, “Sentimento” mostra um bom resumo desse trabalho. O universo de Mahmundi navega entre mares, amores e desamores. Focaliza as nuances das relações amorosas neste século XXI. É eletrônico, porém tudo parece estar vivo, entre sintetizadores e piano acústico.

O diálogo natural do presente e do passado faz de “Mahmundi” uma belíssima obra para esse ano de desconfiança. O pop brasileiro agradece e apresenta para o mercado um trabalho com grande potencial radiofônico e para as plataformas virtuais. Mahmundi já é presente, passado e futuro.

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