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HAMILTON DE HOLANDA – BRASILIANOS (2006)

03 de fevereiro de 2017


 

A nossa 31ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS será um pouco diferente, pois celebra o primeiro volume de “Brasilianos” e também toda a trilogia capitaneada por Hamilton de Holanda.

Com 20 anos de carreira fonográfica e 30 discos lançados, Hamilton de Holanda é o mais produtivo músico brasileiro da atualidade, embaixador de nossa música fora do país, com parcerias fenomenais como com os pianistas Chick Corea, Chucho Valdés, Stefano Bollani  e o acordeonista Richard Galiano, por exemplo. Levou o “Mundo de Pixinguinha” para outras atmosferas. Hamilton de Holanda também expande a barreira da música instrumental com seu Baile do Almeidinha, uma festa com música de sobra que hoje em dia já viaja por todo o Brasil. Ainda constrói com solidez parcerias com André Mehmari, Hermeto Pascoal e músicos de todas as gerações. Hamilton de Holanda é um predestinado e parece que faz o tempo se expandir. Não há artista atual que tenha entendido tão bem o novo mercado da música.

O bandolinista começou a carreira ainda criança, com apenas 5 anos, em Brasília, cidade em que viveu até 2003. Acompanhava seu pai, ao violão, e seu irmão Fernando César, ao cavaquinho. Desde então, Hamilton participa de festivais e vive o mundo musical ativamente.

Em “Brasilianos”, Hamilton e Holanda recebe seus parceiros: Daniel Santiago (violão), André Vasconcellos (baixo elétrico) – ambos amigos desde a época de Brasília –,  Márcio Bahia (bateria) e Gabriel Grossi (harmônica).

Começando com a capa, uma imagem de feijões sobre uma madeira antiga, “Brasilianos” tem cheiro de saudade, mas também sons de esperança. Esse é o desafio de Hamilton de Holanda ao  promover o choro, o seu bandolim de 10 cordas e a música brasileira como um todo, em pleno século XXI.

“Brasilianos” acaba sendo um aglutinador de tanta criatividade. Nesse primeiro volume, são 13 faixas, sendo 11 composições de Hamilton de Holanda. Não faltaram prêmios. Foi indicado ao Grammy Latino de “Disco Instrumental”, ganhou o “Prêmio Tim”, como grupo e solista, e teve cotação máxima em diversos veículos de comunicação.

Ao focalizar “Brasilianos”, estamos homenageando toda uma história. É o ponto de partida para entendermos essa música instrumental brasileira do século XXI. O disco começa com “Ponto de macumba”, uma saraivada de inventividade e energia. Tudo pronto para abrir espaço para a faixa-título que se inicia com uma delicada e bela introdução com bandolim e violão até a chegada da harmônica de Gabriel Grossi.

“Baião Brasil” é um tema bucólico com um belíssimo solo entre Gabriel Grossi e Hamilton de Holanda no final. Outro ponto para se destacar é o violão e o baixo que “carregam” a canção com muita sutileza. A próxima faixa, “Caçuá”já ganhou até uma versão com o russo Andrey Doynikov, vale a pena conferir também essa versão.

“01 byte 10 cordas” é uma homenagem a seu enteado, Bruno, e aos afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes. “01 byte 10 cordas” também é o título do primeiro disco de bandolim 10 cordas solo gravado no Brasil, lançado em 2005 por Hamilton de Holanda.

“Pra você ficar” é uma belíssima bossa nova, com as notas agudas e cristalinas do bandolim e outra grande participação da harmônica de Gabriel Grossi. Canção apaixonada, maravilhosa e impecável.

“O trenzinho caipira”, de Heithor Villa-Lobos, é a primeira versão de “Brasilianos” e faria o nosso maestro ficar orgulhoso do século XXI, ao menos com essa gravação.

“Saudade do futuro” tem muito a ver com o que Hamilton de Holanda fala sobre música. Ele diz que sua busca não é pelo novo, e sim pela beleza e espontaneidade. O importante não é o passado, nem o futuro, mas a intercessão entre os dois, a confusão entre eles. A canção tem isso, uma valsa lindíssima dentro de uma melodia que procura novas possibilidades. Já “Valsa em si” apresenta um grande protagonismo da harmônica.

A última versão é “Procissão”, de Gilberto Gil, uma das primeiras composições do nosso artista baiano, lançada em 1965 em compacto. Hamilton de Holanda desfila notas agudas de seu bandolim em um grande trabalho para uma nova procissão.

“Pra sempre” é da época ainda do Dois de Ouro, grupo formado com o irmão Fernando César, lançada anteriormente em 2000. Samba de gafieira quentíssimo que nos leva ao clima do “Baile do Almeidinha”.

“Dor menor”, a próxima faixa, é um samba-canção noturno, triste como uma dor de amor.

“Brasilianos” se encerra com “Hermeto tá brincando”, outra faixa que veio da época de Dois de Ouro.  Música com referências claras ao nosso Campeão. Os instrumentistas tocam com intensidade e velocidade, em um final catártico e uma criatividade que foge do comum.

“Brasilianos” tem técnica, aliás, de sobra, mas tem leveza, dinâmica, sentimento e paixão. Esse, talvez, seja um dos grandes diferenciais do trabalho de Hamilton de Holanda – a união da beleza ao máximo cuidado em cada nota – uma concepção que nos faz acreditar nesse século XXI.

Obrigado, Brasilianos!

 

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