MIS Blog/ Discoteca Básica

LUCIANA RABELLO – CANDEIA BRANCA (2013)

04 de agosto de 2016


 

“Mas donde é que veio o samba, seu doutor perguntou/ Veio do Rio de Janeiro ou Salvador?”
Eu respondi no contrapé/ Vou lhe dizer de onde é que é/ Foi dos quadris de uma mulher, que veio o samba.”

“Candeia branca”, sétimo disco na nossa série Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS, abre respondendo uma questão tão recorrente na  música brasileira. “Mas quem pergunta é porque nunca vai saber/ Tem que sentir pra compreender”. É a resposta perfeita na forma da música “De onde veio o samba”, da dupla Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro, dois guerreiros na criação, renovação e preservação do samba, do choro e dos demais gêneros do nossa música.

São quatorze músicas de Luciana, sendo treze feitas com Paulo César Pinheiro. A exceção é “Teu amor”, uma declaração de amor ao poeta, parceiro de trabalho e de vida, que foi surpreendido com o samba dedicado a ele – única faixa em que Luciana assina música e letra.

O disco revela uma compositora popular impressionante e uma cantora madura, até então  mais conhecida como compositora de choro, exímia instrumentista e professora. Mais que isso, sintetiza uma vertente musical muito representativa no Rio contemporâneo, o da renovação dos gêneros da música brasileira a partir principalmente do estudo da música (instrumentos, técnica, linguagem) e da estética, que tanto influencia jovens músicos e que tem Luciana como figura central.

Em “Candeia branca”, Luciana Rabello mostra todo o potencial vocal já conhecido por nossa divina Elizeth Cardoso, com quem tocou, que sempre falava: “Luciana toca esse cavaquinho maravilhoso que todos já conhecem, mas vocês precisam ouvi-la cantar!”.

Para muito além do choro, gênero ao qual Luciana se dedica há 40 anos, e que sutilmente perpassa todo este trabalho (sobretudo na solidez dos arranjos), o CD passeia por ritmos como a ciranda, afro-samba, baião, maculelê e, claro, samba.

“Canto guerreiro”, por exemplo, nos liga automaticamente ao afro-samba, sub-gênero nobre do samba criado por  Baden Powell e Vinicius de Moraes nos anos 1960, hoje cultuado e renovado por Paulo César Pinheiro e alguns de seus parceiros. Luciana, não fosse ela herdeira da mesma vertente musical de Baden (gestada no bairro de São Cristóvão, a partir dos alunos do violonista Jayme Florence, o Meira), demonstra ser mestre no assunto.

Luciana faz parte de uma família musical. É irmã da cantora Amélia Rabello e de Raphael Rabello, gênio do nosso violão. E mãe de Ana Rabello (cavaquinho) e Julião Rabello Pinheiro (violão de 7 cordas), que participam do disco como músicos. Ela começou a carreira muito cedo, em 1976, no conjunto “Os Carioquinhas”, formado por ela, o irmão Raphael, Mauricio Carrilho, Celsinho Silva, Celso Cruz e Paulo Alves. Depois disso, acompanhou ao cavaquinho nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Dori Caymmi, Dominguinhos e diversos artistas da música brasileira.

Mas só em 2013, depois de uma longa caminhada, ela gravou seu primeiro CD com músicas cantadas, pela Acari Records, gravadora criada por ela, Mauricio Carrilho e pelo produtor João Carlos Carino. A Acari, que lança basicamente discos de choro e samba, é um dos grandes e sonhadores projetos de Luciana, ao lado do Instituto Casa do Choro, templo do gênero que funciona na rua da Carioca, e a Escola Portátil de Música, dedicada à educação musical a partir dos procedimentos da música carioca.

Pode-se dizer que Luciana Rabello dirige e lidera o movimento do choro no Rio. Trabalho fundamental que reverbera em todo país.

Mas aqui em “Candeia branca” temos uma preciosidade, uma descoberta que parecia estar guardada por 40 anos, como que para ficar ainda melhor, um disco doce e preciso, com alguns dos melhores músicos da cidade.

Seus companheiros desde o tempo dos “Carioquinhas”, Celsinho Silva (pandeiro e percussão) e Mauricio Carrilho (violão, arranjos e produção) estão presentes em “Candeia branca”.

O disco também recebe os incríveis Cristovão Bastos (piano e arranjo), João Lyra (arranjos, violão e viola), Oscar Bolão, Mestre Lobisomem, Paulino Dias e Magno Júlio (percussão), a própria Luciana no cavaquinho e numa faixa ao violão, Nailson Simões (trompete), Pedro Paes (clarinete) e o jovem conjunto Regional Carioca, formado pelos filhos Ana e Julião (cavaquinho e violão 7 cordas) Tiago Souza (bandolim), Glauber Seixas e Rafael Mallmith (violões) e Marcus Thadeu (pandeiro) .

E tem ainda a participação de Dori Caymmi (voz, violão e arranjo) na valsa “Flor d’água”.

Agora é hora de ouvir. Preparamos aí abaixo uma lista com as música do disco. É só clicar. Boa diversão!

 

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