MIS Blog/ Discoteca Básica

LOS HERMANOS – VENTURA (2003)

29 de julho de 2016


 

Dentro da nossa série histórica Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS, já falamos da África de Sergio Santos, das melodias e harmonias de Chico Pinheiro, da beleza orquestral de Ed Motta e do samba refinado de Luiz Carlos da Vila.

Agora, nesta 5ª edição, vamos lembrar de um disco que já se atreve com uma provocação ao gênero de mestres como Luiz Carlos da Vila: “Quem se atreve a me dizer/Do que é feito o samba?”. Quem poderia imaginar que o pop, um pouco sonolento na virada do século XX para o XXI, encontraria em “Ventura”, do Los Hermanos, o seu momento de grande apogeu, ou podemos dizer, de mudança de rota das coisas.

Para isso, o quarteto formado por Bruno Medina, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante e Rodrigo Barba convidou para essa terceiro disco o produtor Kassin, que vinha trabalhando na época com a geração de MPB e também com os grandes nomes, como Caetano Veloso e Jorge Mautner. E isso reflete no disco, menos pesado e visceral que o primeiro e menos circense e jovem que o segundo, “Bloco do eu sozinho”. É como se “Ventura”coroasse a geração carioca de Kassin, de Moreno Veloso, Domenico, dos Hermanos e tantos outros.

“Ventura” é o responsável por elevar a onda do grupo. Começa por ter “vazado” na internet, nada mais atual naquela época, nada mais Radiohead, ou como podemos dizer, pop 2.0.

Como citamos no início do texto, “Samba a dois”, uma belíssima composição de Marcelo Camelo, é repleta de referências à “Tem mais samba”, canção de Chico Buarque, do primeiro LP do compositor, como “Já que um bom samba não tem lugar nem hora”. Claro, esse é o grande recado de “Ventura”. Um pedindo de licença ao samba, ao universo do cancioneiro brasileiro, para o encontro com uma geração criada em diferentes vertentes.

O recado fica ainda mais claro quando Maria Rita, no mesmo ano, grava ter três composições de Marcelo Camelo, “Veja bem meu bem”, “Cara valente” e “Santa chuva”.

Camelo assina dez das quinze faixas de “Ventura”, enquanto Rodrigo Amarante escreve as outras cinco, como “Deixa o verão”, de densidade incrível e que ganhou também uma versão de Mariana Aydar.

“Do sétimo andar”, repete esta força das composições de Amarante:  “Eu via você/E a luz desperdiçada de manhã/No copo de café”. “Ventura” não é brincadeira e recebe também o carinho e delicadeza do flugelhorn e trompete de Jessé Sadoc. Os Los Hermanos chegaram lá com “Ventura”. Tudo mudou aí para uma geração seguinte de artistas. A chamada “nova MPB”ganharia corpo, grupos inspirados em Los Hermanos surgeriam nos quatro cantos do país, mas o grande legado de “Ventura” é abrir as portas do samba, de nossas matrizes mais delicadas, para uma geração que estava pronta para arriscar e criar.

A banda ainda lançaria “4”, em 2005,  último CD de inéditas,  e partiria para trabalhos solos bem-sucedidos de seus integrantes.

 

Ficha técnica:

Bruno Medina : Teclados
Marcelo Camelo : Voz, guitarra
Rodrigo Amarante: Guitarra, baixo
Rodrigo Barba: Bateria
Kassin: Baixo
Gabriel Bubu: Baixo, guitarra
Pepe Cisneros: Clave, cowbell, congas, bongô
Stephane San Juan: Chocalho
Eduardo Morelenbaum: Clarineta
Eliezer Rodrigues: Tuba
Bubu: Trompete
Jessé Sadoc: Trompete, flugelhorn
Mauro Zacharias: Trombone
Serginho Trombone: Trombone
Índio: Saxofone barítono
Zé Canuto: Saxofone barítono

Produção: Kassin

 

 

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