MIS Blog/ Memória em Pauta

JOÃO BOSCO DO BRASIL: 70 ANOS DE ORIGINALIDADE E MAESTRIA

12 de julho de 2016


Imagens: Reprodução, Jorge Rosenberg, Márcia Ramalho

 

“Tá lá o corpo estendido no chão / Em vez de rosto a foto de um gol / Em vez de reza a praga de alguém / E um silêncio servindo de amém….”

Em “De Frente pro Crime”, uma das tantas bem sucedidas parcerias entre João Bosco e Aldir Blanc, lançada em 1975 no álbum “Caça à Raposa”, as relações socias superficiais continuam tão pertinentes, ainda que mais de 40 anos depois. João Bosco é assim, sempre atual. Ele nos inspira, nos instiga e nos faz refletir. O João do amor, dos conflitos sociais, do samba, da bossa, do Tom, do Aldir completa 70 anos de idade neste 13 de julho e nos mostra que o mineiro de Ponte Nova é o João do Brasil.

Com mais de 45 anos de carreira, João Bosco se mostra hoje um artista despojado, irreverente e generoso com seus parceiros musicais, marca que ficou registrada, quando ele participou em 2010, da série Depoimentos para a Posteridade no MIS. Naquele época, ele deixou gravado para a eternidade algumas preciosidades:
“Vinicius não precisava compor com um estudante de engenharia, quando nos conhecemos, em 1967, após ser interrompido em seu carteado e ouvir um samba do jovem estudante de Ouro Preto, que apareceu em sua pousada com um violão na mão. O poeta, ‘carregando aquela barriga simpática’, trouxe uma garrafa de uísque, papel e caneta, e escrevemos naquela tarde nossa primeira parceria, Samba do Pouso.”

“A engenharia era a forma de manter assegurada a mesada, mas eu sonhava mesmo era com a música e, em uma de minhas férias, fiz minhas primeiras visitas ao Rio. Em 1972, já compondo com Aldir Blanc, fui convidado por Ziraldo e Sérgio Ricardo a inaugurar a série Disco de Bolso, do ‘Pasquim’, que trazia numa face um artista novo e na outra um consagrado. Assim, “Agnus sei”, minha parceria com Aldir estaria ao lado da primeira gravação de um dos clássicos de Tom Jobim, “Águas de marco”. Fui abençoado pelas águas de Tom. Não basta ter talento, também tive a sorte de ter encontrado Vinicius, Scliar, Tom, Luiz Eça, Rildo, Aldir, Elis…”

“Ouço Caymmi todos os dias. Para mim é o compositor mais completo. Se há uma unidade que rege tudo isso, ele é o cara. Não existe nada parecido na música brasileira.”
Felizmente, também existem alguns destes registros de João Bosco no acervo do MIS, presentes nas coleções MIS, Sérgio Cabral e Nelson Motta.

E o que dizer do João imperiano, admirador ferrenho de Silas de Oliveira? Como registrou o jornalista Bernardo Araujo em “O Prazer da Serrinha: Histórias do Império Serrano”, João Bosco, o frequentador da Serrinha nos anos 1970 e admirador do “sabor” africano e de Silas – “Ele (Silas) só precisou de algo que soltasse o que havia lá dentro. Mais ou menos como aconteceu comigo quando conheci Clementina de Jesus, em 1976, e ela liberou a África que havia em mim”. “Da África a Sapucaí”, um samba talvez pouco conhecido da dupla Blanc e Bosco, já dizia “Livre/na mãe africana/louvado o meu tantã!/preso/marca a rebeldia/traz pra senzala/a luz do amanhã”.

O João do Brasil esteve esta última semana nos representando no Festival de Montreux, ao lado do Brazilian Dream, como foram apresentados os nossos compositores neste grande evento musical. Viva o nosso grande representante da música brasileira! Viva João Bosco!

por Verônica Bittencourt, assessora de comunicação do MIS

PARCEIROS


 

Sede Administrativa
Rua Visconde de Maranguape, 15
Largo da Lapa, CEP 20021-390
Rio de Janeiro/ RJ

Sede Praça XV
Praça Luiz Souza Dantas, 01
Praça XV, Rio de Janeiro/ RJ
Rio de Janeiro/ RJ, Brasil

Tel +55 21 2332-9509/ 2332-9507 (Lapa)
Tel +55 21 2332-9068 (Praça XV)
Email: ola@mis.rj.gov.br

©

2018 MIS–RJ
Termos de uso/ FAQ
design ps.2