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Franqueza e humor marcam o depoimento de Ary Fontoura

29 de setembro de 2014


 

O ator Ary Fontoura esteve no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro no dia 24 de setembro, preparado para entrar para a história ao ser imortalizado pela série “Depoimentos para a posteridade”. Na sede da instituição na Praça XV, Ary foi entrevistado por Tânia Brandão (jornalista e crítica teatral), Suely Franco (atriz) e Ângela Rebello (atriz). Abaixo, alguns trechos do depoimento do ator, sempre muito engraçado e franco.

Lembranças da infância e juventude(décadas de 30 e 40)

“Quando criança, ia muito na casa de meu avô. Uma casa enorme, de 14 cômodos, em Curitiba, onde nasci e vivi até meus quase 30 anos. Foi meu avô que me incentivou a assistir óperas e me levou ao mundo das artes. Naquela casa imensa, ele reunia cantores de ópera, músicos e guardava muitos discos em alguns daqueles quartos. Lá, tinha também um gramofone velho, onde eu aprendia as músicas, para depois cantar para meu avô.”

“Eu não era um garoto muito normal, dentro dos padrões. Na verdade acho que era um demônio. Aos 4 anos já sabia que não estava dentro do grau de normalidade, que só mais tarde soube que essa característica, era algo marcante de um artista”

“Aos 19 anos, sai de Curitiba pela primeira vez, para ir a São Paulo. Fui participar de um encontro de literatura infanto-juvenil com um grupo da minha escola. Fiquei louco pela cidade. Fui conhecer Cacilda Becker em uma peça, que ela estava em cartaz na cidade. Não quis mais ir embora, não queria voltar para Curitiba. Cheguei até a me esconder em um banheiro de onde o grupo estava hospedado, no Pacaembú. Mas meu professor me descobriu e fui obrigado a voltar par aminha cidade. Nessa época, infernizei minha mãe, que era muito passional e me fez ingressar na faculdade, para ter um diploma e, só assim, conseguir ir embora de Curitiba. Mas o que eu gostava de fazer, não prevalecia. Abandonei a faculdade de direito faltando apenas 3 meses para me formar. Fui trabalhar no circo, como palhaço. Meu nome artístico era “titica”. Só depois, virei professor de teatro no Colégio Estadual do Paraná.

A mudança para o Rio de Janeiro e a atividade artística (décadas de 60 e 70)

“Me mudei para o Rio em 31 de março de 64, no dia do Golpe Militar. Quando cheguei, não entendia direito o que se passava. Em Curitiba, não tínhamos acesso do que se passava por estas bandas. Em 64, fui fazer teste para uma peça do João Bethencourt, que se chamava Mister Sexo . Era para substituir o ator Graça Mello. Tinha apenas 5 dias para ensaiar e tive um desentendimento com o diretor, que vivia fumando cachimbo. Numa dessas briguinhas, ele me tacou o cachimbo na minha cabeça, querendo chamar minha atenção. Me irritei e joguei de volta, atingindo seu olho. Saí daqui irritado e certo de que não queria trabalhar com ele. Foi quando foram atrás de mim e me pediram pra voltar. Deu tudo certo, a peça foi um sucesso e eu e João nos tornamos grandes amigos”

“Meu primeiro papel na TV Globo, veio por intermédio do Graça Mello. Foi em 65, no seriado Rua da Matriz, de Lygia Nunes, Hélio Tys e Moysés Weltman. Mas um dos melhores trabalho que já fiz na casa, foi na novela O Espigão, do querido Dias Gomes. Adorava o Dias, eles gostava muito do meu trabalho e sempre me chamava. Meu personagem era um professor de botânica, chamado Baltazar Câmara. O Dias também me presenteou depois com Saramandaia, em 76, onde fiz o professor Aristóbulo Camargo, que virava lobisomem.”

Os cinquenta anos de carreira artística (década de 2000)

“Sem dúvida, um de meus mais belos trabalhos em novelas foi em A Favorita, de João Emanuel Carneiro, em 2008. Foi um papel importante, que me exigiu uma criação diferente. O Silveirinha me enriqueceu como artista. Afinal, não quero ser sempre o velhinho apaixonado por outra velhinha, que vivem felizes para sempre. Quero papéis que me renovem. Por isso, até deixei de fazer duas novelas recentemente. Preferi não aceitar.”

Vida atual, planos para o futuro e mensagem final

“Se você acha e tem em mente que encarar desafios é o melhor, que faça. Não acho ainda, que tenho necessidade de parar, porque já fiz tudo. Ao contrário. Há pouco tempo, pensei até em prestar vestibular para uma faculdade de teatro. Vou muito ao teatro e ao cinema. Além da música, é o que gosto de fazer nas minhas horas de lazer. Adoro música e filmes. Em minha casa, tenho mais de 5.000 Cd´s, assim como quase 5.000 DVD´s. E a coleção é eclética, tenho desde o CDd e funk do Bonde do Tigrão, até clássicos como Stravinsky, que é minha paixão. “ “Sobre o futuro, não tenho planos para o futuro. Minha filosofia de vida é a seguinte: do passado, só o melhor, o futuro é hoje”

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