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A MÚSICA AJUDA A CONTAR A HISTÓRIA DO BRASIL

01 de setembro de 2016


 

A música ajuda a contar a história do Brasil e isso não foi diferente em grandes momentos políticos.

Em 1930, Francisco Alves, o maior cantor do Brasil naquele momento, deu voz a “Hino a João Pessoa”, de Eduardo Souto e Osvaldo Santiago, letra sobre o político paraibano assassinado e peça chave para a Revolução de 30 comandada por Getúlio Vargas. A canção bradava em alto e bom som “Bravo filho do sertão!/Toda a pátria espera um dia/ A sua ressurreição.”. Uma tentativa de enaltecer um mártir com todas as letras. “Hino a João Pessoa” teve um êxito absoluto na voz mais popular do Brasil.

Em 1945, Getúlio Vargas renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar, mas o excelente samba “Nosso Presidente continua”, de Haroldo Lobo e Wilson Baptista, interpretado por Arnaldo Amaral, clamava o poder popular de Vargas sem meias palavras: “Pode haver eleição lá no morro/ Que o nosso presidente continua”. Getúlio soube como nenhum outro presidente lidar com a imprensa, música e as artes em sua propaganda governamental. A frase “não deixa o homem trabalhar”, presente na música, é utilizada até hoje como jargão político. Mas “Nosso presidente continua” fez pouco sucesso e ficou guardada apenas nessa única gravação em um disco de 78 rotações. Pior para dupla Wilson Baptista e Haroldo Lobo. Quem marcaria o ano da renuncia de Vargas seria Nelson Gonçalves com a valsa “Maria Betânia”, do pernambucano Capiba. “Maria Bethânia eu nunca pensei acabar tudo assim/Maria Bethânia por Deus eu te peço tem pena de mim”, era a música de fim de caso perfeita para aquela ocasião.

Os sambas e marchinhas e hinos ufanistas seguiram durante a década de 1940 e 50. No final, Wilson Baptista e Haroldo Barbosa tinham razão – o povo levaria Vargas novamente ao poder. Mas a governabilidade já era difícil naquele tempo e após muita oposição, no dia 24 de agosto de 1954, houve do suicídio de Getúlio Varga. Um dos momentos políticos mais complexos em nossa história. Entre as muitas músicas feitas a partir da tentativa de deposição de Vargas, lembramos de “O grande presidente”, do compositor Padeirinho, samba-enredo fantástico da Estação Primeira de Mangueira de 1956.

 

A relação entre política e música só se aprimorou durante todo esse período. Em 1960, talvez seja lançado o trabalho mais completo desse momento. Um 78 rpm com jingles da campanha para vice-presidente de João Goulart. Reparem na seleção: Jorge Veiga, Dircinha Batista, Luiz Vieira, Altamiro Carrilho, Elizeth Cardoso, Ivon Cury, Isaura Garcia e Conjunto Farroupilha com o popularíssimo Cesar de Alencar na locução. Do norte ao sul, parte dos grandes artistas nacionais gravavam em disco o apoio ao futuro presidente.

 

 

Enquanto a bossa nova tomava conta do cenário mundial, o gênero já começava a ajudar a formar parte importante do nosso cenário musical e político futuro, com Nara Leão, Chico Buarque, Edu Lobo e tantos outros. Em 1964, o Império Serrano marcava para sempre o samba com “Aquarela brasileira”, de Silas de Oliveira, transformando a obra de Ary Barroso. “Brasil, essas nossas verdes matas/ Cachoeiras e cascatas/ De colorido sutil/E este lindo céu azul de anil/ Emolduram em aquarela o meu Brasil”. O Brasil dos sonhos, colorido e otimista seria trocado para um mundo sem cores. Dois meses depois se instalava no Brasil a ditadura militar, onde o “azul de anil” só serviria para propagandas políticas.

 

As canções de protesto formaram um universo gigante durante esse período. Foi a música sendo a voz para expressar a dor, a luta pela democracia. No mesmo ano, o mesmo samba dava o recado para os próximos dias em versos impressionantes de Zé Ketti:

“Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio não, daqui do morro eu não saio não.”

Era o antológico show “Opinião” com Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão. Era o Brasil da “Marcha da quarta-feira de cinzas“, de Carlos Lyra e Vinicius de Morais, “Apesar de você“, de Chico Buarque, “Cálice“, de Chico e Gilberto GIl. Eram anos de chumbo, mas muita canção.

 

 

Tudo isso diminuiu enquanto a ditadura se mostrava cada vez mais desgastada, principalmente nos anos 1980 quando pressões internas e externas já consolidavam seu fim. Fato é que o Brasil viveu o grande momento de sua indústria fonográfica durante os anos 1970 e 1980, mas que chegaria bem diferente durante o impeachment de Fernando Collor, em 1992. O presidente, que usou e abusou do apoio de duplas sertanejas em sua eleição, caiu em uma época em que Leandro e Leonardo e outras dezenas de duplas lutavam pelas cabeças das rádios com a axé music..

Na total contramão dessa briga, Hermeto Pascoal musicava uma entrevista concedida por Fernando Collor. A faixa “ Pensamento positivo” mostrava a tradicional retórica do ex-presidente e atual senador da república.

 

Na outra ponta, um jovem carioca surgia com a bomba, que chegou a ser censurada nas rádios:

“Hoje eu tô feliz! (Minha gente!)

Hoje eu tô feliz matei o presidente”

 


Era Gabriel, o Pensador, e o universo do rap que seria uma das vozes críticas nos anos 1990 e 2000.

E agora? Qual seria a música de 2016?

 

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