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GUINGA – CINE BARONESA (2001)

09 de setembro de 2016


 

Nossa 11ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS é como se fosse um estudo sobre a memória de um compositor, delicada, cheia, repleta de acidentes, como uma melodia torta, uma harmonia cheia. Esse é nosso “Cine Baronesa”, o quinto trabalho de Guinga, indicado ao Grammy Latino em 2002,na categoria Melhor CD de Música Popular Brasileira, uma continuidade do também esplendoroso “Suíte Leopoldina”. Guinga, que também é formado em odontologia, lança a cada ano um grande trabalho. É um compositor primoroso, da nossa melhor escola.

“Cine Baronesa” abre e termina com a música “Melodia branca”, tema instrumental que Guinga fez em homenagem à filha. Se na abertura ele chega com uma orquestra, no final ele retorna só com violão, em tom de despedida.

A faixa-título “Cine Baronesa”, parceria com Aldir Blanc, aparece com as participações de Fátima Guedes e Quarteto Maogoni, com vocalises emotivos, delicados, com uma atmosfera de viagem ao cinema que o compositor freqüentava na juventude, que dá nome a este trabalho.

O frevo “Vô Alfredo” é outra parceria com Aldir Blanc, aqui com um arranjo do maestro e clarinetista Nailor “Proveta” Azevedo, líder da Banda Mantiqueira. Somos levados diretamente para o universo das antigas bandas de frevo.

“Nem mais um pio”, parceria com Sergio Natureza, começa com um arranjo de cordas grandioso, mas delicado. Nos sentimos em um universo mineiro, uma das fontes de Guinga.

E dos frevos, de Minas, caímos na jazzística “Yes, Zé Manés”, outra com o parceiro Aldir Blanc, repleta de paisagens e personagens musicais, com a participação especial de Chico Buarque: “A atmosfera / zera a geografia eu ouço na Bahia sons/ de Georgia on My Mind/ Miles na baixada/ Bailes e subida/ Do Pão de Açúcar/ Duca a loura num hi-fi”.

“Caiu do céu” volta Guinga apenas com seu violão e orquestra ao fundo. Tema solitário, que caminha por melodia sinuosa, em um arranjo maravilhoso de Gilson Peranzetta, fato que se repete em “Como eu imaginara”.

Como um sol, tudo se abre em “No fundo do Rio”, parceria com Nei Lopes, que canta a música ao lado de Sergio Cabral. É o “Rio presepeiro”, como uma crônica que leva o ouvinte para um passeio entre o Maracanã e Estácio de Sá.

“Estonteante” abaixa o tom para o retorno triunfante no baião “Geraldo no Leme”, novamente com um arranjo excelente de Proveta. Destaque para os sopros dialogando com os violões de Guinga e Lula Galvão.

O Quarteto Maogoni retorna com “Fox e trote”, parceria com Nei Lopes, uma composição repleta de esquemas, relações e acontecimentos musicais:  “Estranha ligação, tão descabida! Que coisa ser razão e sem medida/ Igual a jazz ou atonais/ Sons de Debussy”.

“Orassamba”, quarta parceria do disco com Aldir Blanc, que antecede o encerramento de “Melodia branca”, é um samba das tempestades, com ventos, mar cheio, nos arranjos fenomenais de Gilson Peranzetta. “A sereia na rocha/ Me avisou mas eu soberbei/ O fanal com a tocha/ Me avisou mas eu recomecei/ Esse anzol que jogamos/ Onde há peixe nenhum/ O espinhaço sempre em riste/ E esse clarão na crista, ah, ah, ah/ O Universo na caçamba/ É do pescador e do letrista de samba.”

Em “Cine Baronesa”, Guinga nos leva para seu universo, para suas paisagens, é o pescador, o excelente compositor dos nossos tempos, com seus grandes parceiros. É um disco obrigatório nesse século XXI, sem dúvidas. Ouça, ouça…

Músicos:

Lula Galvão: violão
Paulo Aragão: violão de oito cordas
Jorge Helder: baixo acústico
Bororó: baixo
Ricardo Silveira: guitarra
João Cortez: bateria
Gilson Peranzzetta: arranjos e piano
Paulo Sérgio Santos: clarinete
Cecília Spyer: vocal
Bettina Graziani: vocal
Nailor “Proveta” Azevedo: arranjo, sax tenor e sax soprano
Vittor Santos: trombone
Antônio Henrique Seixas “Bocão”: trombone
Nelson Oliveira: trompete e flugelhorn
Nilton Rodrigues: trompete
Ovídio Bruto: percussão
Jessé Sadoc Filho: trompete e flugelhorn
Jailson Araújo: trompete e flugelhorn
Marcelo Martins: flauta, sax tenor
Eliezer Rodrigues: tuba
Paulo Sergio Santos: clarone
Andrea Ernest Dias: flauta e piccolo
Ricardo Pontes: flauta em sol
Marcos Suzano: percussão
Armando Marçal: percussão
Marcelinho Moreira: percussão

Ficha técnica:

Produção Fonográfica: Caravelas
Produção Artística: Paulinho Albuquerque
Gravação e Mixagem: Estúdios Discover – Pro Tools 20 Mix – RJ – Dez.2000/Jan.2001
Técnicos de gravação: Rodrigo Lopes e Fábio Henriques
Técnico de mixagem: Fábio Henriques
Auxiliares: Pedro Burckauser, André Coelho e Bjorn Hovland
Gravação Adicional: Piano acústico (faixas 1 e 9), violão outro cordas (faixa 1) gravados no Drum Studio RJ (téc. Alexandre Hang)
Masterização: Carlos Freitas (Classic Master – SP)
Projeto Gráfico: Anita Santoro e Duda Amador
Assistência de Arte: Eliezer André e Rafael Bernardes
Fotos: Bruno Veiga
Fotos “Cine Baronesa”: Carlos Mesquita / Agência JB

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