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Funk agoniza mas não morre

27 de setembro de 2013


 

O funk carioca foi o tema do encontro OsteRio, promovido pelo IETS; “Rio no batidão do funk: de maldito a mainstrean, o balanço que movimenta a cultura e a economia na cidade” juntou o funkeiro MC Leonardo, a cantora Fernanda Abreu e o produtor cultural Mateus Aragão para debater a relação entre a cultura do funk e a cidade. Além de ser o cenário em que o funk nasceu, o Rio de Janeiro carrega o espírito do funk: a crônica cotidiana da cidade sob o ponto de vista de quem vive nas favelas. Carregado, sempre, do característico senso de humor carioca.

Para Fernanda Abreu, uma admiradora do gênero que absorve o estilo em sua própria criação musical, “o funk é uma crônica perspicaz, vigorosa e potente da urbanidade, da sociedade, e da dinâmica da linguagem.” Ele é abrangente por observar a relação do homem com a sociedade de forma autêntica e acessível, feito por gente comum que, segundo a cantora, não estuda sociologia nem tem um “discurso elaborado”. “Nós adoramos essa criatividade, essa inventividade. Isso é o que o funk tem de mais poderoso: junta essa percepção da sociedade com o humor. E é aí que ele lembra a marchinha de carnaval e se torna definitivamente carioca.” As gírias cunhadas pelas letras de funk ganham as ruas da cidade, e são incorporadas por diversas classes sociais, gerando uma linguagem carioca e, depois, expandindo-se para o Brasil. “O funk feito pelo Rio de Janeiro nos últimos cinco anos deixou de ser carioca para ser brasileiro”, aponta o MC Leonardo, que afirma que hoje o Rio é a vitrine do gênero musical.

No entanto, o funk como diversão popular tem enfrentado muitas dificuldades na cidade que o gerou, se comparado com seu passado recente, quando, segundo Leonardo, o baile funk só perdia em frequentação para a praia. “Mede-se a cultura pelo espaço que ela está ocupando na cidade. E hoje o funk está vivendo seu pior momento na história”, ele alerta, enfatizando que a música reflete o multifacetado povo carioca. “O funk tem o maracatu, o frevo, o baião, o xote, o jongo, ele tem muito samba, ele tem macumba, ele é a mistura de tudo que se aproximou do povo dos morros cariocas.” É importante que ele continue representando sua importância cultural também na economia da cidade, gerando empregos tanto em sua produção quanto em seus bailes.

No MIS, o espaço do funk está garantido: do morro pro calçadão, da areia pro museu, da Tropicália para o funk; uma democracia regida pelo dinâmico espírito carioca que, acima de tudo, não faz julgamento de valor. “O Rio é a síntese do Brasil. O carioca leva a novidade, o lado descontraído, meio avant-garde. A gente se acha um pouco porque a gente está livre”, analisou a sangue-bom Fernanda. E é o carioca quem transporta essa expressão cultural. “Um dia, um cara pediu o microfone no baile e gritou ‘Ah, eu tô maluco!’. Pronto: o mundo todo gritou ‘Ah, eu tô maluco!’”, relembrou o MC.



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