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Conjunto da obra marca o depoimento de Mauro Mendonça

28 de outubro de 2014


 

O ator Mauro Mendonça esteve no MIS-RJ no dia 27 de outubro, preparado para entrar para a história pela série “Depoimentos para a posteridade”. Na sede da instituição, na Praça XV, Mauro foi entrevistado por Cacau Hygino (ator e escritor); Marcus Montenegro (empresário artístico); Mauro Mendonça Filho (diretor de núcleo da TV Globo) e Nathalia Timberg (atriz).

Abaixo, alguns trechos do depoimento do ator, sempre carregados de um pouco de nostalgia.

Lembranças da infância e juventude (décadas de 30 a 50)

“Minha infância em Ubá foi muito boa, apesar dos poucos recursos financeiros. Eu era o filho caçula de Maria dos Santos Padilha, a Dona Santinha mas também fui criado por Dona Chica, que foi minha mãe preta. Eu era o caçula entre 7 irmãos. Eu e meu irmão mais velho, Olavo, gostávamos de pegar maracujá no morro do Quebra-Coco. Bons tempos.”

“Nossa infância foi muito criativa, com vida ao ar livre, com pescaria nos riachos, subindo em árvores e soltando pipas. Foi nessa mesma época, que tomei gosto pela arte. Minhas primeiras leituras foram os romances policiais de Edgard Wallace e as obras de Monteiro Lobato”.

“Mas eu morria mesmo é de inveja dos meninos que faziam cirquinho. Adorava os palhaços. Sem querer, nesta época, acho que por intuição, já usava o método Stanislavski. Me colocava no lugar dos atores, e adotava para cada personagem algo individual, com posturas diferentes, vozes diferentes, manias e até o jeito de andar. Era o que fazia com a minha paixão platônica por Shirley Temple. Fingia até que namorava com ela”.

O início da carreira artística (década de 50)

“Me preparava para cursar a faculdade de direito, quando conheci Maria Jacintha. Ali, em seu grupo de teatro no Rio de Janeiro, foi meu primeiro contato com o trabalho de ator, onde descobri a vontade de atuar”.

“Um tempo depois, já veio a aprovação no teste para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), e, também, minha participação no filme Rio 40 graus, além das atuações pela primeira vez emteleteatrona TV Record, no ano de 1955. “

“Fiquei no TBC entre 1957 e 1959, atuando em vários espetáculos, como Nossa vida com Papai, Rua São Luis, 27 – 8° andar, Romanoff e Julieta, entre tantos outros. Foi justo no TBC, que conheci Rosinha (Rosamaria Murtinho), a mulher da minha vida. A gente não era fácil.”

O intenso trabalho em teatro e televisão (décadas de 60 e 70)

“Atuei em muitas telenovelas na TV Excelsior, como Aqueles que dizem amar-se e Corações em conflito e, também, fiz duas novelas, Os irmãos Pereira e Uma sombra na minha vida. A experiência de atuar junto com a Rosamaria em A muralha, também foi fantástica. Normalmente, eu não dou palpite nas obras onde ela atua, mas ela sempre vem falar sobre as minhas atuações. E tudo que ela diz, eu obedeço. Melhor assim”.

“Na Globo, sem dúvida, um grande marco foi minha atuação em 74, na novela O espigão, de Dias Gomes, e, na primeira versão de O rebu, de Bráulio Pedroso. Mas diria que meu divisor de águas foi no filme Dona Flor e seus dois maridos, assinado pelo Bruno Barreto e adaptado da obra do grande Jorge Amado. Cheguei a ganhar o prêmio Air France de melhor ator, por esta atuação.”

Décadas de 80 e 90

“A experiência de ser dirigido pela primeira vez pelo meu filho, Mauro Mendonça Filho, foi na minissérie A, E, I, O… Urca. Primeiro, ele me chamou pelo nome, Mauro. Olhei com estranheza e, logo, ele mesmo viu que não tinha nada a ver e me chamou de pai. Aí tudo fluiu muito bem. Mais para frente, ele me dirigiu também no remake de Gabriela, onde interpretei o coronel Manoel das Onças e também foi maravilhoso.”

“Em 96 veio a minha conquista do Prêmio Shell de melhor ator, pelo desempenho na peça Intensa magia, de Maria Adelaide Amaral, com quem já atuei em várias obras. Já ouvi falar, que ela diz que sou seu pé de coelho.”

Um ator completo e consagrado (década de 2000)

“Lembro com muito carinho do meu trabalho no remake da novela Cabocla, em 2004, pois foi quando surgiu uma amizade muito forte com o Tony Ramos. Na época interpretávamos dois coronéis. Foi um trabalho muito gratificante.”

“Posso dizer que minha carreira artística rendeu muitos bons frutos. Foram 59 novelas, 20 minisséries, 40 teleteatros, 24 filmes e 44 peças de teatro.”

Vida atual, cotidiano, projetos futuros e mensagem final

“Atualmente vivo uma fase de descanso. Jogo buraco com Rosinha, vou ao cinema, a estreias teatrais. Estou me permitindo um momento de reciclagem para pensar novamente em novos projetos. Um deles é o preparo de um livro, que irá comemorar meus 60 anos de carreira, com detalhes de projetos profissionais ao longo das décadas.”

“Para fazer teatro, atuar de uma forma geral, é preciso ter vocação, talento e paciência. Acho que eu tive tudo isso. Não é fácil começar, lutar, batalhar e chegar onde cheguei. Hoje me sinto muito feliz por ter conquistado tantas coisas boas. Se pudesse, faria tudo de novo, e melhor”.

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