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ESPLENDOR E GLÓRIA

11 de janeiro de 2016


 

O carnavalesco e museólogo superluxo Clóvis Bornay nunca foi de modéstia. Por isso mesmo não vamos ficar de meias palavras: Bornay era um artista carioca maior e seu centenário de nascimento, que será comemorado com exposição de fantasias no Museu da República, é um bom momento para contar algumas histórias.

Bornay inventou muita coisa que diz respeito ao espírito carioca. Folião de primeira hora, aos 12 anos, venceu um concurso de fantasias no Fluminense Futebol Clube. E vestido de cossaco ainda por cima. De baile em baile, acabou inventando a sua própria festa.

Em 1937, jogou uma conversa no diretor do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para fazer um baile como os do carnaval de Veneza. Acabou criando um dos mais famosos bailes dessa cidade. Detalhe é que o concurso de fantasias, foi vencido pelo próprio Bornay, que vestiu uma criação própria inspirada nos trajes dos príncipes hindus. E se tudo no Rio acaba em samba, nos anos seguintes, o Baile do Municipal acabou virando o maior furdúncio carioca. Tipo loucura louca. Quem viveu, nem conta.

No carnaval de 1965, do Quarto Centenário, saiu fantasiado de Estácio de Sá, a principal fantasia da cidade. Ele era tão simbólico que Glauber Rocha o escolheu como metáfora do Brasil tropicalista em Terra em Transe, de 1967.

Um lado talvez menos conhecido de Bornay é sua trajetória musical, tendo participado de diversas coletâneas carnavalescas. A primeira delas em 1969, quando gravou a marcha “Dondoca (Boneca deslumbrada)”, de Antônio Almeida, gravada com o coral de sugestivo nome As Bonecas e incluída no LP “Carnaval Rio 1970” da RCA Camden. Também fez grande sucesso com as marchas “Paz e amor”, de João Roberto Kelly e Toninho (1971) e “A marcha do pompom”, de Max Nunes e Laércio Alves.

E o show continuou nos anos 80, quando emplacou uma série de sucessos hedonistas como as marchas “Mais um chopp”, de Jayme Bochner (1981), “Vamos furunfar”, com Carlos Martins e Conceição (1982) e a polêmica “Fla gay”, também de Jayme Bochner.

No acervo do MIS tem uma pérola para se entender o magnetismo do Clóvis Bornay. Num filme da série de cinejornais paraguaios do fundo do baú tem  um desfile de fantasias no carnaval de 64, com Bornay desfilando para o júri liderado pelo ator italiano Alberto Sordi (e com a presença de Norma Bengell, entre outros). Todos os concorrentes passam e o júri observa impávido. Quando Clóvis Bornay entra, poderoso e espetacular, o júri se levanta. E assim foi, por toda a vida.

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