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GILBERTO GIL – BANDA LARGA CORDEL (2008)

02 de setembro de 2016


 

Nosso artista mais 2001, mais Século XXI, mais cérebro e eletrônico, Gilberto Gil chega na nossa 10ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS. 

Para celebrar este momento, vamos falar de “Banda larga cordel”, primeiro e único disco de canções majoritariamente inéditas neste século, feita no período quando Gilberto Gil era ministro da cultura do Brasil, onze anos depois de “Quanta” (1997). “Banda larga cordel”, com dezesseis canções, começa festeiro, com xotes e reggaes, mas no final fica denso, delicado, eletrônico e pesado.

O xote é logo visto na sensual “Despedida de solteira”, uma canção repleta de malícia à maneira do “Xote das meninas” de seus ídolos Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

Em “Os pais”, com uma sonoridade ultra-pop, rementendo aos anos 1980, Gil em parceria com Jorge Mautner, levanta uma preocupação comum para os pais do século XXI: ” Os pais, os pais/ Estão preocupados demais/ Com medo que seus filhos caiam nas mãos dos narco-marginais/ Ou então na mão dos molestadores sexuais”. Tão óbvia e inédita como qualquer canção de cantador, uma influência importante da dupla.

“Não grude não” é o retorno ao mundo de Luiz Gonzaga, universo para o qual Gil voltaria em “Fé na festa”, em 2010.

Gil guardou para “Formosa”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, a primeira regravação de “Banda larga cordel”, canção que também foi prenúncio de um trabalho futuro, “Gilberto Sambas”, lançado em 2014, em que explora o universo de João Gilberto.

Essa sonoridade continua em “Samba de Los Angeles”, um samba ternário, diferente, em seis por quatro, regravação do pouco registrado “Nightingale”, de 1979, e “Amor de carnaval”, outro samba deste universo bossa nova, feito por Gil em 1962.
A diversidade de Gil continua com “La Renaissance Africaine”, com letra em francês, uma canção feita para um festival de artes negras no Senegal. Outro encomenda foi “Olho mágico”, feita para a série Retrato de Celular, de Andrucha Waddington.

“Não tenho medo da morte” possui versos lindos sobre o tema: “A morte já é depois/ já não haverá ninguém/ como eu aqui agora/ pensando sobre o além/ já não haverá o além / o além já será então/ não terei pé nem cabeça/ nem figado, nem pulmão/ como poderei ter medo/ se não terei coração?” É Gil com sua poesia intacta, tão particular quanto em “A faca e o queijo”, canção de amor feita para Flora ou “Outros viram” feita em parceria com Jorge Mautner, uma resposta ao discurso anti-Brasil:  “O que Walt Withman viu/ Maiakowscki viu/ Outros viram também/ Que a humanidade vem/ Renascer no Brasil!”.

“Gueixa no tatame” nos remete ao universo do samba de breque, universo de Moreira da Silva, Jorge Veiga, poesia suburbana, mais uma conexão histórica de Gilberto Gil.

Além de Flora e do Brasil, Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia é homenageada no ijexá “Canô”, feita para ser um presente de aniversário.

“Será por exemplo/ Que o meu surdo ficará mudo afinal/ Pendurado como um dinossauro/ No museu do Carnaval” é a faixa “Máquina de ritmo”, mas também poderia ser o conceito do novo MIS que vai ter instrumentos “pendurados” com obras de arte.

“Novas tecno-ilusões/ Máquina de Ritmo/ Que os pós-eternos hão de silenciar/ Novos Anjos do Inferno vão/ Por qualquer coisa em seu lugar/ Quem sabe irão lhe trocar por um/ Tal surdo mudo do museu/ E Bandos da lua virão se encontrar/ Numa praia toda lua cheia prá lembrar você e eu”. É o MIS em Copacabana, à beira-mar, celebrando o surdo, as máquinas de ritmos virtuais, os bandos da Lua e anjos do Inferno do passado, presente e do futuro.

Sucessora das inovadores “Lunik 9” e “Parabolicamará”, “Máquina de ritmo” faz parte de uma trilogia final com “Banda Larga Cordel” e “O oco do mundo”. São canções eletrônicas com imagens lindas, viscerais, discutindo as necessidade filosóficas sobre o futuro. Gil é o futuro e “Banda Larga Cordel” é a renovação de sua capacidade poética de criar. 

 

Ficha técnica:

voz, guitarra, violão: Gilberto Gil
produção, guitarra, violão: Liminha
bandolim: Sérgio Chiavazzoli
percussão: Gustavo di Dalva
baixo: Arthur Maia
teclado: Claudio Andrade
bateria: Alex Fonseca
percussão: Gustavo di Dalva
guitarra: Bem Gil
guitarra: João Gil
sax barítono: Henrique Band
sax: Monteiro Junior
trombone: Bidu Cordeiro
trompete: Altair Martins
arranjo de metais: Felipe Pinaud
vocal: Nara Gil
vocal: Barbara Ohana
vocal: Preta Gil
vocal: Maria Gil
programação: Walter Costa
programação: Damien Seth
electribe: Rafael Rocha

 

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