MIS Blog/ Discoteca Básica

SERGIO SANTOS : ÁFRICO (2002)

05 de maio de 2016


 

Inauguramos oficialmente a Discoteca Básica Brasileira do Século XXI MIS.

Acreditamos que há uma necessidade real de falar do que foi feito a partir dos anos 2000. Discos históricos do século XX já foram ditos e reditos inúmeras vezes. São nosso clássicos imortais e obrigatórios, mas precisamos falar também do século XXI.

A ideia pairava por nossas reuniões, mas faltava uma boa notícia. A inspiração necessária para esse primeiro volume aconteceu via Mônica Salmaso no show ao lado de André Mehmari, no Rio de Janeiro, em maio deste ano.

Mônica cantou “Saruê“, do disco “Áfrico”, de Sergio Santos, linda inspiração da cultura africana com composições feitas em parceria com Paulo César Pinheiro.

A cantora foi ainda mais longe e falou que “Áfrico”está no mesmo patamar de clássicos como “Elis e Tom” e “Sentinela” de Milton Nascimento. Era tudo que precisamos para começar e, claro, iniciamos com “Áfrico”, terceiro disco do mineiro Sergio Santos, um dos principais compositores e instrumentistas surgidos no país depois dos anos 1990. O artista já foi gravado por Milton Nascimento, Olívia Hime, Luciana Oliveira, Dori Caymmi, entre outros.

O CD também marca a presença de seu principal parceiro, Paulo César Pinheiro. É dele que surgem as letras, cuja temática é a influência da cultura africana na cultura brasileira, com uma série de palavras em dialetos africanos.

O disco abre com “Vem ver”, música com forte herança do congado mineiro, inspiração essa que perpassa o disco todo, conceito assim, a ligação entre África e Minas.  Interessante que “Vem ver” tem função narrativa durante todo trabalho, marcando o começo, meio e fim dos atos.

“Galango Chico rei”, uma canção ternária, divisão rítmica muito presente em ritmos africanos, traz a participação especial do grupo instrumental Uakti. Interessante é que Paulo César Pinheiro utiliza na letra e, no decorrer de todo disco, palavras de origem quimbundo, da região da Angola, e outras línguas africanas, como “Oluô”, de origem yorubá. Essa diversidade segue “Ganga zumbi” que significa “deus grande”, canção que ainda conta com Mart’nália, Ana Costa e Alimar no côro.

“Kekereke” é um samba em 7/4 e tem a rica participação de Robertinho Silva na percussão, se dividindo entre caxixi, unhas, derdak, tamborins, tumbadora, conga, quinto e djembe. É outra música com diversos termos africanos que são usados, principalmente, nos cultos de umbanda.

Além do contexto histórico das letras, durante todo disco há alternância de compassos, 5/4, 4/4, 7/4. São perfeitas construções irregulares feitas por Sergio Santos  com uma riqueza incrível.

“Vem ver” ressurge depois de “Sicretismo” com a linda participação de Olivia Hime e o grupo Uakti retorna em “Quilombola”, faixa que tem a presença da nossa querida Joyce.

“Nossa cor”, encerra as participações especiais com Lenine cantando e o peso de Marcos Suzano na percussão, que junta a sonoridade da tablas, instrumento comum na Índia e em países do norte da África, com o pandeiro espetacular e brasileiro de Suzano.

“O que se ouviu, se ouvirá de novo
Cantos do Brasil, alma desse povo, vem ver”.

Essa última aparição de “Vem ver”, encerrando o disco, com o próprio Suzano, André Mehmari, Silvio D’Amico, Tutty Moreno e côro de Mart’nália, Ana Costa e Alimar. Fim fenomenal que explica bem a existência e importância deste trabalho.

“Áfrico” foi lançado pela Biscoito Fino em 2002 e venceu o Prêmio Rival-BR como melhor “Disco do Ano” e contou com as participações dos músicos Rodolfo Stroeter, André Mehmari, Tutty Moreno, Teco Cardoso, Nailor Proveta, Sílvio D’Amico, Robertinho Silva e Marcos Suzano.

Um seleto time com letras preciosas de Paulo César Pinheiro, produção de Rodolfo Stroeter e um dos grandes trabalhos do nosso século XXI.

A FICHA TÉCNICA COMPLETA:

Violão, voz e arranjos: Sérgio Santos
Baixo acústico e elétrico: Rodolfo Stroeter
Bateria: Tutty Moreno
Piano: André Mehmari
Saxofones e Flautas: Teco Cardoso
Saxofone alto, Clarinete e arranjo em Áfrico: Nailor Proveta
Percussão: Marcos Suzano e Robertinho Silva
Vocais: Martinália, Ana Costa e Analimar

Participações Especiais
Grupo Uakti: Artur Andrés, Paulo Sérgio Santos, Décio Ramos, Josefina Cerqueira e Marco Antônio Guimarães, em Galanga Chico-Rei e Quilombola
Joyce, em Quilombola
Lenine, em Nossa Cor
Olivia Hime, em Vem Ver

Gravado e mixado no Estúdio Sarapuí (Biscoito Fino), por Gabriel Pinheiro, em setembro / outubro de 2001. Grupo Uakti gravado nos Estudio Bemol (Belo Horizonte), por Dirceu Cheib. Masterizado na Visom Digital, por Luiz Tornaghi.



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