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FRANCISCO MIGNONE – 120 ANOS

30 de agosto de 2017


Francisco Mignone e sua esposa Maria Josefina. Reprodução fotográfica: Fausto Fleury. Coleção MIS;

 

Falar de Francisco Mignone não é fácil. Se eu fosse falar de uma praia, tudo bem…Mas Mignone não é praia, é oceano. Filho de imigrantes italianos, o primeiro a nascer no Brasil, isso em 3 de setembro de 1897, portanto há 120 anos, Francisco Paulo Mignone, inclusive, recebeu o Paulo em homenagem a São Paulo, sua terra natal. Alfério, o pai, era flautista e flautista Francisco se tornou, seguindo os passos do velho. O piano, cujo primeiro instrumento fora alugado quando ele tinha seis anos, também estava em sua formação. Ainda moço, já compondo obras populares sob o pseudônimo de Chico Bororó, ajudava o pai tocando em orquestrinhas que este improvisava para apresentações em bailes e cinemas. Em um desses bailes, à Avenida Paulista, na mansão dos Matarazzo, Mignone me contou que acompanhou ao piano o maior tenor daquela época: o grande Enrico Caruso.

A família era humilde, mas todos tiveram formação musical completa, parece-me. Mignone, por sua vez, se destacou tanto que um amigo da família, o Senador Freitas Valle, o proprietário da famosa Villa Kyrial, lhe consegue, em 1920, uma bolsa de estudos na Itália, onde se tornaria amigo do Maestro Arturo Toscanini. Mignone voltou de lá como, talvez, a maior promessa da música clássica no Brasil…Mas vieram também as críticas. A influência italiana cercava-o por todos os lados. Daí, entra em cena seu grande amigo, mentor e crítico mais severo: Mário de Andrade. A obra de Mignone toma, a partir de então, novos rumos… Enquanto Villa-Lobos se interessava pela música indígena, Mignone se transforma em um dos mais representativos autores nacionalistas, encontrando, principalmente, na temática negra o grande suporte de sua música, como nos atesta o fenomenal bailado “Maracatu de Chico Rei”…

Definitivamente no Brasil, muda-se de São Paulo para o Rio em meados da década de 1930. Aqui, faz concurso para a Escola Nacional de Música, onde se aposentaria, para grande desgosto seu, na “compulsória”, ao completar 70 anos, em 1967. Mignone foi casado duas vezes: a primeira com Liddy, filha do lendário professor de piano de São Paulo, o italiano Luigi Chiaffarelli. Em 1964, dois anos depois de enviuvar, casa-se com a pianista paraense Maria Josephina, que se tornaria, de sua geração, a maior intérprete do marido… Sem filhos, Francisco Mignone deixou-nos em 19 de fevereiro de 1986, aos 88 anos. Sua obra, colossal, com mais de mil títulos, abrange praticamente todos os gêneros e formações musicais. Portanto, encontramos de maxixes, valsas, tangos e cateretês a óperas, operetas, sonatas, sinfonias e concertos. Poucos dias antes de morrer, já vislumbrando o final da própria existência, Mignone me disse: Que pena, ainda tenho tanta coisa a fazer… No acervo do nosso MIS, encontram-se quatro preciosíssimos depoimentos prestados por Mignone. O primeiro, para o projeto “Depoimentos para a Posteridade”, datado de 15 de outubro de 1968; o segundo, de 5 de maio de 1983, prestado ao MIS de São Paulo; o terceiro, possivelmente gravado em maio de 1977, Mignone fala a respeito do compositor Eduardo Souto ao filho deste, Nelson Souto; encerrando, a última entrevista prestada por Mignone, a Lauro Gomes, da Rádio MEC, em janeiro de 1986.

 

Luiz Antonio de Almeida
Chefe da Sala de Pesquisas do MIS, Lapa
Pesquisador da Música Brasileira

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