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CENTENÁRIO DE DINO 7 CORDAS

05 de maio de 2018


 

Dino 7 Cordas desenvolveu uma nova maneira de pensar o violão, instrumento fundamental na música brasileira, por isso sua importância é enorme. Como é um estilo que dialoga diretamente com a melodia, seja com o cantor ou o instrumento solista, a presença de Dino nas gravações tem um peso muito grande. Ele está em grande parte das gravações clássicas do repertório da música brasileira. E as gravações são maravilhosas e acabam se tornando referência porque além dele tocar muito bem, ele faz com que os outros toquem e cantem melhor.

Seu exemplo é um exemplo de consciência, de equilíbrio, de bom gosto. São parâmetros que serão sempre importantes. É um músico que toca ouvindo os outros, atentos aos outros, toca para a música. Não está preocupado somente naquilo que está sendo executado, mas no resultado da sonoridade do conjunto. Não conheço um exemplo sequer de uma situação onde o violão do Dino encobriu, avançou o espaço de outro instrumento. Pelo contrário, a magia de seu violão é se destacar exatamente por valorizar os outros instrumentos, valorizar o conjunto. Dino pratica realmente o diálogo, não o monólogo. E isso é um exemplo, uma referência importante para qualquer músico, independente do instrumento que toque. Dino é um criador. E os criadores serão sempre e, com razão, reverenciados na história da música.

Horondino José da Silva, conhecido como Dino Sete Cordas, era músico, compositor e fez parte de grandes formações da música brasileira, como o conjunto Época de Ouro, comandado por Jacob do Bandolim e o regional de Benedito Lacerda, um dos mais célebres conjuntos da história da música popular brasileira, composto pelo próprio Dino 7 Cordas, o violonista Meira, o cavaquinista Canhoto, Gilson no pandeiro e Pedro da Conceição na percussão. Dino foi o sucessor de Tute, pioneiro em levar o instrumento para o samba e choro, que emulava a tuba de uma banda. Dino foi responsável por evoluir o instrumento inspirado nos contrapontos do Pixinguinha.

Dino 7 Cordas faleceu no dia 26 de maio de 2006.

HISTÓRIA DO INSTRUMENTO

O violão de 7 Cordas teria chegado ao Brasil via ciganos russos. Existe uma escola de 7 cordas na Rússia.

Chegando aqui e sendo incorporado pelos músicos de choro e de samba, foi sendo desenvolvida uma escola brasileira de se tocar o instrumento, baseada em princípio no acompanhamento e no uso de linhas de baixo fazendo contraponto à melodia da música.

É difícil de mensurar porque a história do 7 cordas se confunde com a própria história da música brasileira. Como instrumento acompanhador, está presente nas gravações referenciais de boa parte dos clássicos da música brasileira, estabelecendo novos parâmetros de acompanhamento, que vêm sendo incorporados com o tempo a outras culturas. Como instrumento solista, se considerarmos que a escola do violão brasileiro está entre as mais importantes e influentes do mundo do violão, com nomes como Villa-Lobos, Garoto, Baden Powell, Guinga, e que dois dos nomes mais influentes dessa escola nos últimos tempos, Raphael Rabello e Yamandu Costa, são violonistas de 7 cordas, veremos que esta maneira de pensar o instrumento está se propagando a nível mundial, com resultados de proporções ainda difíceis de prever.

ESTUDO ACADÊMICO

Comecei a dar aula de violão na Escola de Música da UFRJ em 2014. Oficialmente o curso é de violão clássico, mas existe uma demanda crescente dos alunos pelo repertório popular e pela escola do violão de 7 cordas. O departamento criou então uma disciplina de Violão de 7 cordas, aberta a alunos de todos os cursos. Ainda não é uma cadeira de violão de 7 cordas, mas o projeto existe. A UFRJ criou os primeiros cursos de bandolim e cavaquinho. A ideia é que seja criado também o curso de 7 cordas. Atualmente estou fazendo Doutorado e minha pesquisa é sobre o violão de 7 cordas brasileiro solista. A ideia é justamente formalizar essa escola. Criar uma literatura escrita para ela. Contribuir para isso. É uma escola de violão totalmente baseada no oralidade. Quem é atuante nesta escola aprende tocando entre si e de ouvido, através das gravações. Existe então um material enorme no formato de gravação, mas pouca coisa escrita, e as raras partituras que existem contém muitos erros. É um momento importante de organizar este material. Esta escola de violão está correndo o mundo. Violonistas de outras culturas estão tomando contato com ela, muitas vezes sem a possibilidade do contato direto com os violonistas atuantes nesta escola, sem o benefício da oralidade. Formalizar esta escola, publicar partituras que respeitem as características deste estilo, acredito será de grande valor para a propagação desta escola de violão pelo mundo.

por Marcello Gonçalves, músico, professor na Escola de Música da UFRJ e integrante do Trio Madeira Brasil 



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