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Depoimento de Ivan Lins é marcado pela emoção

29 de agosto de 2014


 

O músico e compositor Ivan Lins esteve no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro na última quinta-feira, 28 de agosto, pronto para entrar para a história ao ser imortalizado pela série “Depoimentos para a posteridade”. Na sede da instituição na Praça XV, Ivan foi entrevistado por Claudio Lins(ator e músico),  Thais Nicodemo (pianista, doutora em música pela Unicamp e pesquisadora da obra de Ivan Lins), Hugo Sukman (jornalista) e Zuza Homem de Mello (musicólogo e jornalista). Abaixo, alguns trechos do depoimento do cantor e compositor.

Lembranças da infância e da juventude

Ivan Guimarães Lins, nasceu em 06 de junho de 1945, na Tijuca, Rio de Janeiro. A infância e a juventude se dividiu entre este bairro, Niterói e Boston, Estados Unidos, onde viveu de 1947 a 1950.

“Minha lembrança da infância começou nos Estados Unidos. Lá, onde eu ouvia música, eu ia atrás e desaparecia. Minha mãe ficava louca. Nessa época, ela tentou me colocar em uma escola de música, para aprender um pouco de teoria, mas não quis. Preferi ficar com meus discos do Walt Disney. Pinóquio era a minha trilha favorita”.

“A música americana foi minha primeira referência musical. Stephen Foster sempre foi e é, até hoje, um dos meus grandes ídolos. Mesmo depois que voltei a morar no Brasil, sempre que tinha oportunidade de retornar aos Estados Unidos, entrava em contato com essas referências musicais”.

“Quando morei em Niterói, em 1953, era garoto e já escutava os programas da Rádio Nacional. Emilinha, Marlene e Cauby eram os meus favoritos. Queria voltar mais cedo da escola, só para chegar a tempo de ouvir os que gostava mais, como a Hora da Broadway.”

“Em 56, quando saí de Niterói e voltei ao Rio, fomos morar novamente na Muda. Nessa época, ingressei no Colégio Militar, onde fui aprender meu primeiro instrumento, o trompete. Cheguei a ingressar na banda do colégio, mas fiz apenas uma participação, já que não conseguia decorar as partituras. Teoria musical não era o meu lance.”

“Era fascinado por jazz. Tinha um colega do colégio, que sempre me chamava para ouvir uns discos, que seu pai trazia de viagens dos Estados Unidos. Ali, virei fã de Frank Sinatra, Nat King Cole”.

Os Festivais, o Movimento Artístico Universitário, os primeiros sucessos

“Foi somente em 63, que assisti ao programa da Bibi Ferreira e vi uma apresentação do Tamba Trio. Ali, comecei a apreciar a música brasileira. Sempre, é claro, tudo que tinha influência do jazz, pois até então, ouvia pouca música brasileira”.

“Quando tinha 19 anos, formei o Alfatrio, com colegas da faculdade de química, que cursava na UFRJ. Essa época, era uma febre de trios no Rio de Janeiro. Já nos apresentávamos em bares e colégios da Tijuca, onde eu morava. Já gostava de João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra.”

“Já em 1974, em “Modo livre”, iniciei a parceria com Vitor Martins, com quem completo hoje, 40 anos de estrada. Outras canções da década, que também lancei foram, Chama acesa, Começar de novo, Madalena, Dinorah, Dinorah. Tive grandes intérpretes como Elis Regina, Simone, Nana Caymmi, Emílio Santiago, Leny Andrade, Zizi Possi, Gal Costa. “

Novas parceiras, a carreira e o reconhecimento internacional, a criação da gravadora Velas

“As turnês no exterior, a carreira internacional foi intensificada a partir de meados da década de 80 e, começou com as gravações de minhas  músicas por artistas como George Benson, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Carmen MacRae e Quincy Jones; que mais tarde, veio a se tornar um amigo pessoal, que culminou com a criação da Dinorah Music, ligada à produtora de Jones”.

“Em 1991, fundei com o meu parceiro musical Vitor Martins, a gravadora independente Velas, que lançou artistas como Guinga, Chico Cesar, Lenine e produziu discos de Zizi Possi e Fátima Guedes”.

Projetos atuais e futuros

“Estou comemorando os 40 anos de parceria musical com Vitor Martins, com o lançamento de um CD de 14 faixas, já em fase de masterização, com a regravação de músicas de minha autoria e de Vitor, mas já gravadas por outros artistas e que são pouco conhecidas do grande público.”

“Como sou muito curioso, para o futuro, ainda penso em produzir trabalhos de samba tradicional, sertanejo e uma obra de Ciro Monteiro, quem sabe”.

Mensagem final

“Acredito que a música brasileira é baseada em um tripé formado pelo belo, simples e novo”

‘DEPOIMENTOS PARA A POSTERIDADE’

Em 1966, o MIS-RJ inaugurou o projeto “Depoimentos para a posteridade”, inédito programa de história oral criado para preservar a memória de diversos setores da cultura nacional, tais como a música, a literatura, o cinema e as artes plásticas. Atualmente conta com um acervo de mais de mil depoimentos, com quatro mil horas de material gravado em áudio e vídeo de figuras notáveis, como Nelson Rodrigues, Tarsila do Amaral, Isaac Karabitchesky, Dona Ivone Lara, Gilberto Braga, Fernanda Montenegro, Nelson Motta, entre outros. Vale lembrar que todos os testemunhos ficam à disposição do público nas salas de consulta do MIS, 48 horas depois do término da entrevista.

 

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