MIS Blog/ Discoteca Básica

FLOR DO SERENO – RANCHO CARNAVALESCO (2007)

23 de fevereiro de 2017


 

“Somos loucos, poetas e artistas/ Meu Rio de Janeiro és/ Flor do sereno a desabrochar”, diz o hino do rancho carnavalesco Flor do Sereno.

A 34ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS celebra o nosso precioso Flor do Sereno com “Rancho Carnavalesco”, único trabalho do grupo lançado em 2007 pela Acari records. 

A ideia surgiu da cabeça do grande compositor Elton Medeiros, mentor do grupo, que sentia falta dos ranchos de sua infância. Em 2000, com o objetivo de reviver a tradição do carnaval carioca com marchas-rancho e marchas-regresso, Pedro Aragão, Rui Alvim, entre outros, fundaram no bar Bip-Bip, em Copacabana, com o padrinho Alfredo Mello, o popular Alfredinho, proprietário do botequim, o Rancho Carnavalesco Flor do Sereno.

O rancho desfilou nos dois primeiros anos e depois passou a acontecer em um lugar fixo. Em 2013, por dificuldades burocráticas no carnaval, o Flor do Sereno parou de se exibir, mas deixou sua marca na retomada do carnaval de rua carioca. Recentemente, o grupo fez exibições fantásticas na Casa do Choro, com a homenagem “O carnaval de Pixinguinha”.

O rancho carnavalesco é pai das escolas de samba e foi responsável por revelar grandes músicos no começo do século XX. O próprio Pixinguinha e os outros membros do antológico Oito Batutas tocavam nesses cortejos. A marcha-rancho tem andamento mais lento que os sambas-enredo. Com instrumentos como o violão, a viola, o cavaquinho, o ganzá, o prato e sopros, os ranchos carnavalescos surgiram a partir dos pastoris, procissões religiosas e profanas vindas do século XIX.

Com o aparecimento das primeiras escolas de samba, os ranchos carnavalescos começaram a entrar em declínio a partir dos anos 1940. Essa tradição é revista nesse CD, lançado em 2007, que mistura ranchos antigos com músicas de compositores de outras gerações, como os imponentes Elton Medeiros, Cristóvão Bastos, Mauricio Carrilho, Paulo César Pinheiro e Aldir Blanc, ou seja, uma reunião de gigantes que leva os ancestrais ranchos carnavalescos diretamente para o século XXI.

O disco começa com “Rancho novo”, de Maurício Carrilho e Paulo Cesar Pinheiro, uma composição feita especialmente para o CD. Canção gravada com um coro impressionante formado por um time fabuloso:  Amélia Rabello, Mariana Bernardes, Bia Paes Leme, Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho e Anna Paes. A letra diz profeticamente: “As velhas canções são lindas/ As novas serão bem-vindas/ Até me comovo de ver sangue novo/ Fazer nosso povo cantar.”

Em seguida vem o hino “Flor do Sereno”, feito por Samuel Araújo, e citado na abertura deste texto. A canção foi cantada no primeiro desfile do Flor do Sereno, em 2001, e ressalta a perseverança do rancho.

“Regresso da flor”, de Jayme Vignoli e Aldir Blanc, brinca com o lado boêmio e anárquico, essência do Flor do Sereno, como no verso: “No Flor do Sereno/ Também se zomba / Lá não se admite meia-trava, meia-tromba”, cantado espertamente por Jayme. Adir Blanc aqui desfila também inúmeros nomes de personas non-gratas do Brasil no começo dos anos 2000, como o juiz Lalau e o banqueiro Salvatore Cacciola.

“Flor da serenata”, de Paulo César Pinheiro e Maurício Carrilho, traz o belo canto de Amélia Rabello, com uma gravação doce e saudosa, que cita antigos tradicionais ranchos e também o poder sucessor do Flor do Sereno: Não posso ver um rancho desfilar/ Que eu vou atrás/ Lembro dos velhos carnavais/ A Flor do Resedá, do Ameno/ Não morreu pra gente/ Só virou Flor do Sereno”.

A próxima faixa é uma das maiores riquezas deste trabalho. “São Jorge Guerreira”, outra da dupla Paulo César Pinheiro e Maurício Carrilho, composta precisamente no dia 23 de abril de 2005, dia de São Jorge e aniversário de Pixinguinha. O tema tem forte presença de percussão e recebe a voz de Pedro Paulo Malta.

“Marcha regresso”, parceria de Elton Medeiros, Maurício Tapajós e Cacaso, é uma pedra preciosa que estava guardada há mais de vinte anos e que ganha o mundo na gravação do próprio autor e fundador do Flor do Sereno, Elton Medeiros. “Carnaval vai ficar para sempre”, branda o nosso herói do samba.

“Santo Amaro”, de Franklin da Flauta, Luiz Cláudio Ramos e Aldir Blanc, música que já foi gravada por Miúcha e Quarteta em Cy, traz o retorno de Pedro Paulo Malta em grande interpretação, além do arranjo primoroso de Maurício Carrilho. A canção cita a história do Ameno Resedá, o rancho mais famoso que existiu, além de lugares típicos do período. Ao final da faixa aparece uma gravação original do Ameno Rosedá de 1907! A próxima música é uma continuação a essa história e chama literalmente “Ameno Resedá”, composição feita por Ernesto Nazareth, em 1912, que explica a participação dos chorões pioneiros nos ranchos. O arranjo de Paulo Aragão é uma das marcas deste trabalho, com um coro maravilhoso, como nos antigos ranchos, em encontro com o naipe de metais.

“Rancho dos beija-flores”, de Cristóvão Bastos e Paulo César Pinheiro, feita também especialmente para este disco, conta novamente Jayme Vignoli nos vocais.

Os Rouxinóis,da Ilha de Paquetá foi um importante rancho carnavalesco que surgiu já na fase de declínio do gênero.  A canção “Os Rouxinóis”, composição de Lamartine Babo feita em 1958, ganha aqui a voz de Elton Medeiros.

“Flor de Cartum”, outra parceria de Jayme Vignoli e Aldir Blanc, recebe o cantor Alfredo Del-Penho, e traz assuntos cotidianos, típicos de Aldir, como o não de Felipão para Eurico Miranda, além de homenagens a jornalistas, cartunistas, com seus “prontos-socorros da alegria”.

“Leite de pedra”, de Samuel Araújo, fala da necessidade de resgatar a magia dos ranchos carnavalescos, mesmo nos atuais tempos difíceis. Tema que abre espaço para “Flor do Abacate”, outra homenagem a um importante rancho do início do século XX. A composição de Álvaro Sandim “Santini” ganha novo arranjo de Marcílio Lopes, mais de 90 anos após a gravação original.

O disco do Flor do Sereno se encerra com “Rancho do tempo”, parceria de Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro, com um coro que tem o reforço de Ignez Perdigão, Maurício Carrilho,
Antônio Rocha e Rui Alvim. A faixa de despedida declama o desejo do Flor do Sereno: “É sempre tão bom sonhar/ Que um dia os ranchos ainda vão voltar”.

Com direção musical de Pedro Aragão e Rui Alvim, o disco inaugural do Flor do Sereno, transmite toda a tradição dos ranchos carnavalescos do início do século XX para o futuro, renovando o repertório e trazendo o clima sonoro que ajudou a desenvolver o esplêndido carnaval carioca.

O projeto teve a elaboração e a coordenação da Joaninha Produções e foi distribuído pela Acari records.

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