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A VERDADE BEM DITA DE VICTOR BERBARA

29 de outubro de 2015


 

Foi com muita simpatia e empolgação que o publicitário, diretor de teatro, TV e radialista Victor Berbara deixou seu Depoimento para a Posteridade no MIS, na tarde de 28 de outubro. O bate-papo contou com entrevistadores especiais, amigos de longa data, como o escritor Ruy Castro, a atriz Daisy Lúcidi, a biógrafa Tânia Carvalho, além do jornalista e pesquisador Rodrigo Faour, que também coordenou a mesa.

Berbara iniciou o encontro lembrando da sua juventude, quando foi morar nos Estados Unidos, para estudar Medicina, em Louisiana. A época, o ano de 1946, o fez refletir sobre muitas questões sociais.

“Fui cursar Medicina, mas quando me deparei com corpos no laboratório, vi que não era a minha. Na época, a sociedade vivia uma segregação racial muito forte. Na casa onde morava, a proprietária uma vez me proibiu de conversar com um negro.”

“Era muita pressão, muita desigualdade. Isso fez eu repensar minhas escolhas. Foi quando decidi pedir transferência para o curso de psicologia, na Columbia University, em Nova Iorque. Na época, não sabia se meu diploma ia ter validade quando voltasse para  o Brasil. Até então, era uma profissão que não se falava muito por aqui. Meus professores tinham sido alunos de Freud. ”

Sobre sua entrada no mundo da publicidade e do rádio, disse ter sido quase que por acaso.

“Logo que cheguei no Brasil, vi um anúncio de emprego na McCann Erickson, aos 21 anos. Eles exigiam um diploma de terceiro grau. Cheguei a me questionar se o meu teria validade mas resolvi me candidatar. Comecei como assistente no departamento de rádio. Logo estava criando slogans para a Coca-Cola, um de nossos clientes. E por falar em slogan, um me marcou profundamente. Ele dizia: ‘A verdade bem dita’. Até hoje é meu lema de vida.”

Mais adiante, abordou sua carreira na televisão e no teatro, suas produções e expectativas sobre os musicais.

“Participei da inauguração da televisão no Brasil. Foram cinco programas exibidos no Rio de Janeiro e depois vieram os da programação formal, que foram exibidos depois em São Paulo. Tudo isso, na década de 1950.”

“Nas minhas montagens falo sempre para meus atores que só faltem se estiverem mortos. Mesmo assim, dependendo da morte. Pensam que sou louco, mas nem todos entendem o que quero dizer com isso. Na Argentina, durante uma peça, a atriz principal sofria uma queda na cena final e depois as cortinas se fechavam. Pois ao acender as luzes de volta, ela estava desfalecida. Havia morrido. Mas o que os médicos não entenderam na época é como ela conseguiu representar sua última fala, já que foi constatado que ela havia morrido no ato da queda.”

“Essa argentina foi a única atriz que representou até depois da morte. Acredita nisso quem quer. É o que conto aos meus atores sobre a relação do processo de comprometimento em cena.”

 

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