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De frágil e sem talento a grande goleiro tricolor. Marcos Carneiro de Mendonça no Esporte é Arte

16 de maio de 2014


 

Uma das máximas do futebol é que o goleiro, quando criança, era aquele que não tinha talento, que tinha menos intimidade com a bola nos pés. Faz sentido. Mas uma coisa é certa, esta lenda não teve início com Marcos Carneiro de Mendonça. Nascido na mineira Cataguases, em 25 de dezembro de 1894, teve uma saúde frágil na infância, quando contraiu febre amarela, sarampo, problemas intestinais e pulmonares. A partir daí, cercado de cuidados, foi orientado a não fazer grandes esforços. Como já amava o futebol, escolheu o espaço entre as traves e o travessão como refúgio.

Clássico e elegante, com grande sentido de colocação, reflexos apurados e a fama de ótimo pegador de pênaltis, ele foi o precursor da tradição do Fluminense de formar grandes goleiros.

Marcos chegou ao Rio com 6 anos, começando a carreira com 13, no Haddock Lobo. Dois anos depois, estava no América. Em 1914, chegou ao Tricolor, onde integrou o mais poderoso e famoso conjunto de amadores do futebol brasileiro. Na época, dizia-se que para a bola entrar no gol do destemido arqueiro, só sendo mal chutada, com o atacante adversário pegando de maneira errada na bola. Alto, esguio, ele intimidava os atacantes adversários com suas saídas. Ele também foi um modelo para gerações de goleiros que evitava ao máximo uma defesa espalhafatosa, um salto sem necessidade. Até porque jogava vestido de branco, com apenas o detalhe de uma fita roxa que amarrava o calção, presente da sua namorada.

Marcos Carneiro de Mendonça foi o primeiro goleiro da história da Seleção Brasileira, tendo atuado em 10 partidas oficiais e cinco não oficiais de 1914 a 1923. Lembrando que este era um período totalmente amador do futebol.

Ele estreou pela seleção em um jogo contra o time inglês do Exeter City, com vitória brasileira por 2 a 1, gols de Oswaldo Gomes e Osman Medeiros. Mas o goleiro brilhou mesmo foi no Sul-Americano de 1919, um marco na historia do futebol brasileiro. Depois de falhar no empate com a seleção uruguaia no empate em 2 a 2, no jogo decisivo ele fechou o gol, garantindo a vitória por 1 a 0. Este feito da seleção foi lembrado por um choro magnífico de Pixinguinha: “1 a 0”. Marcos seria bicampeão em 1922.

Ele vestiu a camisa do Fluminense de 1914 a 1922, conquistando o Torneio Início de 1916, o tricampeonato carioca de 1917, 1918 e 1919 e a Taça Ioduran de 1919, torneio equivalente ao Rio-São Paulo. Ao abandonar o futebol, dedicou-se à profissão de historiador, mas continuou participando da vida do clube, do qual foi presidente entre 1941 e 1943.

Nelson Rodrigues disse, certa vez: “Enquanto a guerra povoava a Europa dos mortos em flor, Marcos Mendonça (meu herói) enchia a minha infância.

No depoimento prestado em 1967 ao MIS-RJ, ele conta histórias do início do século XX, fala da sua visão sobre a profissão e até comenta a falha de Barbosa no gol de Ghigia, em 1950.

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