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ARLINDO CRUZ – SAMBISTA PERFEITO (2007)

17 de março de 2017


 

“O sambista perfeito devia nascer com a luz de Candeia/ Que animava o terreiro em noite de chuva ou de lua cheia/ E ainda ser valente sem dar bofetão, cabeçada ou rasteira/ Mas brigar pela arte, a parte melhor de Geraldo Pereira”.

A 37ª edição da série Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS apresenta o “Sambista Perfeito” Arlindo Cruz com seu primeiro disco de inéditas depois de 14 anos.

O disco invoca grandes mestres do samba, como na faixa-título acima, e conta com as participações de Maria Rita, Zeca Pagodinho, as Velhas Guardas da Portela e do Império, Sereno e Marcelo D2.

“Sambista Perfeito” surgiu em um momento oportuno na carreira de Arlindo, já que Maria Rita havia gravado seis músicas de sua autoria no seu terceiro disco “Samba Meu”, mostrando sua força como compositor para as novas gerações.

O trabalho abre com o hino “Meu lugar”, parceria com Mauro Diniz, um dos sambas mais marcantes das últimas décadas, uma ode a Madureira, território do seu Império Serrano, local onde Arlindo Cruz foi criado e aprendeu os primeiros caminhos do samba.

“Amor com certeza” é uma canção romântica traduzida em belos versos: “O tempo passou/ Já posso afirmar/ Que o sonho se concretizou/ Que nosso olhar/ É mais feliz assim/ O pranto secou/ De tanto chorar/ Mas a saudade ensinou/ A superar”.

Em “Se eu encontrar com ela”, Arlindo Cruz recebe o amigo e parceiro Zeca Pagodinho, junto com as Velhas Guardas da Portela e do Império Serrano, representantes das escolas onde os dois aprenderam “a sambar, compor, cantar, a versar”, como o próprio Arlindo diz na gravação.

“Sambista perfeito”, a faixa-título em parceria com Nei Lopes, descreve um ideal, relacionando nomes como Candeia, Zeca Pagodinho, Geraldo Pereira e Paulinho da Viola. Pois foi na “luz de Candeia” que Arlindo Cruz surgiu como músico profissional, ainda adolescente, quando tocou cavaquinho no histórico LP “Samba de Roda”, de 1974.

E se for falar em apadrinhamento, Arlindo Cruz é um dos maiores responsáveis pelos sambas de Maria Rita. Nada mais justo que ela participe da faixa “O que é o amor”, parceria com Maurição e Fred Camacho, que havia sido lançada um pouco antes pela cantora no disco “Samba Meu”(2007).

“Quem gosta de mim”, com Franco, é uma canção autobiográfica, uma reflexão sobre o compositor e também cantor Arlindo Cruz: “Levo mensagem de fé/ De amor e liberdade/ E agradeço o destino/ Que Deus abençoou/ Sou cantor e sei/ Quem gosta de mim/ Quem gosta de mim/ Gosta do meu samba assim”. E explica em versos a trajetória do artista, relembrando sua fase na Aeronáutica, como ritmista, passista, versador e homenageia seu padrinho musical: “Salve Antônio Candeia/ Que foi meu professor/ Sei compor e sei”.

Sereno, ex-colega do grupo Fundo de Quintal, chega para dividir com ele o medley que une “A Rosa”, de Efson, do repertório de Elza Soares e “Flor que não se cheira”, de Darci Maravilha e Barbante, momento histórico e não menos vibrante que as novas canções como é o caso de “Nos braços da batucada”, com os parceiros Babi e Júnior Dom, esse último também autor de “O Brasil é isso aí”, ao lado de Marcelo D2, música que fala sobre o desejo de acabar com o preconceito.

“Minha porta-bandeira”, de Julinho Santos e Nenem Chama, traz para o disco o romantismo do samba dos anos 2000.

Porém o clima muda em “Pára de paradinha”, parceria de Arlindo  Cruz com Fred Camacho e Marcelinho Moreira, pagode esperto, que nos remete ao Cacique de Ramos, com o verso “Não venha com esse caô/ “Que a vida foi feita pra amar/ Segura a tua barra/ E para de marra pra não se atrasar”. A crônica irreverente sobre os costumes continua em “Sujeito enjoado”, parceria com Maurição e Xande de Pilares (que também participa da faixa).

As novas companhias seguem em “Entra no clima”, do velho amigo Acyr Marques e o novo companheiro Rogê, samba que encerra o disco em clima de festa e bom som. O CD ainda conta com o bônus “O que é o amor”, dessa vez só com a voz de Arlindo Cruz.

Indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Samba e Pagode”, “Sambista Perfeito” trouxe Arlindo Cruz para os refletores do século XXI e fez de “Meu lugar” um dos maiores sucessos da década. Samba para se ouvir, refletir, aprender e terminar em festa. De Candeia a Xande de Pilares, o sambista perfeito naturalmente não pára.

Ouça!

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