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João Saldanha, um dos mais brilhantes personagens da história da crônica esportiva brasileira

26 de maio de 2014


 

João Saldanha, ou João Sem Medo, nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 3 de julho de 1917. Ainda menino mudou-se com família para Curitiba. E foi ali que ele conheceu o futebol, pois a casa em que foi morar ficava a dois quarteirões do campo do Atlético Paranaense. Mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seu pai assumiria um cartório. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e se apaixonou pela praia, por Copacabana e pelo Botafogo.

Jogou futebol profissionalmente por uns poucos anos no Botafogo. Formou-se em Direito antes de estudar jornalismo e de tornar-se um dos mais brilhantes personagens da história da crônica esportiva brasileira. Estreou na Rádio Guanabara, comandada por Édson Leite. Depois migrou para a Rádio Nacional e, em seguida para a Globo e a Tupi. Mais tarde foi para o Jornal do Brasil e atuou nas TVs Rio, Manchete e Globo. Ganhou fama por não poupar ninguém em suas críticas.

Em 1957, o Botafogo, contratou-o como seu técnico, apesar de sua total falta de experiência. O clube ganhou o campeonato estadual daquele ano. Nesta época ficou famosa a história de ter atirado no goleiro Manga, a quem acusava de ter sido comprado pelo bicheiro Castor de Andrade, mesmo o Botafogo tendo vencido a final contra o Bangu. Manga pulou um muro de três metros da sede de General Severiano e foi dar queixa numa delegacia.

Dez anos depois, em 1969, ele foi chamado para assumir a Seleção Brasileira. Apesar de sua notória posição contra a ditadura militar vigente, a ideia de João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Desporto (CBD), era domar o crítico feroz. Como se veria adiante, o plano não deu certo. João convocou 22 jogadores, já com a escalação de titulares e reservas anunciada. Eram “as feras de Saldanha”. O Brasil do João Sem Medo terminou as eliminatórias para a Copa do México com 100% de aproveitamento. Muito bom para quem vinha do fiasco da Copa de 1966, na Inglaterra.

O time de Saldanha era formado em sua maioria por jogadores de Botafogo, Santos e Cruzeiro e foi a base da seleção que, mexida por Zagallo, chegaria ao tri e encantaria o mundo. Sem papas na língua, Saldanha acabou brigando com que não deveria. Ao ouvir uma declaração do presidente Emílio Garrastazu Médici pedindo o atacante Dario, o folclórico Dadá Maravilha, ele respondeu que quem escalava a seleção era ele. O presidente que escalasse o seu ministério. O clima pesou e ele foi substituído por Zagallo.

Saldanha colecionou histórias curiosas como a do dia que entrou atirando em uma farmácia porque o comerciante se negava a trocar umas pilhas comprada por sua empregada e que vieram com defeito. Na delegacia inventou que havia saído com a arma porque ia ao banco pegar uma grande quantia de dinheiro.

Foi também um grande contador de histórias e uma figura até hoje muito admirada por sua coragem. João Saldanha morreu em Roma, em 12 de julho de 1990, durante a cobertura da Copa do Mundo. Seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro foi marcado, é claro, por histórias curiosas e pela sinceridade que marcava o jornalista.

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