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ITIBERÊ ORQUESTRA FAMÍLIA – PEDRA DO ESPIA (2001)

25 de novembro de 2016


 

Uma orquestra que é uma grande família com 30 componentes. Nossa 22º edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS celebra “Pedra do Espia”, primeiro disco da Itiberê Orquestra Família, trabalho primoroso fundado pelo multiinstrumentista, compositor, arranjador e professor Itiberê Zwarg.

O projeto começou em 1999, após o músico ministrar algumas oficinas na ProArte, no Rio, onde ele mostrava o conceito de “música universal”, termo criado por Hermeto Pascoal, com quem Itiberê trabalha como contrabaixista desde 1977.

Vale lembrar que primeiro, o conceito de “música universal” foi entendido como “música livre”, que está inclusive no título do disco de Hermeto de 1973. Aliás, o Campeão, o nosso Bruxo, desde o conjunto Sambrasa Trio, em 1965, está mudando o cenário instrumental no Brasil, construindo uma sonoridade sem preconceitos, que engloba todos os estilos e valoriza elementos brasileiros, além de ultrapassar a barreira entre o erudito e o popular.

A Itiberê Orquestra Família é parte desse caminho, começando por sua formação de uma orquestra não convencional – com viola nordestina, cavaquinho, bandolim, violão, baixo elétrico, bateria, percussão, violino, violoncelo, viola, piano, sanfona, escaleta, flauta, flautim, guitarra, clarineta, clarone, saxofone, trompete, melofone, trombone e voz. Além da diversidade, os instrumentos possuem papéis diferentes do tradicional dentro de arranjos riquíssimos.

Nas oficinas de “música niversal”, a composição é feita com a presença de todos do grupo. Itiberê vai criando a melodia e depois vai desenvolvendo harmonia e abrindo isso para outros instrumentos. A ideia é levar os sons para os sentidos e retirar a música da leitura mecânica. Música é a religião, o contato com Deus, para Itiberê.

O projeto foi saudado já no seu lançamento como uma grande renovação para o cenário instrumental brasileiro. Lançado pela Jam Music, “Pedra do Espia” foi selecionado na época pelo jornal O Globo como um dos dez melhores discos daquele ano. Além disso, a Família foi responsável por revelar uma geração de grandes músicos que caminharam, após sua diluição, para diversos sentidos (o trompetista Pedro Paulo Junior é pesquisador do nosso querido MIS).

“Pedra do Espia” é um CD duplo e possui dezesseis músicas, quinze de Itiberê e “17 de janeiro”, de Hermeto Pascoal, já um “dica” do que viria a ser seu sucessor “Calendário do Som”, de 2006, só com músicas de Hermeto, uma para cada dia dos aniversários de seus integrantes, parte de uma obra gigantesca com 365 dias do nosso Campeão.

Nem todas possuem a família “completa”, como no caso de “De coração aberto”, em formato de octeto, uma canção toda desenhada pela harmônica de Ajurinã Zwarg, filho de Itiberê, que vai encontrando o contrabaixo, violoncelo e acaba como uma marcha belíssima, mostrando que a “música universal” pode ser leve, melódica e acessível. Essa sonoridade também é explorada em “Forró no encontro dos rios”, com diversas mudanças rítmicas que se fundem perfeitamente. Ideia que se desenvolve em “Toada cigana” e refletida em todo disco.

Já em “Arco-íris de som”, o grupo é formado por quarteto, com flauta, piano, bateria e baixo elétrico. Canção mais suave de todo o trabalho. “Vale de luz” e “Hora da prece” são dois duetos, o primeiro entre o piano de Vitor Gonçalves e o clarinete de Joana de Castro, o segundo com o piano de João Bittencourt e a flauta de Maria Carolina. Delicadeza aliada à muita musicalidade e variações rítmicas.

Alguns arranjos e introduções nos levam para outros lugares, como em “Curupira”, que começa nos conduz próximo ao universo do “Botô”, daquele mundo da natureza fantástico de Tom Jobim e, como no caso do maestro soberano, anda por lendas, florestas, e caminha como uma peça de música erudita.

Em “Pedra do Espia” e na “música universal” não existe a ideia do solo de jazz, em que a base, feita especialmente por baixo e bateria, está lá para dar sustentação para o solista. Todos estão improvisando e criando juntos. “Bota pra quebrar” é um bom exemplo disso, uma impressionante demonstração de polirritmia e entrosamento entre os músicos, movida por pequenas células rítmicas e melódicas.

Se o primeiro CD é mais “atacado”, o segundo é mais reflexivo, como em “Muito natural” que possui um arranjo vocal impressionante, contemplando toda nossa tradição de conjuntos de vozes, com direito a citação da canção tradicional “Se essa rua fosse minha”.

“17 de janeiro”, a única composição de Hermeto Pascoal, é uma canção do futuro, mas também com uma forte presença da “memória” nos remetendo aos tempos de Quarteto Novo, grupo que Hermeto participou nos anos 1960, ao lado de Airto Moreira, Theo de Barros e Heraldo do Monte, fundamental para nossa história, para toda essa construção que estamos falando de “música universal”.

A faixa-título é a última e mais extensa música de “Pedra do Espia”. São mais de onze minutos, com uma grande alternância rítmica, uma das riquezas que permeia todo o trabalho.

Esse foi o primeiro disco da Itiberê Orquestra Família, que durante uma década ajudou a fomentar a música brasileira, formar músicos e levar mais interesse para o cenário instrumental nacional. Hoje, Itiberê continua sua “música universal” com o octeto Itiberê Zwarg & Grupo.

Mas, imagina só, como não deve ser uma família que tem como avô Hermeto Pascoal e como pai Itiberê Zwarg? Ouça!

Músicos:

Ajurinã Zwarg : Percussão, harmônica
Aline Gonçalves : Flautim, clarineta e flauta
Ana Letícia: Percussão
Bernardo Ramos : Guitarra
Bruno Aguilar : Baixo Elétrico
Cristiano Nascimento: Bandolim
Georgia Câmara : Bateria, percussão
Gláucia Aguiar: Violão
Isadora Scheer: Violino
Joana de Castro : Clarineta
João Bittencourt : Piano
Letícia Malvares : Flauta
Luanda Bem: Clarineta
Luciano Câmara : Guitarra
Maria Carolina : Flauta
Maria Clara Valle: Violoncelo
Mariana Bernardes : Voz
Mayo Pamplona: Baixo elétrico
Miguel Martins : Guitarra
Mingo Leahy : Bateria, percussão
Pedro Albuquerque: Contrabaixo
Pedro Araújo: Violoncelo
Pedro Christiano: Baixo elétrico
Pedro Paulo Júnior : Trompete e melofone
Renata Neves: Violino
Roberto Rutigliano : Bateria e percussão
Sidney Herszage : Saxofone Tenor
Tomáz Lemos : Guitarra
Vitor Gonçalves : Saxofone Alto
Vitor Medeiros : Saxofone Tenor

Itiberê Zwarg  – Direção Musical

 

 

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