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DEPOIMENTO DO DESIGNER CESAR VILLELA É MARCADO PELA EMOÇÃO E SIMPLICIDADE

04 de março de 2018


Foto: Gui Maia

 

Museu da Imagem e do Som (MIS/RJ) – equipamento da Secretaria Estadual de Cultura – recebeu no último 21 de fevereiro em seu auditório da Praça XV, o ilustrador e designer Cesar Villela, responsável por mais de mil capas de LPs da Bossa Nova. O encontro faz parte da série Depoimentos para a Posteridade, batizada de Bossa 60, em homenagem ao gênero musical que completa seis décadas este ano. Seus entrevistadores foram o escritor Ruy Castro, o músico Roberto Menescal, o jornalista João Luis Albuquerque e o designer gráfico Beto Martins. Confira os melhores momentos deste encontro, que foi marcado pela emoção.

O interesse pelo desenho na infância

“Comecei ilustrando livros que os professores usavam como apostilas para material em sala de aula. No Instituto Lafayette, aos 15 anos tive dois colegas de classe que foram importantes na minha, o músico João Donato e o cineasta Paulo Cesar Saraceni. Donato me trouxe muitas coisas boas.”

A profissionalização como desenhista e “capista” de discos de Bossa Nova

“Na minha época, não existia faculdade de designer gráfico. Tínhamos que aprender com os colegas mais experientes. Benício e Gut foram alguns deles quando iniciei a carreira na Rio Gráfica (atual editora Globo). Todos eles foram meus professores e incentivadores. Tenho uma eterna gratidão.”

A predileção pelos trabalhos em preto e branco

“Quando descobri o Marshall McLuhan (importante designer canadense), que dizia que o excesso de detalhes de uma composição eram ruídos visuais, me despertou o desejo de simplificação do meu trabalho. Quando entrei para a (gravadora) Odeon achava que este tipo de técnica, de certo modo serviu para melhor concorrer com o que já tínhamos no mercado naquela época. Acho que fui bem sucedido com essa simplificação das capas.”

“Quem me falou da Odeon foi o velho amigo João Donato, num encontro casual que tivemos em 1958. E foi lá na Odeon que comecei a realizar meu desejo de transformar o formato do desenho para as capas, antes só com fotos dos artistas. “

“Nunca tive intimidade com os artistas. Fazia as capas de acordo com a proposta de cada trabalho. O Menescal foi uma exceção. Fiz três capas para ele mas nos tornamos amigos por ele ser essa pessoa bondosa e tão bacana. Eu sempre me preocupei com o que o artista era enquanto pessoa e não com o sucesso que ele fazia ou sua fama. Me sinto honrado em ter Menescal aqui hoje.”(Menescal se emociona por estar na mesa como um dos entrevistadores).

A ida para a Elenco (gravadora), seguindo Aloysio de Oliveira, seu também diretor artístico na Odeon

“Fazíamos o trabalho por amor. Aloysio nunca teve dinheiro suficiente para nos pagar, tanto que fazia outros trabalhos por fora, para me sustentar. Mas foi ele que não permitiu que a Bossa Nova caísse no esquecimento. “

O designer atual no Brasil e o trabalho realizado com capas de CDs

“Considero as capas de CD da Dubas (gravadora do músico Ronaldo Bastos) como a Elenco de hoje. O talento de profissionais como o Beto Martins (designer e um dos entrevistadores) supera o meu. Esse menino é uma referência de competência no designer brasileiro. ” (ao longo das três horas de depoimento, Cesar se mostrou bastante humilde e muito grato aos colegas de trabalho, incluindo o jovem designer com cinco décadas de diferença de idade, a quem ele foi só elogios)

A fase atual e seu trabalho como artista plástico

“Nós artistas plásticos fazemos parte de uma explosão. Cada um segue para um caminho diferente. Não existe obra de arte que possa competir uma com a outra. Cada uma tem sua própria marca. Hoje estou com um acervo de 120 telas com temática cristã. Transferi cada uma delas para um livro de 120 poesias. Para cada tela há uma poesia equivalente. Estou apenas aguardando patrocínio para este projeto. Não quero lucrar com isso, pois irei reverter a venda de todas as telas para uma instituição que apoia meninas carentes, sem lar.”

Vida cotidiana e mensagem final para a posteridade

“Hoje moro em Miguel Pereira, uma cidade que de tão pacata não tem absolutamente nada para fazer. Por isso, me dedico ao trabalho diário com minhas telas e minhas poesias. Me sinto realizado e acho que posso viver ainda mais 20 anos (Cesar está prestes a completar 88 anos em maio). Me cuido fisicamente, me alimento bem, não me sinto um velho.”

“Gratidão é a palavra para definir o que sinto em relação à Bossa Nova. Ela é responsável pelo prestígio que tenho hoje em todo o mundo (Cesar tem trabalhos reconhecidos e prêmios na Coreia, Japão, EUA, Europa). Mas o mais importante é que penso que tenho sido beneficiado na vida não pelo meu talento profissional, mas por ter tratado bem as pessoas”. (Cesar foi muito elogiado pelos colegas entrevistadores ao longo das três horas pelas sua bondade, humildade e simplicidade com todos).

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