Exposição Drops do Acervo MIS 01 – Percussão


DROPS DO ACERVO MIS 01 –  PERCUSSÃO

A partir do mês de agosto de 2021, o Museu da Imagem e do Som apresentará uma pequena narrativa expográfica, através de um tema ou personalidade, materializado em obras de seu vasto acervo. Esse “drops” será inserido no espaço de nossa exposição permanente possibilitando mais uma forma de interação do público com nossas coleções. O primeiro tema escolhido foi Percussão.

A percussão existe em nossas vidas desde o período Pré-histórico, a partir do uso das cordas vocais, palmas e batidas de pé, além da construção dos primeiros instrumentos, com a utilização de ossos de animais, troncos de árvores e outros materiais vegetais, portanto, ela trouxe o ritmo e a cadência para nossas ações, nas diversas áreas em que se apresenta, como por exemplo, nos ritos religiosos e nas tradições folclóricas. Os instrumentos de percussão são os responsáveis por imprimir na música, o balanço, o suingue, e o andamento que caracterizarão aquele ou outro gênero musical. Os instrumentos de percussão produzem som a partir do momento que são percutidos/batidos, agitados ou friccionados com a utilização das mãos ou de baquetas, por exemplo.

Nessa primeira mostra selecionamos seis instrumentos de percussão pertencentes à coleção Almirante, uma capa de disco da coleção MIS, do Setor Sonoro, e a reprodução de uma fotografia, da coleção Almirante, do Setor Iconográfico. Para a conversa com o assunto fluir ainda mais, o som ambiente será de uma playlist de músicas correlatas ao tema, e nas tevês do mezanino, uma fotomontagem com capas de discos e trechos de filmes, em que o assunto tratado é relevante, estarão passando ininterruptamente, para que os fruidores tenham uma experiência sensorial mais completa.

Os instrumentos escolhidos são:

Caxixi- Originário da África, remanescente da cultura bantu e trazido pelos escravos para o Brasil. Formado de palha trançada compondo uma espécie de cestinha fechada por uma rodela de cabaça, e encimada por alça. Em seu interior contém sementes secas.  Seu som é produzido com a agitação do instrumento. Até hoje é muito utilizado nas rodas de capoeira junto com o berimbau.

Afoxé- Esse é um dos instrumentos, que ao lado de atabaques e do agogô são tocados na dança do afoxé, manifestação popular de matriz africana. Trata-se de uma cabaça revestida por uma rede de sementes. Ao se girar o cabo do instrumento num sentido e a estrutura de contas ou sementes para o outro, o som é produzido.

Triângulo- Instrumento de ferro forjado e retorcido configurando um triângulo vazado, onde o som é provocado pelas vibrações do bastão ou baqueta com que é tocado. É bastante comum nos gêneros musicais nordestinos, como o xote e o baião, em parceria com o acordeão e a zabumba.

Matracas (par de)- Constituído por dois pequenos blocos de madeira que produzem som quando batidos um contra o outro, tendo ao centro de cada bloco, tira de couro para encaixar a mão.  As matracas são muito utilizadas na festa folclórica do Bumba meu boi. Nas duas partes lê-se a inscrição “SEU JOAQUIM”, seu provável dono original.

Sino- Espécie de campana com badalo em seu interior, similar ao cincerro, sineta para ser pendurada no pescoço de animais, a fim de guiar ou reunir o rebanho.

Agogô- Instrumento confeccionado em ferro batido. Composto por dois cones (um ligeiramente maior do que o outro) interligados a uma alça em forma de gota. O som é tirado com o uso de baqueta de metal ou vara de madeira. Chegou às Américas trazido pelos escravos e foi incorporado tanto nos rituais religiosos, como nas baterias das escolas de samba.

A capa de disco apresentada junto aos instrumentos de percussão é referente ao LP Batucada Fantástica Vol. 3 – Luciano Perrone e seus ritmistas brasileiros. Lançado em 1972, pela Musidisc. Desenho da capa feito pelo artista plástico Aldemir Martins (1922-2006).

Em uma época cujo som que chegava ao Brasil era o das big bands americanas, o músico Luciano Perrone (1908-2001) trilhou outro caminho, o de buscar a união dos ritmos originais brasileiros ao som produzido pela bateria, obtendo muito sucesso e influenciando tudo o que viria depois… Ele dizia: “não quero ser comparado aos bateristas americanos, meu negócio são os ritmos do Brasil…” Perrone fez parte do cast da Rádio Nacional desde a sua fundação, como baterista e percussionista, além disso, atuou durante toda a sua vida profissional ao lado do maestro Radamés Gnatalli.

Na parede, uma reprodução fotográfica da dupla Zé da Zilda e Zilda do Zé. Foto Halfeld. Coleção Almirante. Zé segura uma cuíca, e sua parceira Zilda, um afoxé. José Gonçalves (1908-1954), o Zé da Zilda foi um grande compositor e escreveu sucessos em parceria com Ataulfo Alves e Cartola. Zilda Gonçalves (1919-2002), a Zilda do Zé, sua parceira na vida e na arte, além de cantar também era compositora. O maior sucesso da dupla foi a marchinha de Carnaval Saca-Rolha, composição da dupla junto com Valdir Machado.

Duração do evento: 19/08/2021 a 19/10/2021

Local: Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro

Sede Lapa: Rua Visconde de Maranguape, 15 Lapa

Tel.:2333-2140

Horário de visitação: de terça à sexta, das 11:00 às 17:00 h

Créditos

Presidente

Cesar Miranda Ribeiro

Diretoria Técnica Operacional

Gabriela Alevato

Curadoria / Texto / Montagem

Eliane Vilela Antunes (Setor Tridimensional / Textual)

Colaboradores

Pedro Dias (Setor Sonoro)

Daiane Lopes Elias (Setor Iconográfico)

Roberto Casimiro (Setor Audiovisual)

André Luis (Informática)

Levy Bianchi (Cinegrafia)

Anagélica Rodrigues (Comunicação)

Márcia Benazzi (Gerência de Produção)

Daniel Vieira Coelho – Diretor Administrativo

Aline Soares (Educativo e Institucional)

Hugo de Mello – Gerência de Processamento de Acervo