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CHICO BUARQUE E EDU LOBO – CAMBAIO (2001)

07 de outubro de 2016


 

“Procuro moça que me deixe cambaio/ Me fervendo na veia”.

A 15ª edição da Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS chega com “Cambaio”, disco de Chico Buarque e Edu Lobo e trilha sonora da peça de teatro homônima, de João Falcão e Adriana Falcão.

Como o balanço das pernas, com gosto da paixão, “Cambaio” marca a volta da dupla Edu e Chico aos palcos teatrais, após os clássicos “O Grande Circo Místico” (1983), “O Corsário do Rei” (1985), e “Dança da Meia Lua” (1988).

O retorno é marcada por um universo onde tudo é possível, tudo é sonho. Se na peça teatral a direção musical foi de Lenine, no disco os arranjos ficaram nas mãos de Chiquinho de Moraes e Edu Lobo. O CD recebeu o Grammy Latino de melhor álbum de MPB em 2002.

Já na abertura, Lenine traz toda sua força à faixa-título, com suingue, peso, pertinente à participação na peça. A banda base do disco é formada por Cristóvão Bastos (piano), Bororó/ Jorge Helder (baixo), Jurim Moreira (bateria) e Márcio Montarroyos (trompete).

Após o peso de Lenine, como uma grande ruptura que nos deixa de perna bamba, Chico interpreta “Uma canção inédita”, uma valsa metalinguistica em forma de declaração: “Venha ouvir a valsa oca/ Em primeira mão/ Que a luva distraída toca no violão/ O público não acredita/ Crítico não crê/ Na inédita canção escrita/ Só pra você.”

De braços dados com Chico, aparece Zizi Possi com “Lábia”, uma das grandes interpretações da cantora e deste disco. “Mas nem cantor incendiário ataca à queima-roupa canção”. Palavras maravilhosas e ditas por uma grande cantora. Talvez, só Zizi pudesse atacar à queima-roupa a canção da dupla Edu e Chico.

“A moça do sonho” de Edu Lobo aparece como se procurasse aquela mulher, aquela paixão, “O seu vestido se partiu / E o rosto já não era o seu”. Era um sonho de amor idílico, impossível de encontrar, envolto a um arranjo de sopros e cordas primoroso.

Chico retorna com o samba “Ode aos ratos”, com um arranjo jobiniano, que nos faz lembrar do “O bôto” de Tom.

A primeira faixa instrumental do disco é “Quase Memória”, de Edu Lobo, melodia esplendorosa com arranjo que nos leva para os maiores sonhos e lembranças.

A outra participação do disco é de Gal Costa. Ela canta “Veneta”, que nos remete ao toque dos caboclinhos, manifestação típica do Recife da infância de Edu, com marcação da percussão de Mingo Araújo e o violoncelo de Jaques Morelenbaum. Canção feita com gosto de sol: “Cabeleira incendiada/ No barranco, na boléia/ Uma candeia em cada mão/ Eu quero um amor de primavera”.

Edu Lobo retorna como intérprete em “Noite de verão”, com um arranjo magnífico de sopro. “Este não sou eu/ Meus lábios nos seus lábios não são meus.” Toda loucura de não se ver é aberta na próxima faixa, a instrumental “A fábrica”, belíssima composição de Edu, pra fora, cinematográfica, como um caminhar apressado por espaços perdidos.

Zizi volta com “Cantiga de acordar”, cantando ao lado dos compositores Chico Buarque e Edu Lobo, entrelaçando, envolvendo, como uma grande trama de amor. Momento final fantástico, acompanhando dos  – sempre presentes – arranjo de cordas e sopros.
“Pobre sonhador/ Todas as estrelas/ Todas as misérias/ Todos os desejos/ Pra canção do meu amor”.

A música e o teatro musical brasileiro entram no século XXI pelas mãos de Chico Buarque e Edu Lobo, dois dos nossos maiores compositores, dois dos nossos maiores brasileiros. Se em 2001 “Cambaio” gerou opiniões diversas, em 2016 fica claro que essa é uma das grandes obras de todos os séculos, uma impressionante coleção de canções, em qualquer tempo ou lugar.

Ficha técnica:

Arranjos: Edu Lobo e Chiquinho de Moraes
Produção: Edu Lobo e Vinicius França

Músicos:

Alceu de Almeida Reis : Violoncelo
Andrea Ernest Dias : Flauta
Antonella Lima Pareschi : Violino
Antônio José Augusto : Trompa
Bernardo Bessler : Violino
Bocão: Trombone
Bororó : Baixo Elétrico
Carlos Eduardo Hack : Violino
Carlos Malta : Saxofone Soprano
Carlos Prazeres : Oboé
Carmelita Reis de Souza : Violino
Celso Woltzenlogel : Flauta
Cristiano Alves : Clarineta
Cristóvão Bastos : Piano
Daniel Garcia : Saxofone Tenor
Edu Lobo : Voz
Eduardo Morelenbaum : Clarone
Eliezer Rodrigues : Tuba
Flávio Ferreira de Melo : Trompete
Francisco de Assis Soares da Silva : Trompa
Frederick Stephany : Viola de Arco
Henrique Band : Saxofone Barítono
Ismael de Oliveira Júnior : Trompa
Jaques Chestem : Trombone
Jairo Diniz Silva : Viola de Arco
Jessé Sadoc do Nascimento Filho : Trompete
João Daltro de Almeida : Violino
João Luiz Areias : Trombone
Jorge Helder : Contrabaixo
Jorge Kundert Ranevsky (Iura) : Violoncelo
José Alves da Silva : Violino
José Francisco Gonçalves : Corne Inglês
José Freitas : Clarineta
José Ricardo Volker Taboada : Viola de Arco
José Rogério Rosa : Violino
Jurim Moreira : Bateria
Lúcia Morelenbaum: Clarineta
Marcelo Martins : Saxofone Tenor
Márcio Eymard Mallard : Violoncelo
Márcio Montarroyos : Trompete
Marcus Ribeiro Oliveira : Violoncelo
Mariana Isdebsky Salles : Violino
Marie Christine Springuel : Viola de Arco
Mauro Senise : Saxofone Alto
Michel Bessler : Violino
Murilo Barquette : Flauta C
Nelson Oliveira : Trompete
Paschoal Perrota : Violino
Philip Doyle : Trompa
Pinduca (Luiz Anunciação) : Vibrafone
Ricardo Amado : Violino
Sérgio de Jesus : Trombone
Wanda Eichbauer : Harpa
Zé Canuto : Saxofone Soprano

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