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FELICIDADE EM FAZER PARTE DA HISTÓRIA

14 de maio de 2015


 

Transbordando alegria e simpatia, Neguinho da Beija-Flor gravou na tarde de 13 maio seu depoimento para a posteridade, registrando sua história na eternidade, passando a fazer parte do acervo do Museu da Imagem e do Som. Entre os seus entrevistadores estavam os jornalistas e escritores Aydano André Motta e Alan Diniz; a porta-bandeira da Beija-Flor, Selminha Sorriso; e Teteu José, produtor de carnaval da TV Globo.  Neguinho relembrou canções que marcaram sua carreira, brindando o público com trechos dos seus grandes sucessos, e demonstrou ótima memória de momentos e pessoas que marcaram seus 40 anos de Beija-Flor, que completará em 15 de junho.

“Até hoje eu não sou o meu fã. Acho minha voz rouca, sou tímido e vivo me censurando”. Foi assim, com muita humildade, que o cantor e compositor iniciou seu depoimento.

INÍCIO DA CARREIRA

A primeira vez que cantei em uma escola de samba foi na Leão de Iguaçu, quando o cantor que interpretaria uma de suas composições ficou embriagado e precisei assumir o microfone. Ao terminar de cantar, uma amiga disse que a minha voz parecia com a do Louis Armstrong, de quem sou muito fã. Imagina! Mas é por isso que é bom, às vezes, a gente acreditar em todo mundo.”

O CAMPEÃO

“Quando compus o samba ‘O Campeão’, em 1979, não imaginava que viraria um hino das torcidas de futebol. Fiz dentro do ônibus, no trajeto entre a Praça Mauá e Nova Iguaçú. Na época, cantava ela no Democráticos e no Renascença. Foi lá que um até então desconhecido a ouviu. Disse que trabalhava no Maracanã e que colocaria a canção para tocar cinco minutos antes da partida final do Campeonato Brasileiro. Era um jogo do Atlético Mineiro e Flamengo. Na época, confiei no cara e entreguei a fita.  Aproveitei e encomendei a letra do samba numa gráfica e pedi para a família distribuir 200 mil cópias na porta do estádio. Eu estava fazendo um show em Macapá. Quando assisti ao jogo no hotel onde estava hospedado, mal pude acreditar na imagem do estádio todo cantando a minha música. O garçom do hotel não acreditou quando eu contei que era o autor da música. Mas sabem que 20 anos depois, em uma outra visita à Macapá, nos encontramos no mesmo hotel e ele lembrou do episódio. Finalmente acreditou em mim!”

RECONHECIMENTO

“Há certos momentos em que fico meio magoado. Sou conhecido internacionalmente por ser o intérprete da Beija-Flor de Nilópolis, mas nem sempre reconhecido como uma figura marcante do cenário musical do samba. Eu vi o Almir Guineto, o Fundo de Quintal, o Zeca Pagodinho, o Arlindo Cruz e muitos surgirem e nunca sou lembrado. Fui dar uma palinha no Cacique de Ramos uma vez e minha foto não estava na parede junto com esses nomes”.

A BEIJA-FLOR

“A Beija-Flor foi tudo nessa minha caminhada. Ao chegar na escola no pré-carnaval de 1977, eu já havia sido rejeitado pelas alas de compositores da Portela, do Salgueiro e do Império Serrano. Entrei na disputa de samba da Beija-Flor e fui apresentado ao enredo daquele ano por Joãosinho 30. Compus o samba-enredo ‘Sonhar com rei dá leão’ e fui campeão da disputa. Quando o intérprete da escola, Abílio Martins, foi cantar o meu samba e não acertou o tom diante da presença de Anísio, patrono da escola, no estúdio, fui chamado na hora, para ajudar o cantor a acertar a canção. Lembro que minutos depois, vi Anísio dispensando e pagando Abílio Martins que foi embora, deixando para mim o cargo de intérprete da Beija.”

“Já recebi propostas de quase todas as grandes escolas do Rio mas nunca aceitei, por me sentir em casa na Beija-Flor. Foi a única escola que me aceitou e abriu as portas para mim. Eu vou ficar por aqui. Se alguém me considera algo no mundo do samba, é graças à Beija-Flor”.

POLÊMICA DOS SALÁRIOS NAS ESCOLAS DE SAMBA

“Não tenho nada contra quem recebe salário para cantar nas escolas, mas eu nunca recebi remuneração da Beija-Flor. Respeito e acho justo os intérpretes que recebem, mas não é o meu caso. Se alguém tivesse que pagar algo, eu é quem pagaria à minha escola.”

GRITO DE GUERRA

“Meu grito de guerra – ‘Olha a Beija-Flor aí, gente!’ – na verdade surgiu do verso ‘Olha o camburão aí, gente!’, que fazia parte de uma canção minha, composta em 1982. Durante a gravação dos sambas-enredo daquele ano, fiz uma piada ao anunciarem a próxima escola a gravar (no caso, a Beija-Flor). Com os microfones do estúdio abertos, soltei o famoso bordão ‘Olha a Beija-Flor aí, gente’, que acabou saindo na gravação e causando polêmica como algo nunca ouvido antes. No ano seguinte, a Mangueira copiou a ideia e desde então, uma invenção “sem querer” acabou se transformando na marca dos sambas de enredo”

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