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FRANCISCO ALVES MORREU. E O BRASIL INTEIRO CHOROU

09 de março de 2015


MISSA DE 7º DIA DE FRANCISCO ALVES É TRANSMITIDA PELA RÁDIO NACIONAL

 

O maior cantor de sua época tinha medo de viajar de avião. Dizem que ficara impressionado com a morte de Carlos Gardel, seu companheiro de arte, em acidente de avião, preferindo, sempre que lhe fosse possível, viagens de trens ou automóveis.

Francisco Alves havia se apresentado com grande êxito em um programa da Rádio Nacional de São Paulo, ao meio dia daquele sábado, 27 de setembro de 1952. E no dia seguinte, em o mesmo horário, se apresentaria em programa da Rádio Nacional do Rio.

Eram 18 horas e 30 minutos quando, na viagem de volta ao Rio, dirigindo seu Buick pela Rodovia Presidente Dutra, na companhia de um jovem amigo, próximo à localidade de Uná, entre Taubaté e Pindamonhangaba, colidiu violentamente com um caminhão que vinha na outra pista.

O rapaz, projetado para fora do carro, sobreviveu, após dias em coma. O motorista do caminhão sofreu ferimentos leves. Já o “Rei da Voz”, preso às ferragens, não teve a mesma sorte, morrendo envolto às chamas que rapidamente tomaram conta do veículo. Tinha somente 54 anos.

Na década de 1980, no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, conheci e passei a privar da amizade da segunda companheira do cantor, a atriz Célia Zenatti. E confesso que jamais testemunhei paixão igual à daquela mulher que, mesmo desprezada (fazia cinquenta anos), jamais esquecera o grande amor de sua vida…

Acredito que Chico Viola mereça a mais bela biografia. Homem que procurou levar uma vida discreta, mesmo na condição de astro-maior, o cantor, contudo, viveu relações amorosas, no mínimo, curiosas, o que sempre aguçou a curiosidade e maledicência alheia. Lembro-me, inclusive, da dificuldade de meu saudoso amigo Abel Cardoso Júnior, de Sorocaba, biógrafo de Carmen Miranda, em conseguir publicar, pelo menos, o seu “Francisco Alves – As mil canções do Rei da Voz” (Revivendo, 1998).

No fabuloso acervo do MIS, encontra-se raríssima gravação feita pela Rádio Nacional de uma das três missas simultaneamente celebradas em memória de Francisco Alves, na Igreja da Candelária, sábado, 4 de outubro; portanto, gravação realizada há 63 anos. Uma preciosidade sem igual…

Toda a homilia está em latim, por isso separei só o trecho final, em que se destacam dois movimentos da “Marcha Fúnebre”, de Chopin, e as palavras de Monsenhor Henrique Magalhães. Já a complementação da missa, com a participação do Padre Caetano de Vasconcellos, fica para uma próxima oportunidade.

Quanto às imagens que ilustram o artigo e que pertencem à “Coleção Almirante”, essas registram o cantor em um estúdio de gravações e, ao lado, o monumento que seria erguido no exato local em que morreu o cantor. Infelizmente, passada a comoção da tragédia, o projeto não foi adiante…

Luiz Antonio de Almeida é chefe da sala de pesquisas da Lapa e pesquisador da música brasileira

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