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A vez do eterno camisa 10 da Gávea: Zico, o Galinho de Quintino

19 de maio de 2014


 

Em meio a pequenez das insanas rivalidades locais, o nome de Zico vem, muitas vezes, seguido da lembrança do pênalti perdido contra a França, na Copa do Mundo de 1986. O cronista esportivo Fernando Calazans ressaltou, certa vez, que esta covardia, que lembra com tintas mais frescas e amenas a execração pública do goleiro Barbosa, que falhou no gol de Ghiggia, do Uruguai, na final da Copa de 50, não é relevante diante da grandeza e da genialidade de Arthur Antunes Coimbra. Assim como outros grandes craques da história como Leônidas da Silva, Zizinho, Domingos da Guia,  Puskas,  Di Stéfano, Cruyff  e Platini, Zico teve a infelicidade, e nós e o futebol também, de ter perdido, não em 1986, mas em 1982, o título mundial.

“Zico não ganhou a Copa do Mundo? Azar da Copa do Mundo”, escreveu Calazans.

Nascido no bairro carioca de Quintino Bocaiuva, em 3 de março de 1953, Zico é o maior artilheiro do Flamengo, com 539 gols, e o jogador que mais marcou no Maracanã, 333 vezes. Foi o regente dos rubro-negros na conquista do primeiro Brasileiro, em 1980 – mais tarde ganharia outros três títulos. Seu futebol de arrancadas, passes precisos, finalizações perfeitas e faltas indefensáveis levou o Flamengo à Taça Libertadores da América, em 1981 e, consequentemente, ao topo do mundo, ao vencer o Liverpool na final do Mundial do mesmo ano. Ele, é claro, foi eleito o melhor em campo.

Além disso ganhou sete vezes o Campeonato Estadual, nove vezes a Taça Guanabara e inúmeros outros troféus. Ao se transferir, em meados de 1983, para o time italiano da Udinese, Zico já era o maior ídolo da história do Flamengo. Sua ida para a Itália foi um marco nas transações de jogadores brasileiros para o exterior. Disputado por times grandes como Roma e Juventus, ele acabou no modesto time de Udine, que pagou 4 milhões de dólares, à época um recorde em transações internacionais no país. Tratado como um rei em sua chegada, o Galinho de Quintino rapidamente justificou sua fama. A nona colocação na temporada 1983/1984 é um marco até hoje na história do clube. O time ficou apenas a quatro pontos da quarta vaga, que lhe daria uma inédita vaga na Copa da UEFA. Zico marcou 19 gols, apenas um atrás na artilharia do campeonato, que ficou com Michel Platini, da campeã Juventus. O detalhe é que o francês jogou seis partidas a mais.

Por diversas ocasiões Zico foi ovacionado por torcidas adversárias. Em um jogo contra o Ascoli,  torcedores, repórteres e até o goleiro adversário o aplaudiram após ter feito um lindo gol. Em Gênova, o estádio inteiro cantou o seu nome e em Catania os torcedores do time rival não só gritavam e cantavam o seu nome como também torciam por ele: quando surgia uma falta próximo a área, clamavam para que Zico a cobrasse. Ao terminar a partida, o jogador brasileiro Pedrinho, do Catania, foi indagado por um repórter: “Vocês poderiam ter vencido o jogo?”. E ele respondeu: “Como poderíamos se até a nossa torcida estava torcendo pelo Zico?”.

Pela Seleção Brasileira, Zico disputou as Copas de 1978, na Argentina; de 1982, na Espanha, quando foi o comandante, o camisa 10 de um dos mais vistosos times de futebol da historia; e de 1986, no México. É o terceiro maior artilheiro do escrete canarinho, com 66 gols, em 89 partidas.

Zico também se tornaria ídolo supremo dos japoneses ao atuar no Kashima Antlers e dirigir a seleção local.

Em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 2001, aniversário do Flamengo, ele falou de seus primeiros passos no futebol, da infância em Quintino, dos anos de glória no time da Gávea e de sua trajetória na Seleção Brasileira.

Zico, como poucos jogadores na história, foi homenageado em diversas músicas. A mais famosa foi “Camisa 10 da Gávea”, feita pelo rubro-negro Jorge Benjor, que teve gravações primorosas do próprio Benjor e de Maria Alcina.

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