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JOYCE MORENO E DORI CAYMMI – RIO – BAHIA (2006)

30 de setembro de 2016


 

Ele foi arranjador do primeiro disco dela, em 1968, e ela lançou um dos principais trabalhos daquele ano. Desde então, nesses quase 50 anos de amizade e parceria, os dois fazem música juntos e são parte do universo mais sofisticado da canção popular brasileira.

Nossa 14º edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS comemora o encontro de Joyce Moreno e Dori Caymmi em “Rio-Bahia”, disco lançado em 2006, em versões brasileira(Pau Brasil/ Biscoito Fino), americana, japonesa e inglesa. Como o trabalho foi lançado em diversos países, o CD disponível na internet é da Far Out Recordings, gravadora inglesa especializada em música brasileira. Então vamos seguir o faixa-a-faixa com a sequência do lançamento internacional.

Nesse encontro entre o Rio de Joyce e a Bahia afetiva do também carioca Dori Caymmi, logo refletimos: são dois grandes compositores, dois grandes músicos, duas grandes vozes, dois amantes das nossas harmonias e melodias mais belas, um encontro perfeito entre dois mares.

“Rio-Bahia” começa com “Mercador de siri”, composição de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, lançada em 1990 no disco “Brazilian serenata” do próprio Dori. Logo nessa faixa, já temos um belo exemplo desses dois grandes violões, o piano do jazzista americano Kenny Werner, Rodolfo Stroeter no baixo elétrico, Tutty Moreno na bateria e Ronaldo Silva na percussão – a banda base do disco.

Depois vem a faixa-título, uma composição de Joyce, um verdadeiro samba jazz que realça a bateria sempre precisa de Tutty Moreno, com uma letra que marca o diálogo da carioca Joyce com o baiano, não de nascença, Dori Caymmi. “Rio-Bahia” tem a presença de Teco Cardoso (flauta) e Nailor Proveta (clarinete).

Mais uma da safra de Dori com Paulo César Pinheiro, lançada em 1985 por Nana Caymmi, “Flor da Bahia” aparece com uma belíssima flauta de Teco Cardoso, junto a um tema com harmonia e melodia sofisticadas, densas e tristes. A flor pode ser da Bahia, mas também lembra os caminhos traçados por Joyce e Dori pela música de Minas Gerais, fato comum na carreira dos dois.

“Joãozinho boa pinta” de Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques, lançada por Blecaute em 1950, é um samba garimpado que mostra o grande violão de Joyce em parceria com o tamborim de Ronaldo Silva. Uma viagem ao Rio dos anos 1950, suingado, dançante e malandro.

“Fora de hora” marca a primeira e única parceria lançada de Dori Caymmi e Chico Buarque. Aqui, Joyce canta lindamente com o piano impressionante de Kenny Werner, samba-canção que contempla também um belíssimo arranjo de cordas. “Quando já nem balança o mar/ quando nem uma luz se vê/ nem um dia além/ da noite sem você”.

“Daqui” é uma parceria de Joyce com o baixista Rodolfo Stroeter, canção feita para o disco e que recebe o acordeon de Toninho Ferragutti.

“The Colors of Joy” é um tributo a Desmond Tutu, arcebispo sulafricano conhecido por sua luta contra o Apartheid. Outra canção vinda do disco “Brazilian serenata” de Dori. Uma viagem à Bahia com parada na África Sul.

De lá partimos para “loucas paixões e tantas canções” do saudoso samba-canção “E era Copacabana”, a primeira e alentada parceria de Joyce com seu ídolo Carlos Lyra.Nos sentimos caminhando pelo calçadão nos anos 1950, ouvindo grandes orquestras.

“Jogo de cintura” é mais uma dos parceiros Dori e Paulinho César Pinheiro. Dori esbanja violão de sobra,com Nailor Proveta no sax alto e clarinete, Teco Cardoso nas flautas, além da banda que acompanha a dupla durante todo o disco.

Tudo preparado para Joyce, apenas ao violão e acompanhada do piano de Kenny Werner, tocar e cantar um dos maiores clássicos de Dorival Caymmi, o samba “Saudade da Bahia”, sobre aquele baiano que deixou sua cidade para fazer a vida no Rio de Janeiro. Dessa vez Dori não divide os vocais com a cantora e deixa para Joyce a profunda homenagem ao seu pai Dorival.

“Demorô”, outra inédita de Joyce Moreno, traz toda a carga do jazz ao samba. “Salve o povo” do mar” ecoa como as águas que ligam o Rio da Bahia.

“Rancho da noite” é uma canção de Joyce com Paulo César Pinheiro, o parceiro mais presente no disco, e termina com o belíssimo coro feito por Monica Salmaso, Renato Braz, Clara Moreno, Tutty Moreno, Rodolfo Stroeter, Noa Stroeter, Andrea Brandi, Joana, Flora, Dori Caymmi, Joyce.

“Saudade do Rio”, de Dori e Paulo César Pinheiro”,  que vai além da “Saudade da Bahia”, marca a tristeza daquele que vive na cidade e vê as suas transformações: “E o rio com o passar do tempo/ de tanto sofrimento/ perdeu aquele jeito carinhoso de viver”. Um lindo samba lamento que termina “Rio, como eu gosto de você”, uma citação à “Valsa de uma cidade”, verso de Antonio Maria.

Para encerrar, nada melhor que “Pra que chorar”, hino de Baden Powell e Vinicius de Moraes: “Pra que chorar/ pra que sofrer/ se é sempre um novo amor/ cada novo amanhecer”. Rio-Bahia amanhece como um dos grandes trabalhos dos últimos anos, de uma dupla fincada na grande música brasileira e mundial do século XX mas que conseguiu trazer essa música para o século XXI e projetá-la para o futuro. Dori e Joyce comprovam que a música brasileira continua moderna e, como a Bahia de Caymmi, ainda está viva.

Viva, Dori e Joyce Moreno!


Ficha Técnica: 

Cordas:
violino: Claudio Cruz, Artur Huf, Cesar Miranda, Igor Sarudiansky, Matthew Thorpe, Paulo Calligopoulos, Lev Veksler, Yuriy Rakevich, Paulo Paschoal, Cristian Sandu, Irina Kodin, Soraya Landim
viola:  Maria Angelica Cameron, Peter Pas, Vladimir Klementiev, Olga V. Maehoukova
cello: Alceu Reis, Kirill Bogatyrev, Marialbi Trisolio, Iris Regev

Coro: Monica Salmaso, Renato Braz, Clara Moreno, Tutty Moreno, Rodolfo Stroeter, Noa Stroeter, Andrea Brandi, Joana, Flora, Dori Caymmi, Joyce.

Todos os arranjos de Dori Caymmi
exceto ‘Joãozinho Boa Pinta’, ‘Saudade da Bahia’ e
‘Demorô’ de Joyce e ‘Rio-Bahia’ de Joyce e Dori Caymmi

Produzido por  Rodolfo Stroeter e Kazuo Yoshida

Gravado e mixado em fevereiro de 2005 no Estúdio Mosh, São Paulo
engenheiros de som  Alberto Ranellucci, Sandro Estevam
assistente  Fernando Molinari
Masterizado por  Rodolfo Stroeter at Mosh Estudio
Assistente de produção  Andrea Brandi

Produção executiva  Joe Davis (Far Out), Katsunori Ueda, Shigeto Amano (JVC)

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