MIS Blog/ Discoteca Básica

Ed Motta – Aystelum (2005)

15 de julho de 2016


 

Após a beleza do samba de Luiz Carlos da Vila na semana passada, nossa 3ª edição do Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS chega com “Aystelum”, de Ed Motta.

Não que estamos fugindo do samba, já que “Samba azul”, parceria de Ed Motta com Nei Lopes, e no disco em dueto com Alcione, seja uma das mais belas gravações de todo século XXI, sem exagero.

“Aystelum” segue o caminho traçado por Ed Motta em “Dwitza”, lançado em 2002, com muita sofisticação harmônica e rítmica. O que poderia ser dispersão, já que caminham juntos samba, soul, jazz, é pura naturalidade na criação de Ed Motta e, é claro, herança de sua na paixão por pesquisar música de infinitos lugares.

Essa liberdade musical atrai os grandes instrumentistas do país e eles estão juntos com Ed Motta: Renato “Massa” Calmon, na bateria, Paulinho Guitarra, Alberto Continentino, no baixo, Rafael Vernet, nos teclados, Andrés Perez, no saxofone tenor, Jessé Sadoc no trompete e participação de Laudir de Oliveira na percussão.

“Aystelum”abre com “Awunism”, um spiritual jazz  que nos remete a sonoridade de “Dwitza”.

“Pharmácias”, outra parceria com Nei Lopes, é um típico samba-jazz, de voar, voar, ouvir com gosto e lembrar do melhor samba jazz carioca, mas com uma linguagem e sonoridade que nos movem para o hoje.

A faixa-título é outra faixa instrumental. Dessa vez o tema é cheio de caminhos, emboscadas, desde o início, onde Renato Massa e o vocalise de Ed Motta fazem a melodia para a entrada do precioso trompete de Jessé Sadoc.

“Muita gig véi” é um samba no pau, rápido, no estilo Black Rio, Filó Machado.

“Balendoah”, mais um afrojazz, mexeu inclusive com Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz, e foi também gravada pelo impressionante grupo baiano. Aliás, foi Ed Motta um dos maiores incentivadores da Rumpilezz. Nessa gravação, temos as participações especiais de Tutty Moreno, na bateria e Paulo Russo, no baixo.

Em seguida, Ed Motta, apaixonado por musicais da Broadway, entra com “Abertura”, “Na rua” e “Canção em torno dele”, três canções do musical  “7”, com texto e direção de Charles Moeller e letras de Cláudio Botelho.

“A charada”, “Patiddid”e”Guezagui”, encerram o disco com algumas das especialidades de Ed Motta, uma funk pop romântico com grande letra de Ronaldo Bastos, um samba-funk, vindo das sonoridades maravilhosas do movimento Black Rio e uma maravilha final que nos remete ao gênio Donny Hathaway

“Aystelum” mostra toda liberdade de Ed Motta, ao propor um disco gravado praticamente no “ao vivo”, no valendo, além de ser um campo enorme de experimentações, como o uso dos pianos Celesta, Rhodes, Hohner Clavinet, RMI, Multivox, e sempre cuidado primoroso com a harmonia.

Desde a capa ficamos imaginando um universo fantástico, repleto de mistérios, com referências que tentamos descobrir a todo momento. A ilustração foi feita Edna Lopes e Ed Motta, com  traços inspirado nos quadrinhos franco-belgas da escola Ligne Claire, como “As Aventuras de Tintim”.

É muita música, muita. Vale a pena ouvir e viajar na musicalidade da nossa terceira Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS

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